

Já me convenci: sou muito azarado quando decido assistir a jogo fora de Pernambuco. Eu me programo para ver o espetáculo, aguardo para acompanhar a atuação de certos jogadores, preparo-me para a festa, mas só vejo bola fora. Sobram exemplos. Eis dois recentes.
Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2010.
Primeiro, preciso voltar o tempo. Uns três meses antes, quando comprei a passagem para a terrinha carioca, planejei: “Putz, legal! Vou ver Ganso e Neymar”.
Poucos dias depois, Ganso é submetido a cirurgia. Uma rodada antes do duelo contra os rubro-negros, Neymar faz molecagem, dá um chapéu no adversário quando o jogo estava parado e recebe o terceiro cartão amarelo – suspenso. Penso: ao menos, vou ver a festa do último jogo do velho Maraca. Quanto foi o placar do confronto? Pois é: 0 x 0.
Salvador, 21 de novembro de 2010.
Enfrentei um longo engarrafamento até o Barradão. Levei quase uma hora para conseguir entrar no estádio, tomando sol e se esfregando em uma macharia suada e fedida. Demoro para achar lugar na arquibancada. Ansioso para ver Ronaldo em campo. O Fenômeno começa bem. Dois belos passes – um, inclusive, virou assistência para gol. Mas, com 20 minutos de partida, “Ronalducho” sente lesão, desaba (“terremoto”) e é substituído. Placar do confronto? Um tal de 1 x 1 ruim para ambas as equipes.
É como diz aquele velho ditado: “Se macumba ganhasse jogo, Campeonato Baiano terminaria empatado”.