
Bin Laden, o até então recordista mundial do torneio de pique-esconde, só não conseguiu manter o posto por causa do Timbu. O futebol alvirrubro, ninguém sabe, ninguém viu. Tantos pontos, tantos gols ao longo da primeira fase, de nada adiantou. Quer nadar, quer nadar? O Clube Náufrago Capibaribe vai te ensinar. A morrer à beira da praia. E a família de Osama já escolheu o caixão para enterrar o quase homônimo do presidente norte-americano. “Aquele negão motherfucker!”, xinga o braço direito mutilado da Al-Qaeda.
Proprietária da funerária Nossa Senhora de Lourdes, Dineide Santos não para de receber ligações. Além de Bin Laden, muitos alvirrubros abastados e abestados desembolsaram grana para não perder a chance de “vestir” as cores do time até sete palmos debaixo do chão e ser Náutico até a morte. Quem não está com dinheiro suficiente para adquirir o “paletó de madeira” tem solução: “Põe na conta de Glédson, faz favor.”
Apesar de o clube ser fuleiro e o timbu estar entre os animais ameaçados, a paixão não pode ser extinta. Afinal, “hexa (ainda) é luxo”. Agora, pode prevalecer a força da torcida NaCruz. Basta os alvirrubros colarem umas fitas isolantes envolta da camisa, comprarem chinelos baratos, ficarem dois dias sem tomar banho e irem ao Arruda a pé ou de ônibus. “Contra o Sport, tudo!”, é o novo lema.
O do Náutico já está reservado. Resta saber qual outro caixão vai ter queima de estoque. Após três supersticiosas batidinhas sobre a madeira, torço para ninguém confeccionar um alaúde do meu saudoso Bola de Fogo da Muribeca.

Fotos (caixões): Blenda Souto Maior (DP/D.A Press)