Futebol de Moça nos Aflitos

futebol feminino nos Aflitos

Calma, alvirrubros, alvirrubras e indecisos. O título do post não é mais uma piadinha jocosa sobre a fama do Clube Náutico Capibaribe. De fato, rolou futebol de moça nos Aflitos, nesta quinta-feira. É a Copa Libertadores Feminina. A estreia da competição teve derrotas das colombianas do Formas Íntimas (patrocinado por uma marca de lingerie) e das bolivianas do Universidad Santa Cruz (quem mandou se chamar Santa Cruz…).

arquibancadas lotadas

Apesar do feriadão e da suposta impopularidade do esporte, o estádio teve um público superior ao de muitos jogos do Náutico nesta Série A.

O Fumo de Fuma

como diria o narrador da SporTV, "iiiihhhh, que desagradável"
… como narraria o locutor da SporTV, “iiihhhhh, que desagradááável”

Quando Fumagalli perdeu pênalti contra o Ipatinga e colaborou para o Sport ser eliminado da Copa do Brasil de 2007, o torcedor rubro-negro não o crucificou. O jogador tinha crédito. Depois, como registrado nesta foto acima, veio a hora de o meia participar da importante decisão das oitavas de final da Libertadores de 2009. Fuma cobrou a penalidade e quem levou fumo foi o Leão. Ninguém poupou crítica ao meia. Mas, como outros também erraram, a culpa ficou dividida. Mas ontem…

o fumo de Fuma

Ah… ontem, esgotou-se qualquer mínimo sentimento de compaixão para com Fumagalli. O cara não só marcou os dois gols da vitória do Americana sobre o Sport, como uma das bolas foi mandada para o fundo das redes de Magrão em cobrança de pênalti. Aí, é brincadeira! Deixa só o tal do Fuma pisar pelas bandas da Ilha do Retiro de novo…

O Campeão dos Gols Contra

o recordista Durva
… três, não, Durva! Por enquanto, “só” dois gols contra em Libertadores

Noves campeonatos estaduais consecutivos, duas Copas do Brasil, uma Libertadores. O paraibano Durval não para de bater recorde e superar marcas. Ontem, antes de levantar a taça, o ex-zagueiro do Sport e atual xerife do Santos voltou a fazer história. Tornou-se o primeiro jogador a marcar dois gols contra em final do maior torneio sulamericano. Ou você não lembra do golzinho contra a própria meta dos tempos de Atlético-PR? Os vacilos não apagam o brilho de Durva. Agora, está perto da maior missão…

Messi x Durval

Lionel Andrés Messi x Severino Ramos Durval. O embate da provável final do Mundial de Clubes, em arte criada por Geninha Nunes. Até lá, ansiedade. E muita gozação contra os rivais…

Chupa, Timão!

Goleiros Animados

escolha a preferida!

Não é Krusty, mas é um palhaço. Não é Pica-Pau, mas é cara de pau. Não é Tom ou Jerry, mas sabe caçar o adversário. Não é a Pantera, mas veste rosa. Não é Batman, Super-Homem, Homem-Aranha ou Hulk, mas tem a força. Não é Chapolim, mas tem astúcias. Não é Taz, Bob Esponja ou Mickey. É Pablo Aurrecochea. O goleiro mais excêntrico desde Higuita. O arqueiro defende as cores (ou os desenhos) do Guarani, do Paraguai. O time perdeu do Cruzeiro, ontem, pela Libertadores. Antes do jogo, estava em dúvida se usava a camisa de Bart ou de Homer Simpson. Optou pela primeira.

Foto: Emmanuel Pinheiro/France Press

Aos 29 anos, Pablo já desfilou com mais de 50 camisas extravagantes em partidas oficiais. Ideia da esposa, para o marido ficar mais “colorido” em campo. Se a moda pega por aqui, quais seriam os desenhos escolhidos por alguns goleiros. Eis algumas sugestões:

Glédson “Chicotinho”*

Glédson "Chicotinho"

André “Frangolino” Zuba

André "Frangolino" Zuba

“Salsicha” Magrão
"Salsicha" Magrão

Rogério “Bambi” Ceni e Bruno “Metralha”

Rogério "Bambi" Ceni e Bruno "Metralha"

Photoshop’s Expert: Maria Eugênia Nunes/DP/D.A Press

* Não entendeu a de Glédson? Clique AQUI

#carnavaldoroth

"bota a mão na cabeça que vai começar..."
… “e bota a mão na cabeça que vai começar: o Retranqueition-tion, Retranqueiton!”

Os colorados entraram em clima de folia e criaram várias marchinhas para embalar o Carnaval do Roth. A hashtag #carnavaldoroth ocupou o topo dos assuntos mais comentados do Twitter, última sexta-feira, após a insatisfação da torcida com o empate do Internacional contra o Emelec, pela Libertadores. A galera abusou da criatividade para chacotear o estilo retranqueiro do gaúcho, ex-treinador do Sport. Bota a mão na cabeça que vai começar: 

  • “O volante do Rô Rô não sobe mais / O volante do Rô Rô não sobe mais / Apesar de ele ter muita força / o volante ficou lá atrás”
  • “Se você pensa que volante é meia / volante não é meia não / O meia joga lá na frente / volante só no retrancão”
  • “Volante eu quero / volante eu quero / volante eu quero botar / Traz o Vampeta / traz o Vampeta / traz o Vampeta que eu boto pra jogar”
  • “Estava à tôa no banco / o meu goleiro falhou / pra ver a bola passar / mostrando a zaga o horror”
  • “Oh, fecha alas, que vou retrancar / Oh, fecha alas, que vou retrancar / Eu sou teimoso, não posso negar”
  • “Ô, balance, balance / quero empatar com você / Cinco na zaga / você vai ver / como não vamos vencer”

Enxerido e desocupado, dei minhas rídiculas contribuições para o baile:

  • “Eu quero mais / a retranca toda / Quero mais / o atacante à tôa / Quero mais / jogar meia-boca / e não sair contra o Mazembe”
  • “Obiiina… / quero contar / contiiigo / no meu timão / Tu jogarás / isolado / e atrás / boto uns dez na proteção”
  • “É muito saco / é muito saco pra aguentar esta rotina / Eu vou morrer de medo / eu vou morrer de medo quando ouvir a escalação”
  • “Ei, pessoal / Ei, moçada / escalação começa / com cinco ali na zaga”

Boca Juniors x Náutico

a grama, ao menos, está tão ruim quanto a dos Aflitos

Por Rômulo Nava

Dia 2 de agosto de 2010. Eu e minha esposa havíamos acabado de chegar em Bariloche, cidade turística da Patagônia argentina, bastante freqüentada durante o inverno, principalmente por causa da famosa estação de esqui. Do lado de fora do aeroporto, frio de arrepiar a espinha. Pegamos um táxi até o centro. O taxista (de nome Victor) nos mostrava alguns pontos turísticos, como o lago Nahuel Huapi e a cordilheira dos Andes. De forma despretensiosa, iniciei uma conversa sobre futebol:

- Pra que time torces? Boca Juniors?
- Boca Juniors! Y usted?
- Náutico! Conheces? – perguntei ao argentino (apesar de já esperar uma resposta negativa).
- No. – respondeu (óbvio).

A viagem prossegue. Alguns minutos de silêncio. Continuamos a falar sobre futebol:

- Ano que vem, quando o Náutico jogar a Libertadores… quer dizer, em 2012…
- Leggó? (‘Chegou?’) – perguntou ele se o Náutico chegou à Libertadores (sacanagem!).
- Não… na verdade, ele já jogou a libertadores… – respondi, em meio a algumas risadas do taxista e, como se não bastasse, da minha esposa, piauiense, onde o futebol tem como maiores representantes o Flamengo do Piauí e o River.
- No llegó… – interrompeu o hermano, já com ironia.
- O Náutico joga a segunda divisão, diz pra ele. – minha esposa jogou água quente.
- Peraí, é o seguinte… – retruquei (naquela hora, já fiquei aflito tentando lembrar as ‘conquistas’ mais importantes do Náutico).
- … hum… (pausa)… meu time já ganhou do Santos de Pelé, certo? Já jogou a Libertadores da América, e tal… Já foi vice-campeão brasileiro! – apelei.
- Há quanto tempo? Tu não tinhas nem nascido! – minha esposa pegou pesado (ah, quando chegarmos ao hotel… o bicho vai pegar!).
- Há, eu não sei… O que importa é que já aconteceu. – fuleiragem minha, pois eu sabia que o Timbu é o vice-campeão da Taça Brasil de 1967 e jogou a Libertadores da América em 1968 (meus pais ainda nem se conheciam naquela época).
- Dos veces, campeón? – (o hermano já estava avacalhando).
- Não, vice-campeão quer dizer segundo lugar. – respondi, meio sem graça e mudando de assunto.

Alguns poucos minutos de silêncio se passaram. Um argentino sacaneando um brasileiro exatamente no quesito futebol. Quem diria. Definitivamente, não dava pra deixar barato. Alfinetei:

- Quer dizer que você quis assassinar Palermo quando ele perdeu os três pênaltis? – quis me referir ao famoso atacante Palermo, do Boca, que chegou a perder três pênaltis em um só jogo (quem disse que perder pênaltis é exclusividade do Náutico?).
- No. – respondeu Victor, tranquilamente.

E lá se vai mais uma tentativa inútil de sacanear o argentino. Na verdade, Palermo não perdeu os três pênaltis jogando pelo Boca. Isso ocorreu com a seleção argentina, durante a Copa América de 1999. Foi então que Victor disparou:

- Palermo fue tres veces campeón de la Libertadores… Boca tiene seis Libertadores! – disse o fanático torcedor boquense (não vou nem mais traduzir esta p…).
- Veintitrés veces campeón del campeonato nacional!
- Mundial interclubes, três!
- Dos veces campeón de la copa Nissan, Sudamericana! – finalizou.
- Amor, troca de time… vira a casaca! – minha esposa encerrou o papo com ‘chave de ouro’ (divórcio?).
- Não, não! Pra não dizer que vou me fazer de rogado, vou pelo menos comprar uma camisa do Boca, de recordação – respondi e terminei a conversa falando do penta mundial brasileiro contra o ‘bi’ argentino.

Dia 12 de agosto de 2010. Eu e minha esposa, em Buenos Aires, capital do país, aproveitamos para fazer alguns passeios. Quando estávamos na rua Florida, no centro, pesquisei o preço da camisa oficial do Boca Juniors. Custava uns $ 260 pesos, ou seja, cerca de R$ 130 reais. Desisti da compra. Uma visita ao estádio Alberto J. Armando (mundialmente conhecido como “La Bombonera”) e algumas fotos com minha camisa do Náutico já estão de bom tamanho.

Victor, em 2012, a gente se encontra na Libertadores. E, então, veremos quem vai rir por último (sonhar não custa nada, né?).

A Gauchada é Bi!

Celso Roth 1 x 0 CorinthiansCássio Zirpoli, blogueiro aqui do Diario de Pernambuco, fez o levantamento da carreira de Celso Roth e encontrou números impressionantes. Impressionantemente escassos. Até a conquista do título da Libertadores, ontem, o ex-treinador do Sport aguardou mais de 3.600 dias.

Em 2000, Roth (o “Burroth”) pegou um elenco recheado de estrelas, como Leonardo, Bosco, Adriano, Sangaletti, Nildo e Leomar. E conquistou a Copa do Nordeste.

Dez anos depois, finalmente outra taça além das conquistas de autorama. E o técnico chegou a comandar mais de dez clubes de Série A após vencer a competição regional.

Contudo, Libertadores é Libertadores (da mesma lógica do “jogo é jogo”, “treino é treino” e “jogo-treino é jogo-treino”). Dez anos ouvindo chacota. Agora, pode tirar onda, Roth!

Foto: Kibeloco

“O Veríssimo dos Cronistas”

"o chivas regal dos whiskys" o mestre

Internacional e Chivas (o Guadalajara, time de futebol) em campo, para a decisão da Libertadores. E, dentro das quatro linhas do universo das palavras, todo mundo abusou de trocadilhos com outro Chivas (o Regal, whisky). Eu mesmo, via Twitter, dei uma forçadinha de barra, ao ver as cores do uniforme do adversário dos brasileiros e o fato de a equipe mexicana ter sofrido a virada: “A camisa vermelha e branca não deixa dúvida: é um Chivas paraguaio, mesmo!”, anotou o @paiaqui.

Passada a partida (com vibrante vitória dos Colorados: 2 x 1), lembrei de algo mais criativo relacionado ao nome do whisky. “Sim, uma crônica do mestre Veríssimo”, recordei. Intitulado “A Frase”, o texto fala do criador do slogan “O Chivas Regal dos Whiskys”, considerado por Veríssimo como a maior sacada publicitária de todos os tempos.

Segundo a crônica, o criador da frase “não recebe mais telegramas, não atende mais nem a porta, não se mexe da cadeira, não lê mais nada, não vê televisão, não vai a cinema e fala somente o indispensável, passa o dia sentado, de pernas cruzadas, com o olhar perdido, alimenta-se de coisas vagamente brancas e bebe champanhe Brut em copos de tulipa, com um leve sorriso nos cantos da boca”. (Clique AQUI para ver o texto completo).

Eu sei. Estou derivando, viajando, “traveling on the maionese”. São 02h45. Insônia. Só aproveitei a deixa do Chivas para enaltecer uma fonte da qual sempre bebi. Não estou falando de aguardente barata, mas sim, de Luís Fernando Veríssimo. Um dia, quem sabe, eu consiga escrever algo duas léguas próximo deste contículo abaixo:

Desmoronou uma ponte de gelo no Himalaia. No mesmo instante, dentro da sua cozinha, no Rio, abrindo uma lata de pêssegos em calda, Marisa sentiu uma leve inquietação, como se alguma coisa tivesse acabado em sua vida. Não existe qualquer ligação conhecida entre os dois fatos.

(Pois É. VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias da Vida Privada)