Conheça a trajetória de Marina: desde o movimento seringalista ao Senado e à (nova) candidatura ao Planalto

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A/Press

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Nascida na cidade de Breu Velho, no Acre, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva teve o início de sua vida política profundamente ligado ao movimento seringalista da década de 80.

Filha de seringueiros e nascida Maria Osmarina Silva de Souza, Marina aprendeu a ler e escrever apenas aos 16 anos, pelo Mobral, programa de alfabetização do governo militar na década de 70.

Depois disso, cursou história na Universidade Federal do Acre e se especializou em teoria psicanalítica, psicopedagogia e metodologia em ciências contábeis, todas pela Universidade de Brasília. Trabalhou como empregada doméstica e professora.

Helder Tavares/DP/D.A Press.

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Da infância pobre, a candidata herdou também problemas de saúde ligados à contaminação por mercúrio, decorrentes da água poluída pela atividade garimpeira na região onde morava, leishmaniose, hepatite e malária. As informações são da Agência Brasil.

Marina ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT) no Acre. Seu primeiro cargo público eletivo foi como vereadora de Rio Branco, em 1988.

Elegeu-se deputada estadual em 1990 e senadora em 1994, aos 36 anos, a mais jovem eleita, até então. Foi reeleita em 2002, mas afastou-se em 2003 para assumir o Ministério do Meio Ambiente no governo Lula.

Foi ministra até 2008, quando deixou a pasta após desgaste e divergências com outros membros do governo. No ano seguinte, Marina desfiliou-se do PT, em decisão que considerou uma das mais difíceis de sua vida.

reprodução/internet

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Passou a compor o Partido Verde (PV), pelo qual se candidatou à Presidência da República em 2010. Ao fim do primeiro turno, a candidata teve cerca de 20 milhões de votos, e ficou em terceiro lugar.

Marina ficou no PV até 2011, quando se desfiliou para iniciar o processo de criação de uma nova legenda. Em 2013, ela anunciou que, junto com outros correligionários, tinha alcançado o número necessário de assinaturas para criar a Rede Sustentabilidade.

No entanto, uma parte das assinaturas foi invalidada pelos cartórios eleitorais e o registro do partido foi negado pela Justiça Eleitoral.

Em outubro do mesmo ano, convidada por Eduardo Campos para compor uma chapa à Presidência da República no próximo pleito, Marina filiou-se ao PSB e passou a ser candidata à Vice-Presidência.

Desde o início, ela anunciou publicamente que não desistiu de oficializar a Rede Sustentabilidade e que, tão logo fosse possível, deixaria o PSB para se filiar ao novo partido.

Para Marina, chapa com Eduardo era a junção de tapioca com açaí. Agora, vem aí o casamento do açaí com o chimarrão

ultradownloads.com.br

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Ainda pré-candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva disse em abril que a sua união com o socialista era o “casamento de uma tapioca com um açaí” – iguarias típicas do Acre e de Pernambuco, respectivamente.

Agora, com a entrada do deputado gaúcho na vice, compondo a chapa presidencial, Marina – a sucessora de Eduardo Campos – vai anunciar o enlace do açaí com o chimarrão?

davimendoncacreative.blogspot.com

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As duas “pedidas” encantam gente dos polos opostos do país. A fruta é uma espécie de curinga na mesa dos nortistas. Já o saborear do mate é hábito secular do povo dos pampas. Relembre o que disse Marina:

“Casamento de Açaí com tapioca”: assim Marina definiu a aliança dela com Eduardo

Propaganda de Wolney Queiroz ocupa fachada da sede estadual do PDT em estrutura que se assemelha a outdoor

DP

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O PDT tem diversos candidatos à Assembleia Legislativa e outros tantos à Câmara dos Deputados.

Mas o painel que “ornamenta” a fachada da sede do PDT pernambucano, na Av. João de Barros, Boa Vista, no Recife, apresenta apenas fotos de Wolney Queiroz, deputado federal e candidato à reeleição.

São sete fotos. Na mesma pose (na realidade, trata-se de um santinho ampliado). Wolney é filho do prefeito de Caruaru, José Queiroz, que vem a ser presidente estadual do PDT.

O painel se assemelha a um outdoor. Tem formato e função similares.

Desde 2006, o uso do outdoor para fins de campanha é proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Ainda sobre o enquadramento: Fernando Bezerra Coelho diz que não houve qualquer conversa sobre alteração da majoritária

Aluisio Moreira/Divulgacao

Aluisio Moreira/Divulgacao

Ainda sobre a nota da coluna Diário Político que trata do enquadramento de Fernando Bezerra Coelho e João Lyra pelo PSB – por conta de eventual movimentação dos dois sacar Paulo Câmata da disputa pelo governo do estado – o ex-ministro informa:

“Não houve qualquer conversa sobre alterações em nossa chapa majoritária, definida em fevereiro deste ano. O desejo de Eduardo Campos será honrado e respeitado. Nosso candidato a governador é Paulo Câmara e agora, na retomada da campanha, vamos trabalhar com garra determinação para garantir a vitória da Frente Popular”.

As informações foram enviadas pela assessoria da campanha de Fernando Bezerra Coelho ao Senado.

Sem Eduardo, PSB-PE enfrenta corrida pelo controle do partido. Desafio é evitar que disputa contamine campanha de Câmara

reproducão tv

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A frase vista no fundo do palco/palanque durante evento que o PSB pernambucano promoveu na última segunda-feira para mobilizar a militância vai exigir um esforço fenomenal para ser convertida em realidade.

Sim, a afirmação “mais unidos do que nunca” não condiz com as divisões que se instalaram na legenda após a morte de Eduardo Campos.

Rapha Oliveira/ESP DP/D.A Press.

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Ainda que a emoção da perda e a obrigação de levar adiante as bandeiras defendidas pelo ex-governador inspirem a retomada da campanha de Paulo Câmara ao governo, o desaparecimento do seu líder-mor fez surgir uma disputa pelo controle do partido.

Nesse momento a “unidade” do PSB está personificada em Renata Campos e sua disposição para “trabalhar por dois”. Internamente, todavia, as diferenças se acentuam.

A escolha do vice de Marina Silva na chapa presidencial tornou-se o objeto mais evidente da discórdia.

O prefeito do Recife, Geraldo Julio, teria resistido com veemência ao nome do deputado federal Beto Albuquerque (RS), contrariando grande parte dos socialistas, que indicaram o gaúcho.

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A ex primeira-dama, que recusou a proposta, seria a preferida de Geraldo. Se emplacasse a indicação, ele demonstraria prestígio, inclusive no plano nacional, e ganharia pontos na escalada para cristalizar seu projeto de líder.

A atitude do prefeito teria desagradado a muitos setores, que, do mesmo modo, tentam segurar as rédeas da sigla.

Agora, além de administrar a crise de acefalia, o PSB se vê diante da missão de impedir que essa corrida paralela interfira na já complicada campanha de Câmara.

Mais um desafio que se soma aos muitos decorrentes da fatalidade que ora obriga PSB a se reinventar sem Eduardo.

(comentário da coluna Diario Político, assinada pelo blogueiro nesta quarta-feira, 20.08).

Sileno diz que João Lyra não foi enquadrado e destaca que governador tem se empenhado na campanha de Paulo Câmara

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

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“Após terem se movimentado para reformular a chapa majoritária em Pernambuco – propondo a retirada da candidatura de Paulo Câmara – o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho e o governador João Lyra foram enquadrados. Não tocaram mais no assunto”.

A nota acima foi publicada nesta quarta-feira (20) na coluna Diario Político, que foi assinada por mim.

O presidente do PSB estadual, Sileno Guedes, diz, entretanto, que o partido não enxerga motivo algum que desabone a conduta do governador João Lyra em relação à campanha e, mais especificamente, à candidatura de Paulo Câmara.

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Ressalta não ver movimento algum de Lyra contra o projeto de Câmara. “Pelo contrário. Ele tem se envolvido com firmeza e dedicação na campanha”, disse.

Sileno frisa ainda que ninguém tem autoridade para enquadrar o governador. “Ele tem tido um papel de grande importância na condução do processo”.

Ok, a coluna apurou que houve sim um enquadramento – reprimenda, reeprensão, seja qual for o nome. Mas, como se vê, Sileno assegura tal fato não ocorreu. Sigamos.

 

Com a escolha do gaúcho Beto Albuquerque para a vice de Marina, PE perde espaço, mas PSB assegura quadro tradicional na chapa

Sávio Gabriel/DP/ D. A Press.

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Depois de um dia de disputas internas, líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), foi escolhido, nesta terça-feira (19/8), no Recife, candidato a vice-presidente da República na chapa do partido.

O nome dele será oficializado, ao lado da ex-senadora Marina Silva, candidata à Presidência, nesta quarta (20), em Brasília.

A mudança ocorre depois da morte de Eduardo Campos há uma semana da em acidente aéreo em Santos (SP).

Com a decisão, a expectativa de ter um pernambucano na chapa não se concretizou. A viúva de Eduardo, Renata Campos, esteve cotada, mas rejeitou.

Ela seria a preferida do prefeito do Recife, Geraldo Julio. O ex-deputado petista Maurício Rands, que atua na elaboração do programa de governo do PSB, também chegou a ser citado.

Sávio Gabriel/DP/ D. A Press.

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Mas, o partido optou por um gaúcho. Beto Albuquerque despontou como favorito na disputa na semana passada, quando o partido decidiu dois critérios para a escolha do nome: ser um quadro tradicional do PSB e ser ligado a Eduardo Campos.

O deputado federal cumpre os dois requisitos. Mas, para se consolidar na disputa, ele precisou superar a resistência da ala pernambucana do partido, que reivindicava um nome do partido para a composição.

Este ano, Albuquerque disputava uma cadeira no Senado pelo Rio Grande do Sul, a pedido de Eduardo Campos, mas aparecia apenas em 3º lugar nas pesquisas.

O PSB já consultou a ex-senadora Marina Silva, que deu aval à escolha. Ela tem bom relacionamento com o deputado.

Ex-secretário de Infraestrutura e Logística do governo Tarso Genro (PT) no Rio Grande do Sul, Albuquerque se elegeu deputado federal pela primeira vez em 1998.

Sávio Gabriel/DP/ D. A Press.

Sávio Gabriel/DP/ D. A Press.

No primeiro mandato, licenciou-se para ser secretário de Transporte do governo Olívio Dutra, no mesmo estado. É advogado e tem 51 anos.

A viúva de Eduardo, Renata Campos, também era cotada para assumir a candidatura a vice.

Mas declinou do convite, alegando que precisa cuidar dos cinco filhos, o mais novo tem sete meses e ainda é amamentado.

A decisão foi tomada na casa de Eduardo na tarde desta terça-feira.

Geraldo acabou dobrado pela maioria. Beto, ao ser entrevistado, reafirmou que o partido espera contar com o apoio de todos e fez questão de dirigir a pergunta ao prefeito: “não é, Geraldo?”.

Com informações do Correio Braziliense / Colaboração do repórter Sávio Gabriel, do Diario.

Julio Lossio explica concurso de redação com tema de frase de Eduardo: “nossas diferenças políticas cessam com sua morte”

facebook/reprodução

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“Era adversário e não inimigo de Eduardo. Na Bíblia, temos uma frase que diz: na morte tudo cessa. Acredito que nossas diferenças administrativas e políticas cessam com sua morte”.

A declaração é do prefeito de Petrolina, Julio Lossio, ao comentar, por email, o concurso de redação lançado nesta terça-feira por ele com o tema “não vamos desistir do Brasil”.

A frase foi proferida pelo ex-governador e presidenciável Eduardo Campos em entrevista concedida por ele ao Jornal Nacional há uma semana, um dia antes do acidente aéreo que vitimou o ex-governador.

“Como prefeito de uma cidade importante achei por bem fazer uma homenagem que seja também uma reflexão acerca da frase que chamou muita atenção de todos. Não vamos desistir do Brasil”, escreveu.

“Além dos aspectos políticos envolvidos, acredito que está frase tem aspecto filosófico que pode despertar o interesse das crianças e jovens acerca dos valores da cidadania do povo brasileiro”, completou.

Humberto diz que Eduardo seria o adversário mais duro num 2º turno e admite que comunicação do governo Dilma é falha

Everson Verdiao/Esp.DP/D.A.Press

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O senador Humberto Costa afirmou nesta segunda-feira que Eduardo Campos seria o adversário mais difícil de ser batido num eventual segundo turno com a presidente Dilma Rousseff (PT).

“Se Eduardo chegasse ele seria mais forte que Aécio. Ele poderia ter votos tanto do PSDB quanto do campo da esquerda representado por nós, afirmou em entrevista ao programa ama Em Foco com Aldo Vilela, na Rádio Globo Recife 720 AM.

O senador avaliou que o desaparecimento de Eduardo não deve provocar mudanças na disputa estadual.

Em Pernambuco, o senador Armando Monteiro (PTB), candidato ao governo de Pernambuco com apoio do PT, lidera as pesquisas de intenção de voto.

Segundo pesquisa Datafolha publicada na última sexta-feira (15), Armando tem 47% e o candidato do governo, Paulo Câmara (PSB) tem 13%.

“Do ponto de vista local, acredito que o quadro não deve mudar significativamente, talvez (seria diferente) se a campanha já tivesse tomado um corpo maior, com a televisão e houvesse a identificação entre o ex-governador e seu candidato Paulo Câmara e Fernando Bezerra Coelho”.

Para ele, como essa vinculação ainda não tinha sido contruída não houve uma mudança tão significativa no pensamento do eleitorado.

Everson Verdiao/Esp.DP/D.A.Press

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E completou afirmando que talvez falte na Frente Popular alguém com a mesma capacidade política (de Eduardo), que tenha capacidade de unificar.

“Há um sentimento muito forte principalmente no interior, torno da candidatura de Armando de João Paulo (do PT, para o Senado).

Já do âmbito nacional, o senador acredita que mudança é um pouco mais significativa.

“Marina pode ser depositária de uma parte expressiva dos votos dos eleitores”.

Nesta segunda-feira foi divulgada pesquisa Datafolha da corrida presidencial e bela Dilma Rousseff (PT) manteve os 36% das intenções de votos para o primeiro turno da eleição.

Marina Silva, que deve substituir Eduardo, aparece com 21% e Aécio Neves (PSDB) manteve a segunda posição com os mesmos 20%.

Nas respostas espontâneas, onde os pesquisados apresentam seu candidato sem que nenhum nome seja proposto, Dilma cresceu dois pontos percentuais, mantendo-se na margem de erro da pesquisa com 24% das intenções.

Nesse cenário, Marina fica com 5% e Aécio mantém-se em segundo com 11%.

Já na simulação do segundo turno, a noviade é a ascensão de Marina Silva: a ex-senadora está na frente com 47% das intenções de voto num possível confronto com Dilma, que tem 43% das intenções.

Para Humberto, a pesquisa foi muito boa para Dilma, porque ela se manteve no mesmo patamar que tinha antes da morte de Eduardo e chegada de Marina no páreo.

“É uma pesquisa ainda muito contaminada por esse momento de comoção nacional. A presidente Dilma praticamente não perde pontos, e se perde, são pontos recuperáveis. Ela teve um crescimento expressivo na avaliação do governo”.

Editora que preparava publicação com “lado B” dos presidenciáveis, lança perfil de Eduardo em separado

reprodução/LeYa

reprodução/LeYa

Além de seguir como cabo eleitoral do PSB, o ex-governador Eduardo Campos inspira o mercado editorial.

A editora LeYa, preparava-se para lançar “O Lado B dos Candidatos”, mas depois do acidente vitimou o presidenciável do PSB, decidiu desmembrar o volume dedicado ao socialista e lançá-lo separadamente.

A justificativa da editora:

“O dia 13 de agosto ficará marcado como um dos mais trágicos da política brasileira. Morreu Eduardo Campos, uma das raras lideranças surgidas nesse cenário tão combalido da nossa política.

A LeYa tinha no prelo “O Lado B dos Candidatos”, dos jornalistas Chico de Gois e Simone Iglesias.

No livro os autores traçam o perfil de cada um dos candidatos, destacando o lado menos conhecido de cada um, sem os costumeiros recursos pirotécnicos dos “marqueteiros” de plantão, sem maquiagens, sem discursos prontos. 

No contexto dessa tragédia, a LeYa amplia e publica, em separado, o perfil de Eduardo Campos.

Fazer qualquer prognóstico sobre o que acontecerá com o processo eleitoral a partir de agora tornou-se uma tarefa muito difícil.  Os fatos nos atropelaram… Mas a história permanece!

As informações chegaram por indicação de leitor do Blog impressionado com a agilidade da editora. Tal rapidez, todavia, coincide com a utilização eleitoral do acontecido por parte do PSB.