A indecisão do senador Sérgio Guerra (PSDB) foi o motivo. Mas nem ele nem algum outro intregrante do bloco oposicionista assume.
Porém, o fato de o tucano ainda não ter afirmado publicamente se disputará a reeleição obrigou a oposição a esperar por mais uma semana: o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) só anunciará se concorre ou não ao governo no dia 7 de maio.
Inicialmente marcada para acontecer amanhã, a oficialização do destino Jarbas depende, pelo que se observou ontem, do rumo que o tucano irá tomar.
Guerra diz que antes de bater o martelo levará em consideração a opinião de amigos e de correligionários do PSDB, partido que preside nos planos nacional e estadual.
Curiosamente, gente muito próxima a ele garante que o líder tucano está decidido a disputar cadeira na Câmara dos Deputados, abrindo mão da corrida ao Senado.
Na conversa que teve ontem com Jarbas para tratar exatamente de qual caminho seguirá em 2010, Guerra não foi afirmativo.
Na visão de deputados federais que acompanhavam a movimentação o encontro “não foi conclusivo”. Ou seja, a condição de ter o tucano na briga pela reeleição, colocada pelo senador do PMDB para aceitar entrar no páreo pelo Executivo, não foi confirmada.
Do seu lado, Guerra assegura que o diálogo não teve clima de cobrança. Aliás, disse que suas conversas com Jarbas são “encontros de amigos” e que, portanto, não têm ‘tom’ algum.
Afirmou ainda que a formatação da chapa continuará em discussão e acrescentou que tirar informações dele sobre o assunto será mais difícil do que achar petróleo em Pernambuco”.
A resistência demonstrada pelo senador tucano em se posicionar é entendida como uma dificuldade de assumir um projeto.
Se decidir por concorrer à reeleição, corre o risco de não renovar o mandato, segundo análises de bastidores formuladas pelos próprios oposicionistas.
Caso opte pela disputa de deputado federal, garantirá um mandato, mas descerá degraus na escalada política.
Hoje, Guerra é presidente nacional do PSDB, sigla que tem o candidato melhor colocado nas pesquisas para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – o ex-gpvernador de São Paulo José Serra.
Diante desse ‘impasse’, o anúncio da decisão de Jarbas está protelado e o ‘drama’ da oposição prossegue.
Há mais de um ano, PMDB, DEM, PSDB e PPS alimentam a esperança de ter Jarbas na cabeça da chapa no confronto com o governador Eduardo Campos (PSB), pré-candidato à reeleição.
O senador, que há tempos declarou não ter motivação para voltar a disputar o cargo – já foi prefeito do Recife e governador por dois mandatos – acabou, porém, dando corda ao projeto oposicionista.
Ao afirmar que não se excluía do processo, deixou no ar a possibilidade de concorrer e tornou-se, pelas circunstâncias, o ‘único’ nome da oposição a fazer frente ao socialista.