A despeito dos inúmeros eventos considerados campanha antecipada – denunciados pela oposição e multados pela Justiça Eleitoral -, o presidente Lula ainda não começou a pedir formalmente votos para sua candidata ao Planalto, Dilma Rousseff.
Isso será só ‘oficializado’ após o início da campanha, em 3 de julho, e massificado no guia eleitoral, entre 17 de agosto e 30 de setembro. No entanto, desde já a candidatura da ex-ministra-chefe da Casa Civil revela um fôlego que surpreende.
O PSDB diz que não, mas nos bastidores do tucanato há perplexidade sim. Se não, por que voltaria com tanta força a pressão para que o ex-governador de Minas Aécio Neves aceite a vice do presidenciável José Serra?
O neto do presidente Tancredo ainda alimenta o sonho de parte da oposição que o vê como nome imprescindível para turbinar o projeto de poder do bloco que agrega PSDB, DEM, PTB, PPS e parte do PMDB.
Sonho, aliás, cada vez mais distante de se converter em realidade uma vez que na semana passada Aécio demonstrou que quer por um ponto final na história ao reiterar que, de fato, concorrerá ao Senado.
O próprio Serra já jogou a toalha. Disse, após a declaração do mineiro, que nada perdeu já que nunca o teve na vice. Pois bem. Sem Aécio, com Dilma subindo nas pesquisas e ainda com a expectativa do que Lula fará para transferir sua ‘mitológica’ popularidade para a petista, Serra entra no mês das convenções (a do PSDB será no dia 12) sem vice a vista.
Entre os tucanos já há quem avalie a situação como complicada demais e atribua ao marketing a missão de reinventar a campanha. No Nordeste especificamente, onde os eleitores indicam que votarão fervorosamente na candidata de Lula, o presidenciável do PSDB precisa urgentemente rever sua estratégia de atuação.
Por aqui Serra tem impressionado pouco e ainda feito declarações não muito felizes. Há 20 dias, elevou Lula à condição de ser supremo. Na última sexta, prometeu ressuscitar a Sudene, órgão que teoricamente era vital ao desenvolvimento da região, mas que servia a interesses de grupos políticos e concentrava poder e riqueza nas mãos de poucos.
Ou seja, tinha uma ação desvirtuada e nociva ao Nordeste. A função de distribuir renda e tentar equilibrar as desigualdades sociais na região é hoje do Bolsa Família, iniciativa que mantém Lula na condição de imbatível por essas bandas.
Na sexta, Serra até chegou a anunciar que garantirá ajuda financeira para que os jovens atendidos pelo programa cheguem ao ensino profissionalizante. Mas a promessa se perdeu diante da exumação da Sudene. Chamem, pois, o marqueteiro!!