
Mantida em fogo brando, a fritura do vice-governador João Lyra não chegou às vias de fato. Ontem, o pedetista foi confirmado na chapa majoritária governista e concorrerá à reeleição ao lado de Eduardo Campos (PSB).
A decisão já tinha sido comunicada a ele pelo governador na sexta-feira. A conversa foi longa e nela Lyra ficou sabendo que seu nome tinha sido ratificado pelos demais partidos da aliança.
Ontem, o vice-governador avaliava que as especulações acerca da sua possível exclusão da chapa foram obra da imprensa.
Isso porque, diz, nem Eduardo nem líder algum da base governista havia deixado escapar um único indício de que a vice teria outro destino.
No PSB, partido que conduz o processo eleitoral nas hostes do governo, a informação é de que não foram cogitados substitutos para Lyra.
Com isso conclui-se que as indisposições observadas dentro da aliança em Caruaru, decorrentes de atitudes do vice na disputa por espaço proporcional, podem até ter ameaçado mas não comprometeram a sua manutenção na majoritária.
Do mesmo modo que não prosperaram os rumores de que o governador teria ficado insatisfeito com o desempenho de Lyra no comando da Secretaria de Saúde. O vice esteve à frente da pasta de junho de 2008 a março último por designação de Eduardo.
E, a despeito das complicações inerentes ao setor – principalmente no que diz respeito a pessoal -, o governo entrou o ano eleitoral com uma agenda positiva, com a entrega de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e de um dos três hospitais metropolitanos prometidos na campanha de 2006.
As inaugurações acabaram fortalecendo o nome do pedetista, embora não faltasse quem visse na prioridade dada pelo governo à Saúde uma resposta a uma possível deficiência da atuação do vice.
Aliás, a tentativa de fritar João Lyra vem desde meados do ano passado quando surgiram rumores de que o PT queria ficar com a vice.
Depois, comentou-se que o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho (PSB), tentaria espaço na majoritária este ano. E, mais uma vez, o pedetista esteve ‘cotado’ para perder a vaga.
Com o anúncio de ontem, o PSB não só pôs fim à dúvida sobre o destino de Lyra como deixou claro que o governador preferiu não mexer num time que esteve ajustado nesses três anos e meio de gestão.
Com a decisão, Eduardo impediu ainda uma provável ‘corrida’ pela vice, o que acarretaria insatisfações na base. Agora, com Lyra confirmado, vê-se que o óleo da fritura a que ele foi submetido nunca esteve lá tão quente assim.