A reação dos deputados pernambucanos à lista partidária fechada nas eleições proporcionais (para deputados federais, estaduais e vereadores), é um termômetro do quão a ressurreição da reforma política é cercada de polêmica.
A tal lista fechada foi aprovada na última terça feira na Comissão Especial de Reforma Política no Senado.
Por ela, o eleitor escolherá o candidato a partir de uma relação formulada pelas direções dos partidos.
As legendas farão uma pré-seleção de quem pode figurar na chapa, utilizando critérios próprios – muitas vezes baseados em interesses não muitos condizentes com a democracia.
Isso sem falar que os que detém mandatos atualmente já largam com vantagem em relação a quadros que tentam conquistar espaço nas casas legislativas.
Hoje, com lista aberta, o eleitor pode optar por nomes que, mesmo desagradando os comandos partidários conseguem se candidatar.
Na Assembleia Legislativa, o deputado Daniel Coelho (PV) abriu o debate disparando contra a medida. Para ele, a novidade tira do eleitor o poder de escolher em quem votar.
O parlamentar chegou a prever uma“grande ditadura dos partidos, perigosa para a democracia”, caso a mudança entre em vigor. As informações são da assessoria do deputado.
“Na prática, no Brasil os partidos têm donos. Até que ponto eles vão influenciar na lista? Vamos dar mais poder a uma pequena burocracia partidária?”, questionou.
“Hoje, já existe uma lista e os eleitores escolhem nela seus candidatos. Com essa nova proposta, está-se tirando o direito de a sociedade escolher em quem votar”, completou.
Pelas conclusões de Coelho, o tema reúne num mesmo pacote aspectos como aluguel de siglas, disputas internas pelo controle dos partidos, capital eleitoral para troca de favores e interesses pessoais. Ou seja, pólvora da melhor qualidade.
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