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Até pouco dias atrás, o senador Humberto Costa dizia que a situação da sucessão do Recife não estava resolvida e que esperava do prefeito João da Costa altruísmo e desprendimento.
Referia-se à falta de unidade da Frente Popular em torno da pré-candidatura do prefeito à reeleição. Considerava que, sem a coesão necessária, João da Costa deveria ter um gesto de grandeza, se retirar da disputa e escolher outro nome.
Os dias estão passando, a unidade da aliança governista inexiste e o prefeito não dá um mínimo sinal do tal “altruísmo”.
Depois de ser “prestigiado” por Dilma Rousseff e ter recebido elogio público da presidente então, João da Costa surfa numa onda cada vez mais positiva.
Se isso vai ter o poder de unificar a frente ou de refletir positivamente em pesquisas de intenção de votos, saberemos mais adiante.
O certo é que ele, que jamais desistiu do jogo, está ganhando respaldo do partido.
Quem quiser esperar por algum desprendimento ou sinal de desistência, que espere sentado. Bem sentado. O prefeito renova o ânimo a cada dia.
E, se não consegue agradar a setores da aliança governista (PDT, PTB, PP), ele dá de ombros.
Com pouca habilidade política, mas com a máquina na mão – inaugurações, vistorias, anúncios de obras – ele segue ali, firme.
Só sairá se for “tirado” da chapa. Acha que tem direito, já disse que não vê ninguém melhor do que ele para a disputa e age acreditando piamente no que diz.
A segurança é tanta que a dúvida que pairava sobre sua candidatura começa a virar uma certeza dentro da aliança. Já há quem diga que surpresa existirá se ele não for o candidato.
Claro que a decisão não depende só do prefeito – a direção do partido, o ex-presidente Lula e o governador Eduardo Campos formarão a “corte” que dará o veredito sobre as pretensões do prefeito.
E devem pesar contra ele os muitos erros cometidos à frente da Prefeitura do Recife. Erros de natureza administrativa e de ordem política (é motivo de racha no partido).
Em suma, João da Costa colherá agora o que plantou – ou deixará de colher justamente por não ter plantado.
Nessa história toda é relevante considerar que a postura ágil, extrovertida, de gestor que quer acertar, pode ser entendida como conduta de ocasião.
Em outras palavras, pode ser efeito da proximidade da eleição. Uma tática comum a quem busca um novo mandato.
O eleitor, cansado de gestões emperradas e de embates partidários que nada produzem de bom, precisa avaliar bem o que virá por aí até o dia de ir às urnas.