O PSB conhecia, até o início desta campanha, muito pouco do incômodo que uma oposição pode causar.
O governo de Eduardo Campos, cuja aprovação é imensa, assim como a base na Assembleia Legislativa, enfrentou raros revéses.
Um dos poucos espisódios a fustigá-lo foi a série de denúncias de irregularidades na contratação de empresas para a realização de eventos artísticos por parte da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
As acusações apontaram o desvio de mais de R$ 57 milhões e geraram processos de investigação no tribunal de contas do estado e na esfera nacional (havia dinheiro do Ministério do Turismo).
Pois agora, além de federalizada, a campanha para prefeito do Recife se “estadualizou” e o PSB começa a sentir efeitos da oposição que parte do PT.
O partido, que disputa o Executivo da capital com os socialistas, vem esquentando o discurso e o governo Eduardo Campos já está no alvo.
Numa denúncia apresentada nesta quarta-feira à 5ª Zona Eleitoral, o PT pede a impugnação do candidato a prefeito do PSB, Geraldo Julio, argumentando que o governo estadual tem “casado” a publicidade institucional com a propaganda eleitoral do prefeiturável.
O governador vem aparecendo diuturnamente na campanha de TV e rádio de Geraldo. Avaliza o candidato que, afinal, é apresentado como o homem que fez de um tudo e algo mais no governo de Pernambuco.
O PT decidiu comprar a briga por entender que o governo associa de propósito os comerciais – especificamente o que trata de saúde – para beneficiar o candidato socialista.
Nunca é demais lembrar que PT e PSB estão juntos na Prefeitura do Recife. O prefeito é o petista João da Costa e o vice, o socialista Milton Coelho.
Ainda assim, dividindo a mesma gestão, disputam o poder na cidade. E, neste processo, renegam, em intensidades diferentes, a administração que comandam.
Na luta para manter a hegemonia na cidade, o PT, que tirou João da Costa do páreo, age como se escondesse o atual governo.
O PSB não ataca de modo direto, mas, quando diz que a capital está estagnada, que não anda no ritmo de Pernambuco, e que, por isso, é preciso “um novo prefeito para um novo Recife”, atinge frontalmente o governo João da Costa e o modo petista de governar.
A cada dia o Blog volta ao assunto “enfrentamento entre PT e PSB”. É inevitável: o embate vem pondo fogo na campanha do Recife e rouba os holofotes.
A priorização para o debate dos problemas da cidade, como tanto prega o PSB, não se dá de modo efetivo.
Isso porque os petistas tocam em pontos fracos dos socialistas – espalham que o ex-presidente Lula está aborrecido com Eduardo – e estes reagem. Na defesa e no ataque.
E a peleja está apenas na fase inicial. O ringue está armado e os combatentes já ocupam seus postos. O PSB até tenta acreditar que os rounds com o PT serão pontuais. Apenas durante a campanha.
Mas o acirramento de ânimos que se vê nos concorrentes nos faz pensar que nem tão cedo as luvas serão penduradas.