O PT estadual começa a se movimentar para avaliar junto à população do Recife o impacto da reformulação da gestão do prefeito João da Costa.
Entre maio e junho inicia uma série de três pesquisas para verificar se as mudanças surtiram o efeito esperado pelo gestor e pelo comando do partido. É o que informa o Diario desta terça.
O PT quer saber se João da Costa terá fôlego para encarar a candidatura à reeleição em 2012. Não quer apostar num projeto que pode enfrentar dificuldades e por em risco a manutenção da hegemonia de dez anos no Executivo do Recife.
Nos dois primeiros anos de gestão, o prefeito conviveu com complicações de naturezas pessoal e político-partidária.
Após submeter-se a uma cirurgia de transplante renal, no ano passado, voltou à prefeitura em janeiro dizendo estar de gás renovado.
Rearrumou o secretariado, tirou de cargos estratégicos quadros ligados ao ex-prefeito e atual deputado federal João Paulo e ajustou o discurso aos ´novos tempos`. Disse que o seu governo entrava em nova fase.
O PT garantiu apoio a João da Costa. Algumas lideranças chegaram a afirmar que era ele o candidato do partido à reeleição.
Ao longo desse mês, inclusive, o prefeito aparece em inserções de TV do partido. Agora, porém, os petistas querem conferir se ele está agradando e já confessam agosto é o ´limite`.
Se até lá a popularidade do gestor não entrar em curva ascendente, outros nomes do partido podem entrar em cena para a disputa de 2012. Um deles é João Paulo.
Acontece que o PT não colocou agosto como limite por acaso. Em 30 de setembro acaba o prazo para que interessados em disputar as eleições no próximo ano mudem de legenda – só pode concorrer por um determinado partido quem esteja filiado há pelo menos um ano nesse mesmo partido. E, João Paulo, rompido com o prefeito e com pouco espaço no PT seria um ´desertor` em potencial.
Portanto, a estratégia da legenda petista é ter o quanto antes um ´veredito` sobre as possibilidades do prefeito para, se for o caso, ´segurar` João Paulo. Em suma: se João da Costa não aparecer bem nas pesquisas, odeputado pode voltar a ser o cabeça da chapa do partido na disputa pela prefeitura. O partido reconhece que a situação é complicada e destaca que a vinda do ex-presidente Lula ao estado no final do mês terá também a sucessão municipal como pauta. ´Lula vai interferir`, diz um petista em reserva.