Presente de grego Dilma Rousseff (PT) já recebeu muitos desde que foi eleita presidente da República, a começar pelos ministros que teve de acomodar em sua equipe a pedido do ex-presidente Lula, alguns dos quais já foram demitidos do governo sob a acusação de atos de corrupção.
Mas é justo que ela não queira receber mais um, diante da pressão dos governadores aliados para mais recursos para a saúde e cuja solução estaria na regulamentação da emenda 29, que fixa percentuais mínimos para investimentos no setor.
E antes que a emenda seja aprovada, Dilma, que já havia estrilado sobre o assunto na reunião do Conselho Político em Brasília na segunda-feira, avisou numa entrevista em Caruaru que não quer uma batata quente em suas mãos: “É preciso definir a origem de novos recursos para a saúde”.
Tudo bem, mas isso não é um problema do outro mundo. Num país como o Brasil que, de uma hora para outra, descobre fórmulas engenhosas para financiar os bilhões e bilhões que vão ser gastos nas obras da Copa de 2014 pode-se muito bem encontrar novos financiamentos para a saúde.
É só uma questão de vontade de se privilegiar de fato o setor e de se ter coragem para fazer uma devassa para ver onde e como são usados os recursos disponíveis para a área. É o que comenta nesta quarta-feira Marisa Gibson na coluna Diario Político.
A preocupação da presidente Dilma é em função da crise internacional que não permite vacilos na área econômico-financeira. A pressão dos governadores é porque o problema bate com força nas redes dos hospitais estaduais.
O lucro fica com os hospitais privados e o prejuízo com a população que continua esperando horas para marcar consultas, horas para ser atendida por médicos apressados e, às vezes, nem isso. Morre antes.