Análise redonda e aprofundada sobre o imbróglio do PT e a situação de João Paulo diante da decisão tomada, nesta segunda-feira, de apoiar Maurício Rands – por Marisa Gibson.
A conversa com o governador Eduardo Campos (PSB) ontem no café da manhã foi tão decisiva que o deputado federal João Paulo (PT) optou por antecipar o anúncio de sua adesão à pré-candidatura de Maurício Rands a prefeito do Recife.
E, se alguém ainda tinha alguma dúvida que Rands é um projeto que passa pelo Palácio das Princesas, não tem mais.
Ressalte-se também que ala do PT que correu atrás de João Paulo para convencê-lo a apoiar a Rands o quanto antes para contrabalançar o aparente favoritismo de prefeito João da Costa na prévia do partido, é a mesma que fechou as portas para que ele não disputasse o governo do estado em 2006 e o Senado em 2010.
Agora nesta adesão, João Paulo tem mais a perder. É público e notório que ele é o nome do PT com maior densidade eleitoral no Recife, embora com pouca influência nas diversas tendências do partido.
Mas, se o apoio do deputado pode ser decisivo na prévia, por que Rands foi o escolhido e não ele que tem votos? Após oito anos à frente da prefeitura, João Paulo não soube transformar sua densidade eleitoral em poder político e vem sendo sistematicamente passado para trás.
Além disso, a força que tinha em nível municipal foi dissolvida a partir do rompimento com o prefeito João da Costa, que já deixou evidente ter o comando da base petista recifense, alimentada e cevada pelo poder da máquina municipal.
A neutralidade é sempre uma postura cômoda (basta lembrar Marina Silva nas eleições presidenciais de 2010), porém em determinados momentos é a única solução para quem não tem nada a ganhar ao escolher entre dois polos antagônicos.
Enfim, João Paulo é um personagem incômodo ao PT pernambucano – só é lembrado quando é para votar e nunca para ser votado.
Não tendo condições de concorrer à prévia, poderia ter optado pela neutralidade. Mas, para vingar-se do seu ex-afilhado João da Costa, capitulou perante o senador Humberto Costa, seu mais antigo adversário dentro do PT, e apoiou o projeto Rands para não desagradar Eduardo.
Foto: Ricardo Fernandes – Diario

Parabéns Rands.
Parabéns João Paulo.
Mas se ele, João Paulo aderiu assim tão rapidamente à Rands, a leitura que se pode fazer é a seguinte. 1) Com isso deu um chega para lá em Joaõda Costa. 2) Alguma coisa Eduardo Campos prometeu à ele. 3) Se tiver juizo João Paulo deve migrar para o PSB. 4) Quais os motivos ocultos que fazem ele, permancer em um Partido que o massacra dessa forma?