Empreiteira Delta é o “presente de grego” da vez

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Delta é a quarta letra do alfabeto grego. Na matemática, é utilizada como uma variável para indicar uma diferença no valor dessa variável. Na geografia, serve para designar foz de rios.

No Brasil, porém, virou sinônimo da relação promíscua entre o poder público e a iniciativa privada. A empreiteira presta há anos serviços de engenharia a diversos setores do governo federal e está também inserida em governos estaduais.

Agora, está sob a lupa da da Polícia Federal por suposto envolvimento com Carlinhos Cachoeira. Com isso será um dos focos de apuração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações do contraventor com agentes públicos e privados.

Nessas relações, ficou se sabendo que o antes “paladino da ética”, o senador goiano Demóstenes Torres (ex-DEM e agora sem partido) é o braço de  Cachoeira dentro do governo federal. O esquema envolve troca de favores, negociação de cargos públicos e financiamento de campanha.

Com este currículo, a empresa acabou se constituindo num presente de grego para os eleitores-contribuintes. O dinheiro que sai do bolso do cidadão segue alimentando uma rede de privilégios em que políticos e empresários “bem espertos” se dão bem.

O pior é que, além de recursos desviados, o país pena com a má prestação de serviços (veja aqui). A Delta é, pois, o cavalo de troia da vez.

E o mais desesperador é saber que, abatido este equino, outro se infiltrará dentro de pouco tempo no Planalto.

Leia mais sobre Cachoeira, Delta e CPI no link abaixo:

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria.

O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira. (do Terra e da Agência Câmara).

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