Desde domingo, quando venceu as prévias mas não levou, o prefeito João da Costa apareceu como o grande derrotado nesse processo.
Diante do peso dos adversários do seu próprio partido – senador Humberto Costa, deputado João Paulo – o desfecho parecia caminhar para o prejuizo máximo: ver o resultado ser anulado e o oponente, Maurício Rands, lançado candidato a prefeito.
Isso tudo permeado pela acusação de fraudar e induzir a Justiça ao erro na polêmica das listas de filiados aptos ou inaptos a votar. Ou seja, corria o risco de ficar com a marca de “fora da lei” e até mesmo de ser processado pela comissão de ética do partido.
Por outro lado, o grupo de Rands vinha demonstrando otimismo extremo nos últimos dias. Acreditava piamente que a direção nacional, que tomou para si a decisão sobre a validade da prévia, iria anular a votação e, quem sabe, apontar o prefeito como culpado.
Enfim, devia estar esperando que a candidatura a prefeito caísse no colo do secretário estadual de Governo ou que fosse indicado um terceiro nome – o senador Humberto Costa foi lembrado.
Mas, nem tanto ao céu nem tanto a terra. A decisão do diretório nacional foi por uma nova prévia. Dia 3 de junho. Desta vez, sob o comando exclusivo dela, a direção nacional. A solução pode ter agradado e desagrado ao mesmo tempo aos dois lados.
O prefeito, claro, segue se sentindo injustiçado. Afinal, ganhou no voto no domingo. Quase 600 de diferença.
Mas, não se pode deixar de reconhecer que, ao ter se livrado do processo de ordem ética – o que reforçaria a tese de que cometera uma contravenção – ele saiu com alguma vantagem.
Do outro lado, Rands viu suas acusações surtirem efeito. Porém, a anulação da prévia apenas pode ter sido pouco para quem afirmou que João da Costa, pelo que cometeu, não tinha condição de ser candidato no Recife e nem mesmo de permanecer no partido.
Há que se destacar que no meio disso tudo falta explicar onde foram parar as acusações, os dossiês e as provas que apontaram a existência de mais de 1,2 mil filiados irregulares – o que não só ensejaria a anulação, mas a propagada punição ao prefeito.
O que aconteceu? João da Costa apresentou argumentos que fez o PT nacional recuar? Teria ele alguma carta na manga capaz de fazer o partido o engolir? Ou ainda: foram observadas irregularidades nas campanhas em ambos os lados e, por isso, se decidiu que era melhor fazer vista grossa?
Bom, com questões em aberto e ambos os candidatos satisfeitos “pela metade” o PT dá prosseguimento ao seu embate. Esticará ainda mais uma corda já esgarçada e, certamente, aprofundará a crise que já lhe corroi há meses no Recife.
Continuará num front que há tempos irrita os recifenses. Estes, permanecerão assistindo o PT priorizar a briga interna em detrimento da gestão e da busca por soluções para as intermináveis demandas da cidade.
A sigla também seguirá acarretando dificuldades – já amplamente elencadas – para a Frente Popular, a aliança partidária presidida pelo governador Eduardo Campos (PSB).
Bom, mas para além dos dissabores que a nova prévia trará, surgem observações sensacionais sobre o próximo confronto. Nas redes sociais, houve quem associasse a decisão aos acertos de marcha para os festejos de momo. Com tanta prévia, o PT estaria se preparando para um carnaval fora de época, comentou um.
Outra lembrou que o processo mais parece um teste de resistência, no qual quem morrer primeiro, perde. Houve ainda quem sugerisse que João da Costa e Rands disputasse uma corrida de carro, com largada em Santo Amaro, chegada na Pça de Boa Viagem tendo, no caminho, uma manifestação de moradores do Pina.


Partidos quase esquizofrênicos
Nunca houve unidade em partidos.
São grupos de interesses comuns.
A ambição é da mente.
Que sempre quer mais.
São sete bilhões de mundos.
São sete bilhões de egos
A mente é partida.
A mente é privada.
Feita de pensamentos.
Os pensamentos de imagens.
A imagens formam conceitos.
Os conceitos formam os grupos de interesses.
Isto forma os partidos.
No inteiro não há partido.
Evandro Araújo