PSB e PT no divã: Eduardo e Dilma se encontram hoje

...

Bastou surgir a informação de que o prefeito João da Costa foi chamado por Lula, o governador Eduardo Campos (PSB) tratou de anunciar agenda com a presidente Dilma Rousseff.

Prova de que, se no plano local PT e PSB vivem fase de “ex-my love”, em nível nacional os socialistas querem enfatizar que “tudo está igual como era antes”. Hasta cuando?

A nota acima está na coluna Diario Político deste domingo. Pois nesta segunda-feira o Diario traz matéria informando que é hoje o dia do encontro entre Eduardo e Dilma.

Um dia depois, aliás, da entrevista em que o governador diz que o PT cria mais problema para a presidente do que o PSB e informa que estará no palanque da reeleição de Dilma em 2014. A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo .

O texto Diario, assinado pela editora-assistente de Política Andrea Pinheiro, informa que a presidente convidou o governador para uma conversa, cuja pauta deve incluir as eleições municipais e as diferenças entre PT e PSB.

A entrevista e a matéria podem ser lidas no link abaixo. Foto de Ricardo Fernandes (Diario).

Texto do Diario de PE:

Eduardo vai hoje ao encontro de Dilma

A relação entre PSB e PT será o assunto principal de um encontro da presidente Dilma Rousseff com o governador Eduardo Campos, presidente nacional socialista, na noite de hoje em Brasília.

Previsto para ser confirmado nesta manhã, o encontro, oficialmente, tem caráter administrativo, mas Eduardo aproveitará a ocasião para deixar claro o posicionamento do PSB nestas eleições municipais e reafirmar o apoio do partido ao governo federal.

Socialistas e petistas disputam o comando de prefeituras em várias capitais, como Recife, Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG), e isso azedou o clima entre eles nos últimos dias.

Dilma Rousseff se envolveu diretamente nas articulações para arregimentar o PMDB para a coligação do candidato Patrus Ananias na capital mineira.

O PT rompeu com o PSB e decidiu lançar candidatura própria ao invés de apoiar a reeleição do prefeito Márcio Lacerda, também aliado do PSDB.

A participação da presidente deixou claro que ela entrará na campanha nas cidades onde a disputa estiver mais acirrada, apesar de a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ter afirmado, em entrevista, que Dilma Rousseff não se envolveria na corrida eleitoral. O Recife estará no roteiro da presidente, segundo expectativa de lideranças petistas.

Para evitar que o desgaste entre PT e PSB ganhe contornos mais sérios, Eduardo voltará a garantir à Dilma que não pretende liderar um projeto nacional em oposição a ela ou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirá que o PSB, apesar de buscar crescimento na disputa municipal e de enfrentar o PT em algumas cidades, é um aliado fiel e não tem interesse em romper a aliança. O governador vai frisar que as candidaturas socialistas são posicionamentos locais, que não devem interferir na convivência das duas legendas. Para os socialistas, a movimentação do partido incomodou setores do PT, especialmente os liderados pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Esse grupo, segundo interlocutores de Eduardo, tem o propósito de transformar o PSB em inimigo como forma de reduzir a base da presidente e deixá-la “mais dependente”. “Esse é o grupo dos ‘despejados’, que pensa apenas em acordos em estatais ou em cargos públicos”, frisou uma fonte do Palácio do Campo das Princesas em reserva. O governador não deixará de ressaltar que o PSB será decisivo em 2014. A legenda comanda cinco estados, tem 35 deputados federais (em bloco com o PSD, o PCdoB e o PTB, que têm 48, 12 e 21 parlamentares respectivamente) e quatro senadores. “Ninguém é inocente ao ponto de achar que o partido não será peça decisiva em 2014”, disse a  mesma fonte.

Será o segundo encontro da presidente e do governador no último mês. Os dois estiveram juntos em 15 de junho, no Palácio da Alvorada, véspera do encontro de governadores no Palácio do Planalto para tratar de investimento nos estados. O jantar aconteceu na semana em que o PSB apresentou as candidaturas no Recife e em Fortaleza (CE). Eduardo atuou para manter aberto o diálogo com a presidente. Hoje fará o mesmo.

Entrevista à Folha de São Paulo:

‘O PT cria mais problema para Dilma do que o PSB’

Governador Eduardo Campos acusa petistas de fazer “guerra por espaço”Presidente do PSB diz que partido deve apoiar reeleição de Dilma em 2014 apesar de atritos com tradicional aliado

NATUZA NERY
ENVIADA ESPECIAL A RECIFE

Da Folha de S. Paulo

Visto por setores do PT como virtual candidato à Presidência em 2014, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, afirma que o partido da presidente Dilma Rousseff a atrapalha mais do que o PSB.

Campos diz, contudo, que apoiará a eventual campanha de reeleição de Dilma, insinuando que seu projeto de poder é para 2018.

Nas últimas semanas, PSB e PT romperam em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte.

Folha – Que crise é essa do PSB com o PT?

Eduardo Campos – Não damos dificuldades para o governo Dilma. Significa que nosso partido vai ser satélite do PT? Não é da nossa história, nem da nossa política.

É essa a raiz da discórdia, não querer ser satélite do PT?

O que tem Fortaleza a ver com Belo Horizonte? São Paulo a ver com Recife? O PSB agora virar inimigo oculto do PT chega a ser ridículo. Ser colocado como inimigo número um e a gente ver históricos adversários virarem amigos de sempre. Está errado.

O senhor está falando de Paulo Maluf [que se aliou ao PT em São Paulo]?

Estou falando de muitos outros, não só do Maluf. Você vê em Curitiba: Gustavo Fruet [ex-tucano e ex-deputado de oposição] virar o melhor amigo do PT, e o PSB virar o inimigo? Nós não vamos fazer o jogo de alguns, que querem afastar de Dilma aqueles que têm mais identidade com o governo dela.

O sr. está falando do ex-ministro José Dirceu?

De todos. Se estiver nisso, falo dele também. A história que nos trouxe até aqui não deve colocar dúvida na cabeça do presidente Lula, nem na minha, nem na da presidente Dilma sobre a qualidade da relação que temos.

Mas chegou perto, né? Ele chegou a ter essa dúvida…

Vamos ter que ter paciência para esperar a história daqui pra frente. Quem viver 2014, verá. Porque eu já vi muita gente ser subserviente, agradável, solidária em meio de mandato e, quando bate a primeira crise, muda imediatamente de lado. Como nunca mudamos de lado, eu sei onde vou estar em 2014.

Onde?

Do lado que sempre estive. Acho que o PSB deve em 2014 apoiar Dilma para se reeleger presidente.

O sr. não será candidato…

E quem disse que eu seria?

Seus correligionários…

Toda vez que fui candidato, eu disse que era candidato. Ser candidato contra Dilma só porque eu quero ser? Ela está na Presidência e tem a prerrogativa da reeleição. Para a reeleição de Dilma, o problema não somos nós.

Qual é o problema?

O próprio partido dela [o PT] cria mais problema para ela do que o PSB. No sentido que vocês noticiam e no sentido de tentar tirar de perto dela quem pode ajudá-la.

Se a economia erodir a popularidade da Dilma e Lula não for candidato, o sr. sai para a Presidência?

Não trabalho com essa hipótese. Temos debates muito mais importantes do que [debater] quem será prefeito dessa ou daquela cidade.

O que está em jogo é o ciclo de expansão econômica com inclusão social. O consumo ainda pode dar algum resultado, mas chegou a hora de fazermos um grande esforço para alavancar investimentos públicos e privados. Essa que é a pauta brasileira, não essa futrica.

O PSB está avançando nos Estados, no Congresso. Vocês pedirão a vice do PT em 2014?

Nunca fizemos isso. Agora mesmo, em São Paulo, o PT escolheu a [deputada Luiza] Erundina [do PSB, para vice do petista Fernando Haddad]. Lula buscou um quadro da minha geração, o Haddad. Se fôssemos o inimigo número um do PT, não teríamos sido os primeiros a apoiá-lo. Colocamos a vice que o PT entendia que era a que mais ajudava, a Erundina.

Ela não ajudou muito…

Quando ela saiu, liberamos Haddad para escolher o nome que quisesse. Foi isso que fizemos com largueza de coração.

Com tanta frustração, o que o segura ao lado do PT?

Não vou sair desse itinerário. Temos uma frente política construída há muitos anos, que ajudou o Brasil a melhorar. Claro que minha relação com o presidente Lula, que eu conheci ainda menino, a ajuda que ele me deu e a meu Estado eu prezo muito.

O PT diz que o senhor é uma espécie de monstro criado por Lula, que o ajudou muito com recursos.

Pago preço do ciúme que muitos têm. Mas Lula sabe também que conta conosco. Em 1989, [o avô de Campos, Miguel] Arraes era governador de Pernambuco, tendo voltado de 16 anos do exílio, e o PT gritava na porta do palácio: “Arraes, caduco, Pinochet de Pernambuco”. Mas isso não impediu meu avô de abraçar a primeira eleição de Lula, porque nós não fazemos política tendo como referência a guerra de espaço, de aparelhar, de ter uma garrafa a mais [no governo]. Nossa referência na política é o interesse do povo e do país.

O PT aparelha?

Não. Estou dizendo que somos diferentes, formas diferentes de pensar, ver o mundo. Você não pode imaginar que o Brasil deste tamanho vai ter um partido único, que vai ser dono da verdade, dono do poder, dos 5.000 municípios, dos 27 Estados, do Brasil, por um século. Você não pode imaginar que esse seja o projeto do povo brasileiro. É bom que tenha alternância de poder. É importante ter a perspectiva do contraditório.

Em 2014 serão 12 anos de PT no poder. É muito?

Acho que dá para ter 16. Eu só, não. A sociedade também está achando. Como o PSDB está em São Paulo há 16 anos.

E está bom 16 anos de PSDB em São Paulo?

O povo achou que sim.

Dá para ter 20 anos de PT?

Vinte? Há um ciclo que vai se abrir no Brasil depois de 2014. É um ciclo até geracional, tanto na oposição quanto no campo do governo. Agora, atropelar isso em nome de projeto pessoal não é uma coisa correta. Dilma está presidente da República sem nunca ter pedido para ser candidata.

A base aliada reclama de Dilma. O senhor faz algum reparo ao estilo dela?

Ela tem a base muito ampla. Acho que não há dificuldade insuperável. Vamos ajudá-la a proteger o Brasil da crise. Não podemos permitir que joguem a presidente nesse debate da eleição municipal.

Mas ela entrou na articulação de Belo Horizonte.

Em BH eu compreendo, da mesma forma que ela compreende minha articulação aqui em Recife. Precisamos dar força a ela para o governo ganhar [na economia] o ano de 2012. Dilma não tem por que jogar carga ao mar.

É um pedido para ela não ajudar Humberto Costa [candidato petista de Recife]?

Não. Tem coisas que não se pede, eu sei que ela é justa.

Se 2014 é o ano da Dilma, e 2018 será um novo ciclo, não há mais espaço para o Lula?

Lula sempre terá espaço. Agora, o que eu tenho ouvido dele é que o seu grande objetivo é ajudar Dilma a se reeleger.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>