Geraldo Julio, candidato do PSB à Prefeitura do Recife, não perde a oportunidade de ressaltar os seus feitos como secretário da gestão do governador Eduardo Campos.
Ao responder perguntas sobre seu programa de governo ou soluções para os problemas do Recife ele responde fazendo uma conexão automática a projetos que comandou nas pastas de Planejamento e Desenvolvimento Econômico.
Foi assim na tarde desta segunda-feira, durante entrevista à Rádio Clube AM.
Ao que parece, o socialista deve estar seguindo alguma orientação do marketing da campanha.
Estreante em disputas eleitorais, é nome desconhecido e por isso mesmo é preciso que se apresente como um gestor qualificado.
E nada como ter no cartão de visita a execução de iniciativas que marcam a gestão de Eduardo.
Ele cita, por exemplo, a viabilização da vinda da fábrica da Fiat, o comando do Pacto Pela Vida (queda dos índices de violência), a construção dos equipamentos que darão novo sentido ao Porto do Recife (central de artesanato, museu Luiz Gonzaga), os três hospitais na Região Metropolitana, as 14 Unidades de Pronto Atendimento, etc, etc…
A postura, como já dito, é plenamente justificável. Até mesmo porque o próprio governador atribui a Geraldo a gerência da sua gestão. O problema é que de tanto repetir a extensa lista de obras o candidato não dá a ênfase necessária às ideias que tem para o Recife.
E, ao associar as linhas gerais do seu programa de governo às ações da administração estadual – com declarações feitas em ritmo acelerado – peca pela falta de objetividade.
Óbvio que se entende a importância de se incensar o currículo de quem é calouro numa disputa do porte da sucessão no Recife. Mas tamanha repetição do mesmo raciocínio tem tudo para provocar cansaço em quem ouve.
O governador quer transformar o Recife em uma Secretaria de Estado colocando um técnico na prefeitura que, sem nenhuma experiência política, vai ter que consultá-lo todo dia. Prefeitura é um cargo político.Até que gosto do currículo do candidato e ele poder ser um bom secretário. Não prefeito.
O Rolando Lero (Picolé de Chuchu, para os íntimos) com êsse charme todo
que êle tem, vai convencer muito o Povão…. Com essa conversa de que “meu
chefinho fez, meu chefinho disse, meu chefinho vai fazer…” não vai muito
longe —- Ainda nem começou e já CANSOU!
Infelizmente o PT não soube conter a ganância pelo poder, quando afastou seu Prefeito da reeleição, deixando o candidato do governador ocupar o espaço, que a militância tanto lutou para conseguir.
Não conheço o Geraldo pessoalmente, mas conheço um pouco de política e administração pública (modéstia à parte) e, lendo a preocupação dos que comentaram acima, notadamente o comentário do Ferraz, me faço as seguintes perguntas:
a) sempre ouvi, em todo canto, pessoas falarem que, para dar certo, teríamos que substituir todos os velhos políticos por pessoas sem os vícios tão conhecidos e, agora, me espanta essa aversão ao candidato que se preocupou em aprender a gerir o estado enquanto outros aprendiam a ganhar votos;
b) também parecia-me que os meus amigos eram unânimes em combater a nomeação de apadrinhados em detrimento dos técnicos de carreira no Estado. Ora, no currículo de Geraldo conta a nomeação mediante concurso no Tribunal de Contas do Estado (órgão que, embora de resultados questionáveis, conta, indubitavelmente, com os melhores quadros técnicos do Estado), além de passagens pela Prefeitura de Petrolina, duas Secretarias de Estado (em um Governo aprovado pela sociedade) e a presidência da maior empresa estatal e mesmo assim, vem sofrendo a desconfiança dos que o consideram um neófito;
c) o Ferraz alega a intenção do Governador de transformar o Recife em uma Secretaria de Estado (essa me fez pensar mais ainda). O Governador fez dois senadores, que jamais seriam eleitos com as próprias pernas, e fará prefeitos por todo o Estado (algumas cidades chegam a ter dois candidatos do Governo se batendo). Qual é o problema de que haja um alinhamento entre as diretrizes estaduais e municipais?
Finalmente, para deixar registrado, a caminhada de Geraldo Júlio até aqui não me parece ter nenhuma relação com o que correu João da Costa e Dilma antes de se fazerem chefes do executivo. João da Costa pautou sua carreira na militância petista e se elegeu deputado antes de ser candidato a Prefeito (embora não possa se vangloriar de experiências administrativas) e Dilma fez sua entrada na política na guerrilha defendendo ideais que, na época, ela sequer sabia como operacionalizar.
Além de tudo, não vejo saída. Nossa oposição não existe, o PT não se entende e lançou uma chapa “puro sangue” com prefeito e vice que são reconhecidos adversários internos do PT (é mais um engodo sem proposta além da intenção de manter a capital) e, ainda que vençam a eleição, Humberto seria mais um secretário de Eduardo do que qualquer outra coisa (é só lembrar que ele foi sec de cidades, que se fez senador com o apoio de Eduardo e que, assumindo a prefeitura, cederá espaço ao Joaquim Francisco (PSB) no Senado.
Quando a pessoa quer justificar o injustificável explica e se enrola. Olha o tamanho da resposta de Hebert. É o seguinte meu amigo. Para ser prefeito não se faz concurso público. Por isso, não dá para arriscar e botar um trololó…
Sinceramente..