História e paisagens do Recife roubadas pela “modernidade” espelhada e a cegueira do poder público

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Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José – foto: facebook/reprodução

A preservação da história de um centro urbano passa pela manutenção de edificações, paisagens e peculiaridades que documentam o passado e dão fisionomia à localidade.

Infelizmente, a cara do Recife, cidade nascida sobre ilhas, braços de rios e canais cortados por pontes, tem desaparecido aos poucos.

Áreas que reuniam cenários naturais e construções antigas de valor arquitetônico inquestionável vem sumindo gradativamente.

Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo. Foto: Facebook/reprodução

Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo. Foto: Facebook/reprodução

Impossível reconhecer o Cabanga olhado a partir de São José e do Recife Antigo, por exemplo.

O shopping Rio Mar e empresarias substituíram um trecho grande do estuário que compõe a Bacia do Pina – um dos últimos indícios de que vivemos sobre o mangue.

Do mesmo modo, é estranho olhar para o centro a partir das pontes que ligam Cabanga e Pina.

O casario secular e igrejas históricas são engolidos pelas “torres gêmeas” levantadas no cais vizinho à antiga ponte giratória.

O cenário vai ficar ainda mais estranho com o tal do projeto do Novo Recife entre o Cais José Estelita e a Av Sul.

Nada contra a ocupação de zonas esquecidas que devem e merecem ser revitalizadas, abrigando gente, comércio e “povoando” a cidade.

Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Mas, tudo contra a especulação imobiliária que toma mangues, viola paisagens e faz brotar espigões de concreto onde a história da cidade é contada (por que não limitar o número de pisos?).

A falta de limites na altura dos edifícios, associada à cultura do exclusivismo (prédios e condomínios fechados em si, erguidos como se estivessem em territórios independentes da urbe), rouba a feição e a alma da cidade.

As fotos do post atestam um pouco do escrito aqui. As duas primeiras, postadas na página de uma amigo, me estimulara a escrever este post.

O tema pode não estar na ordem do dia, mas segue carente de debate e de atitude (e comprometimento com a história) por parte do poder público.

É triste ver a cidade perder DNA diariamente e ser convertida em mais uma entre tantas, com prédios espelhados – tidos como atestado de luxo e “desenvolvimento” – e  desconectados com a realidade cirdudante.

6 thoughts on “História e paisagens do Recife roubadas pela “modernidade” espelhada e a cegueira do poder público

  1. Pois é… nos roubam a paisagem em nome de uma “mudernidadhy” pra lá de atrasada, difícil escutar todo o tempo de gente que se diz esclarecida e que já viajou mundo afora “mas vai crescer como” mas não consegue captar bons exemplos de cidade e que tem a mente no caixote que só enxerga o mundo na caixa fechada de espelhos a 100m de altura.
    E é bom investigar os EIV’s (estudos de impactos de vizinhança) e os EIA’s (estudos de impactos ambientais) desses empreendimentos

  2. engraçado, o blogueiro mora onde?
    deve morar em BV ou em outro bairro nobre da cidade. Recife tem que se desenvolver e ficar uma cidade bonita. è muito fácil para esses intelectuais com suas roupas de grifes quererem que a cidade fique feia, enquanto eles moram na parte bonita da cidade.

  3. Enquanto os caranguejos do Recife; aliás, os xiés, não querem desenvolvimento. Só existem duas opções, ou eles vão morar no meio da caatinga ou os empresários, principalmente os da construção civil que atuam no Recife, se mancam de vez e vão investir em cidades nordestinas que não têm pseudos-intelectuais, como é o caso de Salvador e Fortaleza.

  4. Parabens pelo texto. Infelizmente, muitos recifenses ainda acreditam que “progresso” é construir mais prédios altos, abrir viadutos, alargar vias, etc. Enquanto isso, grandes cidades da Europa apostam em qualidade de vida, com áreas verdes, transporte publico de qualidade e reformas em imoveis antigos, valorizando a arquitetura e o urbanismo. Não se dão conta que é essa crescimento desenfreado que torna a cidade tao caotica. E daí onde o colunista mora? Tem alguma opcao pra quem quer fugir dos predios de mau gosto da cidade? (ps: recifense acha bonito colocar na fachada ceramica de banheiro, vôte!)

  5. A idéia de que apenas a construção de edífícios e mais edifícios são atestado inconteste de desenvolvimento, mostra claramente a grande quantidade de gente facilmente manipulável e sem conhecimento que existe numa capital como Recife. Quando se fala que “determinadas” regiões do Recife não deveriam ser ocupadas com edifícios modernos, não se quer com isso, inviabilizar ou ser contra o desenvolvimento da cidade, pelo contrário, pois preservar a história, a memória de uma cidade não significa apenas preservar o passado, mas também, manter e mesmo criar a possibilidade de novos negócios, já que a história de um lugar costuma emprestar-lhe características únicas e exclusivas. Daí um dos interesses em se preservar a história dos lugares, logicamente que existe também o interesse cultural e científico que também pode ser um gerador de novos e exclusivos negócios, principalmente quando se uiliza da criatividade.Entretanto, nota-se a mediocridade das pessoas, nos mais diversos níveis sociais nesse estado, pois, nem os próprios empresários, que insistem nesse tal “Novo Recife”, tiveram a iniciativa de utilizar a criatividade para se criar um projeto em que pudesse aliar lucro e preservação, a meu ver, absolutamente possível de se fazer naquela área. Então, caro Josué Nogueira, acredito que se o grupo empresarial que quer construir mais torres naquela área de grande importância histórica, poderia aliar um projeto em que se contemplasse a criação de prédios dentro de um parque. Explico, deveria-se ter naquela área, um grande adensamento de árvores, nativas da mata atlântica local, construiria-se ciclovias decentes que coubessem confortavelmente duas bicicletas lado a lado, áreas de convivências, praças e mirantes. Os prédios a que me referi, seriam limitados em suas alturas, no máximo seis andares, e deveriam ter arquitetura inspirada na ocupação histórica da área, isto é, o velho sobrado recifense e mesmo prédios de arquitetura holandês, afinal aquela área fez parte da Mauritzstadt. Já pensou vários prédios com arquitetura holandesa naquelas parte do Recife? Iria ficar parecido com Curaçao, seria um novo pólo gerador de negócios, com preservação da natureza, com área de lazer e turística, pois, sem dúvidas, estaria se criando uma nova atração turística no Recife. Creio que esse prédios propostos teriam grande valor agregado. Em todo caso,se, por conta limitação de altura e ocupação do terreno com espaços públicos resultasse em prejuízo para o empresário, deveria a prefeitura pagar a diferença do que foi pago, que foi, diga-se de passagem, um valor exorbitante, ao menos quando se considera o risco que se transformou em realidade, que era o de se construir espigões para se compensar o investimento. Até hoje me pergunto porque o João da Costa, petista, não negociou com presidente da república, que também é petista, a doação daquela área que era de uma estatal federal. Certamente não estaria havendo esse terrível imbróglio que poderá resultar em graves e nefastas conseqüencias para a cidade.

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