PSB segue na oposição independente, mas se a canoa de Dilma virar, está pronto para se tornar oposição efetiva

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Um dos aspectos que marcam o movimento do PSB rumo à reaproximação do PT é a parcimônia dos socialistas em relação às dificuldades da gestão da presidente Dilma.

Mesmo na oposição – ainda que classificada de independente – o PSB tem feito pouco barulho. Nestes dias que crescem manisfestações contra o governo, porém, membros do partido têm exposto críticas, digamos assim, mais contundentes.

O candidato a vice na chapa presidencial da sigla em 2014, ex-deputado Beto Albuquerque (RS), sublinhou, no Facebook, que a presidente deveria falar a verdade e não pedir paciência.

O secretário das Cidades de Pernambuco, Danilo Cabral, reproduziu foto de Dilma em pleno pronunciamento feito no domingo, tendo o “carinho” de registrar que a TV focalizada apresentava falha de sinal. O título? “Desconectada”.

Na semana passada, o próprio PSB já divulgara nota destacando que o país está mergulhado em crises política, econômica, energética, hídrica, ética e federativa.

E mesmo renegando uma posição sectária, frisa não ser possível esquecer que o partido disputou a eleição opondo-se à condução política e econômica do governo.

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Quer dizer, com três governadores, 442 prefeitos, sendo três de capitais, o PSB, pragmaticamente, continua a investir na construção de pontes administrativas com Dilma, sem deixar, todavia, de lembrar as diferenças.

Mostra-se distanciado, mas age preventivamente. Enquanto reafirma o compromisso com a ordem democrática institucionalizada no país, aposta que se canoa virar estará em terra firme.

Pronto para deixar de ser oposição independente e assumir-se como oposição efetiva ao PT. Afinal, o discurso de 2014 ainda está fresquinho. É só dá uma atualizada.

(texto da coluna Diario Político desta terça, 10 de março de 2015)

João Paulo encara a planície com planos de investir na formação política de novos quadros

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Após 43 anos de militância, dos quais 24 com mandatos, o ex-prefeito João Paulo Lima e Silva vive, segundo sua definição, um momento de reflexão.

Uma das mais expressivas lideranças do PT no estado demonstra ter absorvido a derrota para o Senado em 2014, mas como qualquer integrante do partido em Pernambuco ainda se ressente do esfacelamento da legenda, cujo ápice se deu na disputa pela Prefeitura do Recife em 2012.

A expectativa pela indicação para algum espaço no 2º escalão do governo federal, garante ele, não lhe diz respeito. Ressalta que, de acordo com sua formação, um dirigente político não pode depender de cargos.

Estudando inglês e preparando-se para iniciar, em março, pós-graduação em direito do trabalho, o homem que garantiu a hegemonia do PT por 12 anos na capital pernambucana inicia seus dias de planície alimentando uma incógnita sobre seu potencial eleitoral e principalmente sua disposição – e condição – de voltar a disputar cargos majoritários.

DP

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“Acho cedo demais para falar em eleições. A presidente Dilma ainda nem conseguiu sentar direito na cadeira. Não teve trégua (da oposição) nem no carnaval. Há as dificuldades na economia no Brasil e no mundo; o governador de Pernambuco vem enfrentando crises na segurança; a gestão do prefeito do Recife só tem obras paradas…”, frisa, indicando que as conjunturas nacional e local impedem a pauta da sucessão.

De todo modo, o nome do líder que comandou o Recife entre 2001 e 2008 não é descartado pelo PT. A presidente estadual do partido, deputada Teresa Leitão, observa que, mesmo com o revés do ano passado, decorrente das circunstâncias – comoção em torno da morte de Eduardo Campos (PSB) – João Paulo tem densidade.

De fato, a vantagem que ele tinha nas pesquisas se diluiu após o acidente com o ex-governador. Além disso, comentava-se nos bastidores da campanha que a candidatura do PT ao Senado foi desprovida de recursos.

Ainda assim, embora tenha ficado só com 34,80%, teve mais votos que o candidato ao governo com quem compôs a chapa de oposição, senador Armando Monteiro (PTB). O petebista recebeu 1.373.237 votos. João Paulo, 1.436.692.

A trajetória e as votações do ex-prefeito, aliás, sempre foram trunfos apresentados pelos petistas. Além de ter derrotado o ex-deputado Roberto Magalhães (DEM) na disputa pelo Executivo da capital em 2000, João Paulo reelegeu-se no 1º turno em 2004, fez o sucessor em 2008 e foi o deputado federal do PT mais votado do país em 2010, com 264.250 votos.

Aposta na formação de novos líderes – João Paulo diz que não pediu cargo algum à presidente Dilma. Afirma que por ter sido prefeito sabe exatamente as pressões que existem em torno dos espaços. “Partidos e aliados costumam achar que têm força suficiente para ficar com os cargos que buscam” diz.

PPS-PE expulsa nove por infidelidade e analisa a exclusão de mais dez. Partido não pedirá mandato dos “cortados”

pps.org.br

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Sigla pós-comunista divulga nota em que anuncia a expulsão de um vice-prefeito e oito vereadores. Veja:

PPS-PE expulsa 9 “infiéis”

A direção do Partido Popular Socialista em Pernambuco (PPS-PE) decidiu, nesta segunda-feira (12), expulsar nove detentores de mandato que não votaram ou não apoiaram a candidatura dos deputados estaduais e federal da legenda nas eleições de 2014.

Embora notificados pela Comissão de Ética do partido a prestarem esclarecimentos e apresentarem suas defesas, eles não o fizeram até o momento, descumprindo os prazos estabelecidos.

Outros 10 denunciados por infidelidade partidária aguardam a decisão do Conselho de Ética, que analisa, caso a caso, as defesas apresentadas por estes.

No total, foram encontrados indícios de que 18 vereadores e dois vice-prefeitos desobedeceram as resoluções do partido.

Em novembro do ano passado, a Executiva Estadual encaminhou o indicativo de punição aos “infiéis” diretamente ao Conselho de Ética, que atendeu a solicitação de abertura dos processos e notificou os envolvidos.

A correspondência com a notificação ao vereador de Itamaracá, George Baía, voltou duas vezes e a direção irá providenciar a entrega pessoalmente para que também elabore sua argumentação.

Confira a lista abaixo:

EXPULSOS
1. Vereador Ivo Severino da Silva (Cortês)
2. Vereador Fábio Lessa (Cupira)
3. Vice-prefeito Rinaldo Sampaio Novaes (Floresta)
4. Vereador Geraldo Germano (Ibimirim)
5. Vereador Itamar (Ribeirão)
6. Vereador Ray (São José da Coroa Grande)
7. Vereador Toinho Almeida (Sertânia)
8. Vereador Helbe (Trindade)
9. Vereador José Augusto da Silva (Vicência)

EM ANÁLISE (ENVIARAM DEFESA)
1. Vereadora Antonieta da Caixa (Afogados da Ingazeira)
2. Vereador Ademir Bento (Cortês)
3. Vereador Hilário (Ipojuca)
4. Vereador Roque João (Itaquitinga)
5. Vereador Adeildo da Igreja (Jaboatão)
6. Vereador Nado do Caminhão (Jaboatão)
7. Vice-prefeita Janielma (Petrolândia)
8. Vereador Dona Santa (Petrolândia)
9. Vereador Geandro de Geni (Santa Filomena)
10. Vereador Déo do Abreu (São José da Coroa Grande)

A direção estadual do partido informa que não pedirá o mandato dos expulsos.

Fila pro divã: PSB, PT, PTB e PSDB terão de viver, em 2015, o clichê “começar novo ciclo” em PE

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Poucas vezes uma virada de ano será tão simbólica para a política pernambucana como essa que acontece logo mais.

Em maior ou menor intensidade, em 2015 os partidos de expressão no estado terão de viver o clichê “começar um novo ciclo” e se reinventar para encarar os desafios impostos por 2014.

reprodução/TV

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Embora tenha saído demasiadamente fortalecido das urnas, o PSB inicia novo mandato no governo de Pernambuco sem a presença do líder-mor, ex-governador Eduardo Campos, e terá de conduzir o estado na oposição ao governo federal.

Isso tudo sem deixar que vaidades e diferenças abram uma crise de liderança e comprometa a hegemonia socialista no estado. Quer dizer, o “técnico” Paulo Câmara desempenhará tarefa espinhosa e sem dispor do respaldo do padrinho.

pt

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Sem ter eleito um único deputado federal, o PT terá de se equilibrar entre a reorganização interna, a apropriação de obras e ações do governo federal em Pernambuco – antes assumidas e apadrinhadas pelo PSB – e a preparação para a disputa da Prefeitura do Recife.

O próximo pleito pode ser vital para o soerguimento dos petistas. E 2015 deve ser decisivo para as pretensões de retorno à PCR.

Por sua vez, o PSDB terá de superar a orfandade de Sérgio Guerra, afinar o ambiente intrapartidário e deixar de lado a dubiedade de ser governo no estado e oposição no Recife.

arte-DP

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Além disso, precisa recuperar terreno eleitoral – elegeu um único deputado estadual – e se fortalecer a ponto de garantir alguma contribuição a futuras candidaturas tucanas ao Planalto.

O PTB, que buscou o protagonismo em 2014 no estado, terá missão de fazer ressuscitar a oposição na Assembleia.  Caso consiga, contribuirá para o jogo democrático e pode se credenciar a novos cargos majoritários.

Em suma, a fila no “divã da política” será concorrida no ano que chega. Pegue sua ficha e feliz 2015!

Sem indignação seletiva: que a “revolta” de parlamentares com manobras governistas e corrupção inspire a reforma política

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Dois mil e catorze vai chegando ao fim como um ano “sui generis” mesmo.

Esquemas de corrupção que historicamente permeiaram as relações entre setores privados e homens públicos, mas sempre foram mantidos sob uma cortina de hipocrisia, cinismo e conveniências, são agora alvos de investigação.

E mais: são colocados na pauta da sociedade, que, a despeito do uso eleitoreiro e partidário das notícias (por oposição e governo, indistintamente), vai se deparando, pela primeira vez, com denúncias concretas e públicas.

Enfim, a tampa do bueiro de podridão onde a política nacional sempre se alimentou foi levantada. Desse “banquete” participam gente do PT ao PSDB, do PMDB ao PSB, do PP ao PR e por aí vai.

Pois bem, diante de tantas práticas condenáveis ficamos torcendo para que indignação dos políticos – principalmente da oposição – não seja apenas jogo de cena para os holofotes da mídia.

www.em.com.br /André Dusek

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Espera-se que as reações inflamadas decorrentes das revelações dos delatores do esquema da Petrobras estimulem os nossos parlamentares a promover a reforma política que tanto o país necessita.

Não adianta se portar como paladino da ética e erguer a espada da justiça no Congresso e continuar se elegendo com financiamentos de empreiteiras, de fabricantes de armas, da indústria farmacêutica, do setor do agronegócio, entre outros.

Também não é coerente esbravejar contra o projeto do Planalto que condiciona a liberação de recursos de emendas à aprovação da alteração da meta fiscal de 2014 (fazendo com que Dilma feche o ano azul) mas continuar a comungar com os mesmos mecanismos que sustentam o esquema de corrupção da Petrobras.

Há que se destacar que o esquema da vez coloca na berlinda o partido da vez. No entanto, propinas, desvios, licitações viciadas na Petrobras cruzam décadas e envolvendo vários governos e políticos de toda linhagem.

Há cerca de dez dias o jornalista Ricardo Boechat lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava sendo oportunista por se mostrar espantado com as notícias da corrupção na estatal, uma vez que o esquema já fora alvo de matéria premiada no Esso em 1989.

Boechat, que em 1989 venceu o Esso com denúncia de roubo na Petrobras, diz que FHC é oportunista ao afirmar ter “vergonha” da corrupção atual

www.vermelho.org.br

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O que espanta e recheia o discurso de muita gente é que o PT, partido que se ergueu defendendo a moralização e a ética na vida pública, tenha mergulhado de cabeça no lamaçal de malfeitos.

Mas, sem amenizar a decepção causada pelo PT e a responsabilidade do partido pelo que acontece na estatal, não se deve deixar de frisar que o Congresso e os demais partidos, embora não tenham jurado honestidade eterna, estão longe de serem exemplos de honradez. Infelizmente.

Diante desse jogo que envolve interesses de muitas ordens, torçamos para que o governo dialogue mais e recorra menos a decretos, e, principalmente, que os parlamentares saiam dos palanques e cuidem de reformar a política.

Revoltar-se contra manobras governistas, mas fugir – como sempre fizeram – do debate necessário sobre financiamento público de campanha, é assumir uma “indignação seletiva”.

Indignação esta que só ajuda a evidenciar características desanimadoras dos parlamentares: egocentrismo, preocupação excessiva com o próprio bolso e encenaçao “moralizante” para agradar a mídia.

Sim, porque enquanto o esquema em questão queima a imagem da Petrobras em praça pública, a investigação de redes similares de corrupção existentes em outras empresas públicas segue nas gavetas dos tribunais.

O mensalão mineiro e o metrô de São Paulo são apenas dois dos mais simbólicos. Ambos foram comandados por gente do PSDB.

O PSDB vem a ser o partido de Aécio Neves, senador e presidenciável derrotado em outubro último e que a cada dia reaje contra o que ele chama de “petrolão” com frases duras e marcadas pelo descontentamento.

O PSDB é também a legenda (como muitas outras) que a cada eleição recebe financiamento de empresas envolvidas no esquema da Petrobras. A deste ano inclusive.

Portanto, vamos  começar a falar sério, né? Vamos agir para excluir o financiamento privado de campanha? Dois mil e catorze está se consolidando como um ano muitas despedidas, catástrofes e algumas previsões loucas. Mas tem muita gente lúcida por aí.

Calma e equilíbrio da escola macielista desapareceram da cartilha de Mendonça: é tiro, porrada e bomba

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O estilo calmo, inspirado nas conhecidas discrição e parcimônia do ex-senador Marco Maciel (DEM), desapareceu.

O deputado federal, Mendonça Filho (PE), mostrou-se ensadecido nesta quarta-feira para lentes e câmeras de todo o Brasil durante a sessão do Congresso Nacional destinada a votar o projeto que desobriga o governo a cumprir a meta fiscal de 2014.

Líder do DEM na Câmara, Mendonça discutiu e trocou gritos com o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), na mesa do plenário.

A confusão começou quando o democrata discursava na tribuna e teve a palavra “cortada” por Renan.

O deputado pernambucano deciciu seguir falando, subiu vários da escala vocal e começou a gritar.

Chegou a afirmar que o presidente do Senado representava a vergonha do Congresso.

“Eu fui dizer a ele que ninguém me cala neste Parlamento. Quem me colocou aqui não foi ele não, foi o povo de Pernambuco”, disse Mendonça em entrevista a jornalistas, logo após deixar a mesa.

“Existe um quarto regimento nessa Casa, que se sobrepõe aos três outros regimentos (da Câmara, do Senado e do Congresso), que é o regimento Renan Calheiros. Ele adapta à sua conveniência, ao seu tempo, de acordo com o que ele acha que deve ser feito”, criticou o deputado.

Acalmados os ânimos, Renan Calheiros, pediu “desculpas” pelos “excessos”. “Peço até desculpas pelos excessos, evidente, acho que todos temos que pedir desculpas, mas levemos adiante essa questão e realizemos essa sessão”, afirmou.

Os protestos da oposição, que é contrária ao projeto, começaram quando o senador Romero Jucá (PMDB-RO), no exercício momentâneo da Presidência do Congresso, abriu a sessão mantendo o quórum (número de deputados e senadores) registrado no fim da reunião da noite desta terça-feira (25).

www.folhapolitica.org

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Quando assumiu a presidência dos trabalhos, Renan Calheiros atendeu à demanda dos oposicionistas e passou a considerar somente as presenças registradas na sessão desta tarde.

Ele decidiu, porém, aguardar 30 minutos pela chegada dos parlamentares, já que não havia quórum suficiente para abertura da sessão – 85 deputados e 14 senadores. Neste momento, estavam registrados 30 deputados e 10 senadores em plenário.

A oposição, então, sobretudo Mendonça, o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), e o líder do PPS, Rubens Bueno (PR) protestaram porque os 30 minutos, de acordo com o regimento, deveriam ter sido contados a partir das 12h00 e não das 12h30, como pretendia Renan.

Às 12h57, Renan anunciou que o quórum havia sido atingido (havia 125 deputados e 20 senadores) e que seria possível abertura da sessão. Neste momento, Mendonça Filho, da tribuna, começou a gritar “isso é uma vergonha”, “é um absurdo”, entre outros protestos.

O presidente, bastante exaltado, se dirigiu ao deputado: “vossa excelência pode tudo, mas não pode ficar gritando na tribuna”.

Ambos continuaram trocando gritos até que Renan mandou que Mendonça se calasse. “Cale-se”, disse com o dedo em riste. O deputado teve o microfone cortado e, então, deixou a tribuna e se dirigiu à mesa onde Renan estava sentado.

Eles continuaram discutindo. Do plenário, Rubens Bueno apontava ao presidente: “ditador, prepotente, o senhor faz parte dessa farsa”. As informações são do G1 e di Diario de Pernambuco.

Comentário meu: Na condição de líder do DEM, Mendonça tem tribuna e holofotes preciosos.

A indignação com Renan e a reação contudente ao corte do microfone lhe garantiram destaque nos sites de notícias do país.

O tom do bate-boca, o dedo em riste e as expressões do rosto deram a entender que entre ele e o alagoano devem existem ressentimentos represados que, agora, acabaram externados da forma menos civilizada possível.

Conhecendo Mendonça como se conhece, é possível afirmar que ele saiu completamente do script que sempre escreveu para si.

A tal escola macielista, que ele e outros de sua geração adotaram como modelo, foi esquecida ou, ao que parece, superada.

No Facebook, ele tratou de opostar a foto com o dedo na cara do peemedebista e trecho da declaração em que ressalta que nenhum homem vai lhe calar.

Câmara branca e dominada por clãs é retrato do quanto a sociedade inibe a formação de líderes negros e/ou independentes de DNA

http://jorge-clan.blogspot.com.br/

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Nós, povo brasileiro, somos formados, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE, por 50,7% de pretos e pardos. Em números, o percentual corresponde a mais de 101, 9 milhões de pessoas.

Todavia, na campanha deste ano a Justiça Eleitoral atestou um descompasso incômodo entre a realidade e a formação das chapas.

Num levantamento em que se perguntava aos candidatos sobre a cor da pele, 13.958 (55,03%) dos 25.366 inscritos para a disputa de cargos, se declararam brancos, enquanto 8.868 (34,96%) se disseram pardos e 2.344 (9,24%) informaram ser negros.

A apuração das urnas revelou uma distância ainda maior entre o quadro racial nacional e a representatividade.

Na Câmara, por exemplo, dos 513 deputados federais eleitos, 79,9% se declararam brancos; 15,7%, pardos e 4,29%, pretos, de acordo com o TSE.

Quer dizer, além da participação de não brancos nas chapas ser distante da realidade da sociedade, a taxa de sucesso das candidaturas desse segmento é baixíssima.

camara.gov.br

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Por exemplo, os 80% dos parlamentares eleitos saíram do universo de 42% de brancos que concorriam às vagas de deputado federal.

E mais grave: ao se confrontar esses dados com a informação de que 49% dos componentes da Câmara têm parentesco com algum político (ONG Transparência Brasil) vê-se que a discrepância tem conexão direta com a desigualdade social enraizada no país.

Os clãs que sempre deram as cartas na política seguem usufruindo do status quo do poder e permanecem como entrave para o surgimento de lideranças independentes de DNA e mais próximas do cidadão comum.

Esse desequilíbrio se impõe como pauta para discussões relacionadas à inclusão, oportunidades, participação na vida pública nacional, enfim.

Nesta quarta (19), a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, startou a questão ao apontar a necessidade de se incluir a baixa representação de negros (e mulheres) no Parlamento no debate da reforma política.

É tema para ser evidenciado hoje, Dia Nacional de Consciência Negra, e em todos os outros.

Fim do empate técnico: no Datafolha, Dilma vai a 53% e Aécio soma 47% dos votos válidos. No Ibope, Dilma tem 54% contra 46% de Aécio

http://plantaobrasil.com.br

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Pela primeira vez nesse segundo turno a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, aparece à frente de Aécio Neves (PSDB) e fora da margem de erro, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (23).

Contando apenas os válidos – excluindo brancos e nulos – Dilma soma 53% contra 47% de Aécio.

Quer dizer, o empate técnico no limite da margem de erro – dois pontos para maos e dois para menos – que vinha sendo verificado em levantamentos anteriores, desapareceu.

Na pesquisa Ibope, também divulgada nesta quinta, Dilma também surge na dianteira quando se considera apenas votos válidos. Tem 54% contra 46% de Aécio.

De acordo com o Datafolha, em votos totais, a petista alcança 48%, um ponto percentual a mais do que na sondagem da última terça-feira (21).

Já o tucano caiu um ponto, atingindo 42%. Brancos e nulos somam 5%. Outros 5% ainda se dizem indecisos.

Encomendado pela Rede Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo, o levantamento ouviu 9.910 eleitores entre quarta-feira (22, quarta-feira, ontem) e quinta-feira (hoje, 23).

A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-1162/2014.

A pesquisa Ibope foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. No levantamento anterior, divulgado no dia 15, Aécio tinha 51% e Dilma, 49% dos votos válidos.

Considerando os votos totais – incluídos brancos e nulos – e dos eleitores que se declaram indecisos, a pesquisa aponta Dilma com 49% e Aécio, com 41%.

Branco e nulos totalizam 7% e Não sabe/não respondeu chegam a 3%.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 203 municípios entre os dias 20 (segunda-feira) e 22 (quarta-feira) de outubro.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01168/2014.

Eleitor que não votou no 1º turno pode votar no 2º. Já o horário de verão não altera votação em PE, que será das 8h às 17h (hora local)

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O eleitor deve estar atento a dois aspectos no domingo (26), dia do segundo turno da eleição presidencial.

O primeiro diz respeito ao fato de quem não votou no primeiro estar apto a participar do segundo.

Outro ponto, é relacionado ao horário de verão. Como Pernambuco não é abrangido pela adiantamento dos relógios, a votação ocorrerá normalmente, das 8h às 17h, obedecendo o horário local.

O cidadão que deixou de votar no primeiro turno das eleições, seja por qual razão for, poderá participar normalmente do segundo turno.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada turno é considerado uma “eleição distinta”.

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Assim, mesmo que o eleitor não tenha votado ou justificado a ausênca no último dia 5 de outubro, deverá, no próximo dia 26, comparecer à sua sessão de votação e exercer, sem qualquer impedimento, o direito de voto.

Além do segundo turno da eleição para presidente da República em todo o país, os eleitores dos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal também irão às urnas no dia 26 para escolher o governador.

No primeiro turno, de 115,1 milhões de eleitores aptos a votar, 27,6 milhões não compareceram ou justificaram.

Mesmo votando normalmente no segundo turno, o eleitor terá até o dia 4 de dezembro para apresentar justificativa de ausência no cartório eleitoral de sua cidade.

O formulário está disponível no site do TSE e deve ser preenchido pelo próprio eleitor.

fsindical-rs.org.br

fsindical-rs.org.br

Propaganda eleitoral – Independentemente de estar ou não no horário de verão, a transmissão da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV em todos os estados seguirá o horário de Brasília.

Apuração – A divulgação do resultado das eleições para presidente da República no segundo turno só começará a partir das 20h, pelo horário de Brasília.

Isso porque, com a adoção do horário de verão, o estado do Acre ficará com três horas a menos de fuso horário em relação à capital do país.

Já os resultados do segundo turno para governador nos 13 estados e no DF começarão a ser divulgados logo após o término da votação em cada estado (17h, pelo horário local).

Nordeste: derrocada do família Sarney, no Maranhão, e novo revés para o carlismo na Bahia

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Flávio Dino (camisa amarela com listras escuras) venceu – facebook

O resultado das eleições no Nordeste reservou surpresas, fim de ciclos de grupos políticos e prolongamento de outros.

Na região onde a presidente Dilma Rousseff teve a melhor performance, com 59,58% dos votos – 16,3 milhões -, o PT conseguiu uma virada de última hora na Bahia, venceu também no primeiro turno no Piauí e vai disputar o segundo no Ceará.

Na Bahia, há que se destacar, o triunfo petista significou um novo revés para o carlismo (política nascida com o ex-governador Antônio Carlos Magalhães). Depois de retornar ao poder em 2012, com a conquista da Prefeitura de Salvador por ACM Neto (DEM), o grupo perdeu fôlego no estado e foi derrotado já no primeiro turno.

O PSB, que em 2010 conquistara o governo em quatro estados, encolheu. Elegeu Paulo Câmara em Pernambuco – prolongando o poderio dos Arraes/Campos – e permanece na briga pelo Executivo da Paraíba.

Já o PMDB, que há quatros anos fizera apenas um governador, avançou. Venceu em Alagoas e Sergipe, e permanece no páreo no Ceará e no Rio Grande do Norte.

O resultado mais impactante verificado na região, porém, foi obra do pequeno PCdoB: Flávio Dino derrotou os Sarney no Maranhão.

O grupo político liderado pelo senador e ex-presidente da República José Sarney concorreu com Lobão Filho (PMDB), herdeiro político do ministro das Minas e Energia e ex-governador, Edison Lobão.

Dino levou no primeiro turno. Obteve mais de 1,8 milhão de votos (63%), uma vantagem de mais de 800 mil para o peemedebista. O feito encerra uma hegemonia de 49 anos e abre um novo ciclo no estado, livrando-o do domínio familiar, aspecto que sempre reforçou traços de coronelismo na política maranhense.

Curiosamente, vem do PMDB um exemplo do quão a força do sobrenome continua a assegurar longevidade a grupos na política nordestina.

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Rui Costa surpreendeu e foi eleito de virada – facebook

Em Alagoas, Renan Filho foi eleito governador com mais de 52% dos votos. Ele é beneficiário direto do pai, senador Renan Calheiros, que desde 1978 está associado ao poder naquele estado.

Na Paraíba, Cássio Cunha Lima (PMDB) é outro representante da política do parentesco a ter destaque na eleição. Herdeiro do ex-governador Ronaldo Cunha Lima, disputa o segundo turno com o atual governador, Ricardo Coutinho (PSB). Tenta chegar ao terceiro mandato. O embate entre os dois, aliás, promete ser um dos mais sui generis do segundo turno. Isso porque o PSB caminha para apoiar o tucano Aécio Neves na fase final da corrida pelo Palácio do Planalto.

No Ceará, mais um grupo liderado por laços de sangue passará por um segundo teste no dia 26. Os Gomes, liderados pelos irmãos Cid (governador) e Ciro (ex-ministro), tentarão eleger Camilo Santana (PT).

Enfrentarão o senador Eunício Oliveira (PMDB). Os Gomes integravam o PSB, mas romperam com o ex-governador Eduardo Campos por discordarem da candidatura socialista à Presidência da República. Ambos defendiam a reeleição de Dilma e acabaram apoiando o PT cearense.

No Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves (PMDB), também líder de frente construída a partir de sobrenome, se submeterá, ele prório, às urnas no segundo turno. Atual presidente da Câmara dos Deputados, Alves medirá forças com o ex-vice-governador do estado, Robinson Faria.

Interesse
Diante desse cenário desenhado no primeiro turno, o Nordeste e os seus 38,2 milhões de votos – o segundo maior contigente entre as cinco regiões do país -  tendem a ser alvo de maior interesse de Aécio na campanha do segundo turno. No primeiro, o candidato tucano ignorou a região e acabou amargando um terceiro lugar, com 15,38% dos votos, ou 4,2 milhões.

O partido já cogita, inclusive, começar a campanha pelo Recife ainda nesta semana. Já o PT deve ter Pernambuco como prioridade, uma vez que este foi o único estado em que a presidente Dilma Rousseff não venceu no Nordeste. Marina Silva (PSB) ficou com 48% dos votos, contra 44% da petista. Teve quase 200 mil votos a mais que a presidente.