Dilma Roussef não se vendeu ou foi apresentada ao eleitor como articuladora política. Ela não o é. É técnica, pragmática.
Por isso mesmo ficou sem saída quando o homem escolhido para apagar incêndios no governo, o ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, virou alvo de fogo – amigo e inimigo.
Por isso mesmo recorreu ao ex-presidente Lula em busca de auxílio e de um pulso firme para rearrumar a casa.
Muita gente achou estranho o fato de, na primeira crise séria, Dilma recorrer ao padrinho político. O Blog inclusive. Mas, mesmo assumindo ter limitações de negociar, a presidenta agiu certo.
Quem, entre aliados do Planalto, tem o peso e a experiência de Lula? Ainda mais se no cerne da crise a ser debelada está alguém tão fundamental para o governo quanto Palocci?
Não é questão de defender o enriquecimento a jato do ministro – isso é questão de investigação e justiça, se for o caso.
É questão, sim, de atestar que a presidenta não tem habilidade ou mesmo paciência para se desvencilhar de problemas inerentes à complicada rede de interesses e pressões que cerca o poder.
E salientar que, mesmo que esse jogo de cintura seja exigido de quem ocupa o cargo, ela nunca fez a linha negociadora ou contemporizadora.
A presidente segue, pelo que se vê até agora, longe de excessos, de aparições desnecessárias e de declarações para agradar A ou B.
Ainda bem, lá para ela, que Lula está ali a postos. Ávido por holofote e doido para continuar encarnando o papel de comandante do Planalto – ainda que modo informal, mas poderoso como só ele saber ser.
Foto: Edilson Rodrigues/ CB/ D. A Press
