Em 2008, coube ao juiz Nilson Nery cassar a candidatura do então candidato a prefeito João da Costa.
Na época, acusado pelo Ministério Público Eleitoral de utililizar computadores da Prefeitura para mobilizar a militância, fato investigado pela Polícia Federal, João concorreu sub judice.
No último sábado, o mesmo juiz concedeu liminar “mantendo todos os filiados (do PT) aptos a votar em suas respectivas zonas, vedando expressamente o uso de urnas volantes e de votação separada, manual”.
A decisão se referia aos votantes da prévia do PT, realizada no domingo.
Quando voltou a ter o destino cruzado com João da Costa, Nilson Nery estava de plantão.
Podia ser qualquer outro magistrado, mas caiu para ele a decisão de acatar ou não a liminar em que membros do PT pediam a extensão do direito de voto a todos os filiados.
Na acirrada disputa que foi travada entre os concorrentes da prévia, o posicionamento de Nery acabou beneficiando o prefeito João da Costa.
Também se transformou no motor para a continuidade do embate entre o grupo do prefeito e os apoiadores do candidato Maurício Rands.
Aliás, a direção nacional do PT entende que a Justiça foi induzida ao erro por aliados de João da Costa na liminar. O comando do partido argumenta que os autores da liminar – oito presidentes de zonais do PT no Recife – prestaram, propositadamente, informações truncadas à Justiça.
Por isso mesmo anunciou que o resultado da votação (a vitória do prefeito) não será homologado e adianta que uma reunião marcada para a próxima quinta-feira decidirá sobre a validade da prévia, punição a João da Costa, candidatura no Recife, etc.
Bom, entre a cassação de 2008 e a decisão sábado, quase quatro anos se passaram. A coincidência de ter o caminho cruzado com o de João da Costa mais uma vez é visto com bom humor pelo juiz. Para ele é contigência da profissão. “Para você vê como o mundo gira, né?”, afirma.
“A situação de agora é outra bem diferente. E nem foi ele quem requereu, mas os filiados” frisou. O juiz disse que ficou muito bem à vontade para decidir. “Um episódio não tem nada a ver com o outro. Aquele já foi, ficou no passado”. Ele não quis entrar na polêmica sobre a queixa da direção petista.
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