Comentário de Marisa Gibson, da coluna Diario Político, publicado nesta quarta-feira, no Diario. Confira:
O que era dado como certo – o início das negociações da fusão do DEM com outro partido após o término do segundo turno – entra numa fase de banho-maria em consequência das vitórias dos democratas em Salvador, Aracaju e Vila Velha.
E as atenções agora se voltam para o PSD, de Gilberto Kassab, que já está praticamente na base do governo e cuja possível fusão com o PP, de Paulo Maluf, entra na ordem do dia.
O DEM deu um recuo para ver como as peças vão se movimentar, até porque muita água ainda vai rolar, havendo inclusive a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, que dependendo do grau de acirramento da disputa pode determinar um redirecionamento dos partidos.
Os democratas estão convictos de que, se a fusão do PSD com o PP se concretizar, haverá parlamentares insatisfeitos que poderão migrar para outras siglas, inclusive o DEM.
Há também a questão dos benefícios do tempo de televisão e do fundo partidário em casos de fusão, que deve ser revista pela própria Câmara e pode limitar bastante os passos nesse sentido.
Vistas como tábua de salvação para legendas em estado terminal, as fusões não são fáceis, a começar pela conciliação dos interesses nacionais e as necessidades locais.
Além disso, uma fusão implica em divisão de espaços de poder, prevalecendo evidentemente a precedência do partido mais representativo.
A fusão do DEM, se acontecer, ficará entre o PMDB e o PSDB, mas a esta altura não dá para apostar em nenhum dos dois casos.
Em Pernambuco já houve conversas de democratas com peemedebistas e socialistas, mas ficou por aí, persistindo apenas o desejo externado pelo deputado estadual Tony Gel e sua mulher, a ex-deputada Miriam Lacerda, de mudar para um partido da base do governo Eduardo.
Este assunto, no entanto, ainda não foi tratado com o presidente estadual do DEM, o deputado federal Mendonça Filho.