Petrolina é, de novo, empecilho para hegemonia de Eduardo Campos

petrolina

Comentário da coluna Diario Político, de Marisa Gibson, publicada nesta quinta-feira, no Diario.

Numa das campanhas mais acirradas no estado, Petrolina está em pé de guerra numa disputa cujos interesses vão além da prefeitura do município.

No centro do furacão, o prefeito Júlio Lóssio (PMDB), que teve a candidatura à reeleição impugnada pela justiça eleitoral por ação movida pelo seu principal adversário, o socialista Fernando Filho.

Entre os dois, o petista Odacy Amorim, ex-PSB, responsável pela divisão da Frente Popular no município, o que desestruturou o palanque de Fernando, que concorre pela coligação Unidade por Petrolina.

O que se diz é que no município há um sentimento favorável a Lóssio – fato admitido até por lideranças da base do governador Eduardo Campos – e, talvez por isso, o jurídico da campanha de Fernando tenha ingressado com mandado de segurança para impedir a divulgação de pesquisas.

A campanha em Petrolina é uma reedição de 2008, quando Lóssio foi eleito com uma vitória estonteante, decorrente da divisão do PSB no município.

Naquele ano, Odacy Amorim, então prefeito, tinha a reeleição garantida mas perdeu a convenção do partido para o deputado federal Gonzaga Patriota (PSB), à época inimigo de Fernando Bezerra Coelho, então secretário estadual de Desenvolvimento Econômico.

Petrolina disse não a Patriota e elegeu Lossio. Agora em 2012 os desentendimentos começaram quando Odacy, deputado estadual, sentindo-se desprestigiado pelo PSB, que apontava para a candidatura de Fernando Filho, filiou-se ao PT para disputar a prefeitura.

Tal fato motivou Bezerra Coelho, já ministro da Integração, a transferir o domicílio eleitoral para Recife, ameaçando disputar na capital pernambucana contra o candidato petista, numa manobra para forçar o PT a retirar a candidatura de Odacy em Petrolina, o que não aconteceu, enquanto o processo sucessório no Recife tomava outro rumo.

O que ninguém esperava era que Lóssio, que fez uma gestão inicialmente pálida, se recuperasse e comprasse uma briga gigantesca contra o governador Eduardo Campos e o ministro Bezerra Coelho.

Se o PSB perder em Petrolina, a derrota não pesará tanto para Eduardo, mas será traumática para Bezerra Coelho – pai de Fernando – e cujo nome figura como possível candidato à sucessão de 2014.

Alceu sobre apoio a Joaquim em 1991: como podem existir marcas se Joaquim está no PSB? Se Jarbas está com Eduardo?

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Alceu Valença, a voz e a imagem mais marcantes do carnaval dessas terras  maurícias, esteve no Diario na manhã desta quarta-feira.

Veio bater-papo com leitores internautas sobre o show Vivo, que apresenta nesta sexta, no Baile Perfumado, ao lado de Marco Polo.

Uma das perguntas, feitas pelo jornalista do Fellipe Torres, do Diario, remontou ao polêmico apoio do cantor à candidatura de Joaquim Francisco ao governo do estado, em 1991.

Na época, o artista sofreu patrulhamento dos brabos. Joaquim era do PFL, ex-PSB e Arena.

Representava, portanto, a direita ortodoxa justamente quando o país respirava a redemocratização, cujo um dos mais importantes símbolos era o ex-governador Miguel Arraes.

Alceu chegou a ser vaiado e agredido durante uma festa de revéillon.

Vinte e dois anos depois, Joaquim é aliado do neto de Arraes, governador Eduardo Campos (PSB).

E o cantor não se furta a falar sobre o fato. Segue defendendo a mesma independência com que agiu em 1991.

A pergunta:

“Hoje em dia ainda restam marcas de seu engajamento na época da campanha política de Joaquim Francisco?”

A resposta:

“Bem, como podem existir marcas se Joaquim Francisco, que era do PFL, passou a ser do PSB? Se Jarbas Vasconcelos, antigo adversário do PSB, hoje está coligado com Eduardo?

Política é a arte do possível. Essas parcerias acontecem ao longo das trajetórias dos homens públicos e partidos. A arte é que é a política do impossível.

Para artistas como eu, que não seguem nenhum parâmetro e que não pertence a gravadora, independência ou morte, já dizia quem sabe, Pedro I”.

Foto: Tatiana Meira, do Diario

Quando e como as histórias de Aguinaldo Fenelon e Geraldo Julio se cruzaram

fenelonRememorando fatos que fundamentaram texto publicado pelo Diario no dia 13 de dezembro de 2003:

É esta matéria que vem sendo apontada por apoiadores da campanha de Daniel Coelho, como um documento que comprova a relação entre Geraldo Julio e o procurador geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon.

Daniel é candidato a prefeito do Recife e vem em ascensão nos levantamentos sobre intenção de votos.

Já se prevê, inclusive, que ele pode estar no segundo turno com o líder das pesquisas, Geraldo Julio, que concorre ao Executivo da capital pelo PSB.

Fenelon assumiu a Prefeitura de Paulista entre 11 e 17 de dezembro de 2003. Ele era o vice-prefeito do município pelo PSB e tomou posse com a prisão do então prefeito Antônio Speck, do PMDB.

O prefeito foi processado por recomendação do Ministério Público de Pernambuco. A denúncia feita à Justiça afirmava que Speck teria pago a mais pela indenização de um terreno para a construção de casas populares.

O prefeito saiu da cadeia no dia 16, após o Tribunal de Justiça acatar liminar. Fenelon então deixou o cargo e Speck reassumiu o mandato no dia 17.

Voltando a 2012:

As histórias de Fenelon e Geraldo voltam a se cruzar. Atualmente procurador geral do MPPE, Fenelon decidiu entrar com recurso contra decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que rejeitou denúncia contra Daniel Coelho.

Deputado estadual, Daniel é acusado por crimes de peculato e uso de documentos falsos, supostamente cometidos na época em que era vereador do Recife – de 2005 a 2010.

Como já dito, o tucano disputa a eleição do Recife com o socialista Geraldo Julio.

A questão pode render processo e inviabilizar a candidatura do tucano. Daniel, naturalmente, vem estranhando a decisão do MPPE de adotar tal postura durante a campanha.

Ainda mais quando as pesquisas apontam o crescimento da sua candidatura.

Fenelon tem afirmado que o fato de o TJPE ter rejeitado a denúncia não significa que Daniel estaria livre das consequências do seu ato.

O que motiva o processo contra Daniel é o chamado escândalo das notas frias.

Veio à tona em 2008, envolveu 26 vereadores e ex-vereadores do Recife, apontados pela autoria de um rombo de R$ 1,2 milhão nos cofres municipais.

Os vereadores foram julgados pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE), que encaminhou o resultado do julgamento ao Ministério Público de Pernambuco.

O MPPE ofereceu denúncias ao TJPE contra cinco ex-vereadores que foram eleitos deputados estaduais.

Dessas, foram acatadas as que tinham como alvo Eriberto Medeiros (PTC), Gustavo Negromonte (PMDB) e Silvio Costa Filho (PTB).

Foram rejeitadas as denúncias contra Daniel Coelho (PSDB) e Francismar Pontes (PSD). Contra este último, o MPPE não recorreu.

Veja abaixo matéria de 13.12.2003 (um sábado).

Nela fica-se sabendo que, ao montar sua equipe para os poucos dias de mandato, Fenelon nomeou o então auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Geraldo Júlio de Melo Filho para a secretaria de Finanças:

Fenelon exonera, nomeia, critica e determina auditoria

Prefeito do Paulista apresentou oito técnicos para as secretarias

Recém-empossado prefeito do Paulista, Aguinaldo Fenelon (PSB) anunciou, ontem, os primeiros nomes do seu secretariado. Do total de 14 pessoas do primeiro escalão, cinco já foram apresentadas. Os outros secretários serão indicados ao longo da próxima semana. De uma só canetada, Fenelon exonerou os secretários da administração anterior e todos cargos comissionados, um grupo formado por 800 pessoas, segundo estimativas. “Tem muita gente que nós não sabemos nem onde está”, desabafou o novo prefeito.

Além de anunciar os secretários de Governo, Finanças, Administração, Ação Social e da presidência da Empresa de Limpeza Urbana do município, que tem status de secretaria, Fenelon apresentou a criação de duas comissões. Uma ficará encarrega de fazer a transição do Governo e a outra de levantar de todo o patrimônio existente na Prefeitura.

Minutos antes de anunciar os integrantes do primeiro escalão, Fenelon denunciou o desaparecimento de parte do computador que estava instalado no gabinete de Speck. “Eles deixaramapenas o monitor. Se o prefeito (Speck) levou a CPU, imagine o resto”, criticou Fenelon, declarando que tudo foi notificado por um oficial de Justiça. De acordo com o Fenelon, será aberta uma auditoria para apurar todas as irregularidade cometidas na Prefeitura.

Sentado na cadeira anteriormente ocupada por Speck, o novo prefeito garantiu que seu secretariado terá caráter técnico. Para secretaria de Finanças foi escolhido o auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Geraldo Júlio de Melo Filho. A pasta de Ação Social será dirigida pela educadora Marinalva Gonçalves. Para a secretaria de Administração foi nomeado o engenheiro civil Sérgio Machado e para secretaria de Governo, o ex-deputado federal Fernando Coelho.

A presidência da Empresa de Limpeza Urbana do Município será dirigida pelo técnico em administração Manoel Francisco Souza. Ontem, Fenelon garantiu que sua administração será compartilhada e que o servidor terá prioridade. “Vamos discutir com os partidos e os servidores a melhor maneira de governar”, garantiu.

Ex-ministro de Lula, Gilberto Gil questiona o fato de o mensalão do PSDB não ter sido julgado

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Compositor, cantor, ex-ministro da Cultura do governo Lula e, acima de tudo, cidadão politicamente engajado, Gilberto Gil não costuma fugir de perguntas.

Foi assim quando questionado pelo repórter Fellipe Torres, do Diario, sobre como estava acompanhando o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal.

Gil apresenta nesta, quinta-feira, no Teatro Guararapes, o show Concerto de cordas e máquinas do ritmo, em que comemora o aniversário de 70 anos e os 50 anos de carreira.

Veja trecho da entrevista que foi publicada nesta terça-feira mas que vale ser lida qualquer dia. Para ter acesso ao conteúdo completo clique aqui.

DP – Um dos assuntos que tem ocupado grande parte do noticiário nacional é o julgamento do Caso Mensalão. Do ponto de vista de quem integrou o Governo Lula por quase seis anos, como enxerga esse acontecimento? Tem acompanhado o caso?

GIL – Estou situado na média de interesse geral. Só me incomoda a maneira apropriativa como parte da mídia aborda o assunto, principalmente os anti-Lula. Mas de modo geral, acompanho, até porque estava lá [no Governo] na época em que isso tudo aconteceu. Fica essa cultura da apropriação do Estado para interesses particulares… Eu queria mesmo era que o [caso do mensalão do] PSDB também fosse julgado, já que aconteceu antes. Por que não foi julgado? A imprensa não se interessou? O Supremo [Tribunal Federal] deveria julgar todo mundo junto, para aumentar esse número de réus de 38 para 50 e poucos.

Foto: http://www.facebook.com/gilbertogil.page

Ação que gerou punição de estudante partiu da OAB-PE

internetA Justiça Federal de São Paulo condenou nesta quarta-feira a estudante Mayara Penteado Petruso a 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão pelo crime de racismo.

O crime da estudante foi ofender nordestinos por meio da rede social Twitter.

A ofensa foi publicada no dia 31 de outubro de 2010, logo após a vitória eleitoral da petista Dilma Rousseff sobre o tucano José Serra.

Os maiores índices de votação de Dilma na ocasião foram registrados na região Nordeste.

“Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a Sp: mate um nordestino afogado!”, escreveu a estudante em sua página. As informações são da Folha de São Paulo.

A notícia-crime que deu origem ação que, por sua vez, desembocou na punição de Mayara, é de autoria da OAB-PE.

A informação foi motivo de matéria publicada, com exclusividade pelo Diario no dia 04 de novembro de 2010. O texto foi assinado pelo editor do Blog. Relembre aqui ou abaixo:

OAB aciona xenófoba no Ministério Público

O preconceito contra os nordestinos expresso por meio do Twitter na última segunda-feira motivou ação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Pernambuco (OAB-PE).

Hoje, a entidade protocola, no Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP), notícia-crime contra Mayara Petruso, a estudante de direito daquele estado.

Ela é apontada como autora da frase xenófoba que desencadeou uma avalanche de posts agressivos no microblog contra os nascidos na região.

De acordo com informações da assessoria da OAB, a expectativa é que o MPF-SP analise as provas e decida se é cabível a ação penal contra a universitária.
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“Não estou vendo argumentos para que eu não seja candidato”, diz João da Costa

Entrevista com o prefeito do Recife, João da Costa (PT), pré-candidato à reeleição, publicada no Diario , neste domingo:

joao da costaConfiante na vitória que terá na prévia marcada para 20 de maio, o prefeito do Recife, João da Costa (PT), afirmou que tem competitividade para disputar as eleições e que vai esperar até “os 45 minutos do segundo tempo” pelo apoio do seu ex-padrinho político, o ex-prefeito e deputado federal João Paulo (PT).

Ele lembrou que em todas as disputas travadas no partido, os dois estavam juntos. “Espero que isso tudo seja elemento para que ele escolha o caminho que sempre esteve politicamente, que é do meu lado”, comentou.

Nesta entrevista, o prefeito garantiu que sua forma de atuar politicamente se assemelha à da presidente Dilma Rousseff. Mas frisou que não encontrou nenhum mal feito na gestão municipal ao ser questionado se a semelhança era por conta do desmantelamento de esquemas de corrupção.

Com tranquilidade, o prefeito falou sobre a saída dos secretários ligados ao secretário estadual de Governo, Maurício Rands, o posicionamento do senador Humberto Costa, que é contrário a sua candidatura, e a razão de não ter falado até o momento com o ex-presidente Lula.

João da Costa alertou, ainda, sobre o perigo das prévias e lembrou as derrotas sofridas pelo partido. “Espero que não aconteça aqui, mas todo mundo foi avisado. Todos conhecem a trajetória onde o PT foi governo e houve disputa de prévia”, enfatizou. O texto é de Claudia Eloi, do Diario. Leia mais no link abaixo:

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“Ninguém tem voto de cabresto”, diz Maurício Rands

Íntegra da entrevista com Maurício Rands, pré-candidato do PT à Prefeitura do Recife, publicada neste domingo no Diario:

randsMaurício Rands retomou a campanha pela cabeça da chapa do PT na corrida pela Prefeitura do Recife sem meias palavras.

Depois de cinco dias em missão oficial nos Estados Unidos como secretário estadual de Governo, intensificou as costuras e assumiu de vez o discurso de embate com o oponente, o prefeito João da Costa, que tenta a reeleição.

Diz que a vantagem propagada pelo adversário é aparente. E lembra que o fato de o gestor municipal contar com o “exército” de integrantes do Orçamento Participativo e o apoio declarado de presidentes zonais não o impressiona.

Isso porque, ressalta, não existe voto de cabresto nesse processo. “Não é porque um presidente se posicionou, que todos os filiados do PT naquela zona vão seguir a posição que ele recomenda”, frisa.

Ponderado, mas incisivo, diz esperar pela distinção entre a disputa política e o uso da máquina pública no processo eleitoral das prévias – marcadas para 20 de maio.

“Não quero crer que o prefeito vá fazer essa confusão. Utilizar máquina pública para favorecimento político não faz parte do programa do Partido dos Trabalhadores”.

Nesta entrevista, Rands listou “insuficiências” políticas e administrativas na gestão do prefeito para explicar o que levou a tendência Construindo um Novo Brasil a colocar seu nome no páreo.

Cumprindo agenda de secretário mas empolgadíssimo com a pré-candidatura já está até falando na terceira pessoa: “Há uma expectativa dentro do PT e na Frente Popular de que a alternativa Maurício Rands vai permitir uma maior capacidade de respostas da Prefeitura às necessidades da cidade”. Leia no link abaixo:

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Recife favelizado: falta de planejamento na pauta de 2012

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O propagado crescimento em “ritmo chinês” e as previsões de que o país caminha para se tornar a 4ª economia mundial acontecem em ilhas de cifrões que estão longe de incluir todas as classes sociais.

O descompasso entre a aceleração dos percentuais dos negócios e a infraestrutura das cidades revela a incapacidade do poder público de se planejar para absorver impactos sociais inerentes às ondas de crescimento.

Principalmente em países onde a distribuição de renda é historicamente injusta, como é o caso do Brasil.   

Na edição desta quinta-feira, o caderno de Vida Urbana, do Diario, traz matéria que revela o gigantesco aumento da favelização no Recife nos últimos dez anos. 

Trata-se de um fato social que se anunciava já no ínicio os anos 2000 quando o ex-presidente Lula tomou medidas para distribuir renda e estimular consumo (fatores que incentivam o surgimento  empresas para atender as novas demandas do mercado).

Também foi naquela época que começaram a surgir anúncios da vinda de megaempreendimentos em Pernambuco, o que, naturalmente, iria atrair gente de baixa renda em busca melhores dias.

Os sinais estavam dados, mas, ao que parece, os olhos do poder público não enxergaram. O resultado, atestado pelo IBGE, está analisado no texto de Juliana Colares, do Diario.

A questão, que exige medidas urgentes, precisa ser debatido na corrida eleitoral de 2012, quando a Prefeitura do Recife voltará a ser disputada. Veja a materia de Vida Urbana:

Favelização cresce 159,6% em dez anos

recifeAos pés do morro, dois crânios de bode e uma cabeceira de cama fazem a delimitação imaginária do que deveria ser a parte da frente do terreno de Hailton Lopes dos Santos.

Entre os crânios, sua casa – ou o mais próximo que ele conseguiu chegar disso. Homem falante de 55 anos que diz ser líder comunitário, presidente de clube carnavalesco, artista plástico, bonequeiro, técnico em refrigeração e em conserto de eletrodomésticos, ele mora em um cubículo que parece mal se sustentar de pé.

Feito de tábuas de cores e formatos diferentes, mal abriga seu dono e seus quatro companheiros, os cachorros Tobi, Pop, Cenoura e Já Morreu.

Hailton é um dos 349.920 moradores de aglomerados de baixa renda existentes no Recife. Situação de 9,95% dos habitantes de todo o estado e de 6% da população brasileira.

No Recife de 1991, 108.025 pessoas moravam nos chamados aglomerados subnormais, nomenclatura usada para designar favelas, invasões, comunidades de baixa renda, palafitas e outros tipos de assentamentos irregulares.

Em 2000, esse número aumentou para 134.790, uma diferença de 24,7%. O boom ocorreu na década que se seguiria, com um crescimento de 159,6% em dez anos.

Os dados fazem parte do Censo demográfico 2010 – aglomerados subnormais, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Presidência quer DP com cobertura da última visita de Lula

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Um email da asssessoria da Presidência da República enviado hoje à secretaria da redação do Diario de Pernambuco solicita o envio da edição de 28 de agosto de 2010.

Naquele dia o Diario trouxe a manchete ‘O Nordeste no coração do país’, relacionada à mais recente visita do presidente ao estado, ocorridao no dia anterior (27). 

Lula vistoriou as obras de terraplenagem da refinaria Abreu e Lima e deu início à pré-operação da fábrica de fios de poliéster PetroquímicaSuape.

À noite, participou de comício em prol da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e dos candidatos aliados em Pernambuco.

Segundo o email, a Presidência não conseguiu obter o Diario daquele dia. O pedido foi atendido e o exemplar  acaba de seguir para Brasília.

Sérgio Guerra rechaça rótulo de traidor e fala de futuro

Embora seja o mais expressivo representante do PSDB em Pernambuco, o senador Sérgio Guerra anda sumido da campanha estadual.

Aqui é acusado de traidor por gente da oposição e já se comenta que seu distanciamento do bloco liderado pelo senador e candidato ao governo Jarbas Vasconcelos (PMEB) indica uma futura aliança com o governador Eduardo Campos (PSB) que, provavelmente, será reeeleito para mais quatro anos de mandato.

Sobre tais questões, o senador falou com a repórter Silvia Bessa, do Diario. Veja a entrevista abaixo:

“Quem me chama de traidor é a direita”

GuerraEle não faz parte de chapas majoritárias, não integra mais a cúpula de nenhuma delas em Pernambuco e raramente protagonizou eventos políticos aqui este ano.

Mas, a 20 dias do 3 de outubro, já se pode afirmar: o senador, candidato a deputado federal e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, tornou-se a figura mais controversa da eleição estadual e deve estar no centro das principais discussões e rearrumações políticas da fase pós-eleitoral.

Criticado por aliados do candidato ao governo Jarbas Vasconcelos (PMDB) – com o qual foi eleito para o Senado em 2002 – e rotulado como “traidor” por não conter a debandada de prefeitos tucanos que se integraram ao projeto de reeleição do governador Eduardo Campos (PSB), Sérgio decidiu rebater as críticas.

“Não vou deixar que me façam o bode expiatório da campanha”, diz ele, em entrevista ao Diario. “Nunca fui traidor nem desleal. Quem me chama de traidor eu sei quem são. São setores da Direita”.

Não diz em que partido estariamestes “setores”, mas se sabe que suas divergências historicamente são com o DEM.

“Tudo vai ficar claro e no devido lugar, no tempo certo”, despista. O PSDB de Sérgio mais o PMDB e o DEM (ex-PFL) compuseram a antiga aliança que apoiou as duas gestões de Jarbas (1999-2006).

“Gostaria que todos os prefeitos do meu partido apoiassem Jarbas, mas não consegui isso. Como não conseguiu isso o DEM, que tem muito prefeitos apoiando o outro lado, e como não conseguiu o PMDB de Jarbas, que tem seis prefeitos com o outro candidato”, comparou.

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