Rememorando fatos que fundamentaram texto publicado pelo Diario no dia 13 de dezembro de 2003:
É esta matéria que vem sendo apontada por apoiadores da campanha de Daniel Coelho, como um documento que comprova a relação entre Geraldo Julio e o procurador geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon.
Daniel é candidato a prefeito do Recife e vem em ascensão nos levantamentos sobre intenção de votos.
Já se prevê, inclusive, que ele pode estar no segundo turno com o líder das pesquisas, Geraldo Julio, que concorre ao Executivo da capital pelo PSB.
Fenelon assumiu a Prefeitura de Paulista entre 11 e 17 de dezembro de 2003. Ele era o vice-prefeito do município pelo PSB e tomou posse com a prisão do então prefeito Antônio Speck, do PMDB.
O prefeito foi processado por recomendação do Ministério Público de Pernambuco. A denúncia feita à Justiça afirmava que Speck teria pago a mais pela indenização de um terreno para a construção de casas populares.
O prefeito saiu da cadeia no dia 16, após o Tribunal de Justiça acatar liminar. Fenelon então deixou o cargo e Speck reassumiu o mandato no dia 17.
Voltando a 2012:
As histórias de Fenelon e Geraldo voltam a se cruzar. Atualmente procurador geral do MPPE, Fenelon decidiu entrar com recurso contra decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que rejeitou denúncia contra Daniel Coelho.
Deputado estadual, Daniel é acusado por crimes de peculato e uso de documentos falsos, supostamente cometidos na época em que era vereador do Recife – de 2005 a 2010.
Como já dito, o tucano disputa a eleição do Recife com o socialista Geraldo Julio.
A questão pode render processo e inviabilizar a candidatura do tucano. Daniel, naturalmente, vem estranhando a decisão do MPPE de adotar tal postura durante a campanha.
Ainda mais quando as pesquisas apontam o crescimento da sua candidatura.
Fenelon tem afirmado que o fato de o TJPE ter rejeitado a denúncia não significa que Daniel estaria livre das consequências do seu ato.
O que motiva o processo contra Daniel é o chamado escândalo das notas frias.
Veio à tona em 2008, envolveu 26 vereadores e ex-vereadores do Recife, apontados pela autoria de um rombo de R$ 1,2 milhão nos cofres municipais.
Os vereadores foram julgados pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE), que encaminhou o resultado do julgamento ao Ministério Público de Pernambuco.
O MPPE ofereceu denúncias ao TJPE contra cinco ex-vereadores que foram eleitos deputados estaduais.
Dessas, foram acatadas as que tinham como alvo Eriberto Medeiros (PTC), Gustavo Negromonte (PMDB) e Silvio Costa Filho (PTB).
Foram rejeitadas as denúncias contra Daniel Coelho (PSDB) e Francismar Pontes (PSD). Contra este último, o MPPE não recorreu.
Veja abaixo matéria de 13.12.2003 (um sábado).
Nela fica-se sabendo que, ao montar sua equipe para os poucos dias de mandato, Fenelon nomeou o então auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Geraldo Júlio de Melo Filho para a secretaria de Finanças:
Fenelon exonera, nomeia, critica e determina auditoria
Prefeito do Paulista apresentou oito técnicos para as secretarias
Recém-empossado prefeito do Paulista, Aguinaldo Fenelon (PSB) anunciou, ontem, os primeiros nomes do seu secretariado. Do total de 14 pessoas do primeiro escalão, cinco já foram apresentadas. Os outros secretários serão indicados ao longo da próxima semana. De uma só canetada, Fenelon exonerou os secretários da administração anterior e todos cargos comissionados, um grupo formado por 800 pessoas, segundo estimativas. “Tem muita gente que nós não sabemos nem onde está”, desabafou o novo prefeito.
Além de anunciar os secretários de Governo, Finanças, Administração, Ação Social e da presidência da Empresa de Limpeza Urbana do município, que tem status de secretaria, Fenelon apresentou a criação de duas comissões. Uma ficará encarrega de fazer a transição do Governo e a outra de levantar de todo o patrimônio existente na Prefeitura.
Minutos antes de anunciar os integrantes do primeiro escalão, Fenelon denunciou o desaparecimento de parte do computador que estava instalado no gabinete de Speck. “Eles deixaramapenas o monitor. Se o prefeito (Speck) levou a CPU, imagine o resto”, criticou Fenelon, declarando que tudo foi notificado por um oficial de Justiça. De acordo com o Fenelon, será aberta uma auditoria para apurar todas as irregularidade cometidas na Prefeitura.
Sentado na cadeira anteriormente ocupada por Speck, o novo prefeito garantiu que seu secretariado terá caráter técnico. Para secretaria de Finanças foi escolhido o auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Geraldo Júlio de Melo Filho. A pasta de Ação Social será dirigida pela educadora Marinalva Gonçalves. Para a secretaria de Administração foi nomeado o engenheiro civil Sérgio Machado e para secretaria de Governo, o ex-deputado federal Fernando Coelho.
A presidência da Empresa de Limpeza Urbana do Município será dirigida pelo técnico em administração Manoel Francisco Souza. Ontem, Fenelon garantiu que sua administração será compartilhada e que o servidor terá prioridade. “Vamos discutir com os partidos e os servidores a melhor maneira de governar”, garantiu.