A votação da MP dos Portos passou no Congresso. Foi comemorada por governistas, atacada por gente da oposição e expôs fragilidades da presidente Dilma na relação com sua base.
Mostrou ainda que o PMDB pinta e borda e continua imprescindível (ou refém) aos s governos.
A atuação do partido nesses dias de votação da MP está no comentário da coluna Diario Político, assinada por Marisa Gibson, desta sexta-feira.
O PMDB e os outros
“Foram mais de 40 horas de debates, de discussão, de tolerância e de democracia”.
Assim festejou o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN)), o fim da votação da MP dos Portos.
Omitiu, claro, os bate-bocas, tumultos, acusações, e até invasão da Mesa Diretora por um parlamentar, que transformaram o plenário ora numa arena ora num circo, onde o PMDB foi, de fato, o dono do show.
O líder do partido e relator da matéria, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) fez, desfez, negociou, impôs, criticou e por fim, nos últimos momentos da votação, foi o responsável por manobra que evitou que a MP caducasse, como temia o governo.
A discussão foi passada para o Senado e ficou a lição: mais uma vez o PMDB provou que o governo não sobrevive sem o partido.
E se o maior parceiro de Dilma deu trabalho, o resto da base aliada também fez o mesmo, evidenciando a má relação do governo com sua base no Congresso, que não é de hoje.
As queixas contra a maneira como a presidente se relaciona com os parlamentares – na base do grito para impor sua vontade – são recorrentes.
O estresse para conseguir a aprovação da MP dos Portos não foi o primeiro, mas foi sem dúvida um dos mais desgastantes já por conta da sucessão presidencial.
Na votação por exemplo do Código Florestal, em 2012, quando o Palácio do Planalto sentiu o cheiro da derrota na Câmara dos Deputados, Dilma pediu socorro a Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, para garantir os votos da bancada.
O governador não se fez de rogado. Desta vez, no entanto, a MP dos Portos chegou com um gosto amargo para o estado por conta de Suape, Eduardo já está com o pé na estrada presidencial concorrendo com a própria Dilma, e o PSB, como outros partidos aliados, fez cara de paisagem diante dos interesses do governo.









