Com a desistência de Rands, João da Costa aguarda a direção nacional homologar sua candidatura à reeleição

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A assessoria da candidatura do prefeito do Recife, João da Costa, à prévia do PT reafirma que ele permanece no páreo. Não vai desistir em favor do senador Humberto Costa, como fez o deputado licenciado Maurício Rands na tarde desta quarta.

Segundo a assessoria, o prefeito está na sede o Executivo da capital. Ele está esperando que a direção nacional homologue sua candidatura a prefeito do Recife, uma vez que seu oponente abriu mão do confronto.

Só depois desta decisão se posicionará. Se não for reconhecido como candidato, o prefeito permanecerá firme em busca do direito de concorrer a reeleiçao, segundo sua assessoria.

João da Costa e Maurício Rands tiveram reunião na manhã de hoje em São Paulo com o presidente nacional do PT

O prefeito do Recife, João da Costa, e o secretário de Governo, Maurício Rands, tiveram reunião na manhã desta terça-feira em São Paulo com o presidente nacional do partido, Rui Falcão.

Segundo Francisco Rocha, um dos integrantes da direção nacional do PT, a reunião ocorreu na sede do partido. Rochinha, como também é conhecido, não soube informar se foi tomada alguma decisão sobre as prévias da capital pernambucana.

O comando petista vem anunciando desde a última quinta-feira, quando decidiu por uma nova prévia, a  necessidade da construção do consenso no Recife.

Especulou-se que um dos concorrrentes poderia ceder. Também se falou que um terceiro nome poderia entrar no páreo, com a anuência de João da Costa e Rands.

“Não acompanhei a reunião. Mas esse entendimento todos nós do partido estamos buscando”, disse Francisco Rocha.

O PT realizou uma primeira prévia no dia 20 de maio. O resultado deu vitória ao prefeito. Mas o processo foi marcado por denúncias de fraudes nas listas de votantes. As fraudes teriam sido cometidas em favor do prefeito.

O Diretório Nacional decidiu, então, realizar novas prévias (marcadas para o próximo domingo). Foi divulgado, porém, que não houve fraude, mas apenas irregularidades de ordem estatutária.

Logo após a determinação da nacional, houve muita ênfase à necessidade de se desarmar os espíritos em busca de um desfecho consensual: ou alguém sair da disputa ou lançar uma terceiro nome.

Todavia, os ânimos permanecem acirrados. E os ataques continuam se sobressaindo no embate interno pela cabeça da chapa do partido.

Curiosamente, a reunião aconteceu no mesmo dia em que está prevista a chegada da comissão nacional do partido que irá coordenar a preparação das prévias e dará as ordens no dia da votação.

Novas prévias do PT, perdas e ganhos: João da Costa e Rands prejudicados e beneficiados. Pero no mucho

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Desde domingo, quando venceu as prévias mas não levou, o prefeito João da Costa apareceu como o grande derrotado nesse processo.

Diante do peso dos adversários do seu próprio partido – senador Humberto Costa, deputado João Paulo – o desfecho parecia caminhar para o prejuizo máximo: ver o resultado ser anulado e o oponente, Maurício Rands, lançado candidato a prefeito.

Isso tudo permeado pela acusação de fraudar e induzir a Justiça ao erro na polêmica das listas de filiados aptos ou inaptos a votar. Ou seja, corria o risco de ficar com a marca de “fora da lei” e até mesmo de ser processado pela comissão de ética do partido.

Por outro lado, o grupo de Rands vinha demonstrando otimismo extremo nos últimos dias. Acreditava piamente que a direção nacional, que tomou para si a decisão sobre a validade da prévia, iria anular a votação e, quem sabe, apontar o prefeito como culpado.

Enfim, devia estar esperando que a candidatura a prefeito caísse no colo do secretário estadual de Governo ou que fosse indicado um terceiro nome – o senador Humberto Costa foi lembrado.

Mas, nem tanto ao céu nem tanto a terra. A decisão do diretório nacional foi por uma nova prévia. Dia 3 de junho. Desta vez, sob o comando exclusivo dela, a direção nacional. A solução pode ter agradado e desagrado ao mesmo tempo aos dois lados.

O prefeito, claro, segue se sentindo injustiçado. Afinal, ganhou no voto no domingo. Quase 600 de diferença.

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Mas, não se pode deixar de reconhecer que, ao ter se livrado do processo de ordem ética – o que reforçaria a tese de que cometera uma contravenção – ele saiu com alguma vantagem.

Do outro lado, Rands viu suas acusações surtirem efeito. Porém, a anulação da prévia apenas pode ter sido pouco para quem afirmou que João da Costa, pelo que cometeu, não tinha condição de ser candidato no Recife e nem mesmo de permanecer no partido.

Há que se destacar que no meio disso tudo falta explicar onde foram parar as acusações, os dossiês e as provas que apontaram a existência de mais de 1,2 mil filiados irregulares – o que não só ensejaria a anulação, mas a propagada punição ao prefeito.

O que aconteceu? João da Costa apresentou argumentos que fez o PT nacional recuar? Teria ele alguma carta na manga capaz de fazer o partido o engolir? Ou ainda: foram observadas irregularidades nas campanhas em ambos os lados e, por isso, se decidiu que era melhor fazer vista grossa?

Bom, com questões em aberto e ambos os candidatos satisfeitos “pela metade” o PT dá prosseguimento ao seu embate. Esticará ainda mais uma corda já esgarçada e, certamente, aprofundará a crise que já lhe corroi há meses no Recife.

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