Trinta anos das Diretas Já serão celebrados na Alepe nesta 5ª com direito a mostra da documentos do golpe de 64

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A celebração dos 30 anos das Diretas Já, que ocupará o Grande Expediente Especial da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (27), às 10h, incluirá exposição de documentos históricos referente ao golpe militar de 1964.

O material pertence ao acervo da Superintendência de Patrimônio Histórico da Assembleia, e, entre eles, está o livro de posse dos governadores de Pernambuco.

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Datado de 1835, o livro que contém a resolução de vacância do cargo de governador de Pernambuco, alusiva à cassação de Miguel Arraes, e também o registro de sua posse, após a redemocratização.

A sessão foi proposta pelo deputado Isaltino Nascimento (PSB) e prevê ainda homenagem a personalidades que participaram do movimento pelas retomada das eleições diretas para presidente.

virtualiaomanifesto.blogspot.com -

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O ato de reverência será conduzida pelo vice-governador João Lyra Neto, representando, in memoriam, o irmão Fernando Lyra, ex-deputa e ex-ministro da Justiça do governo Sarney – o primeiro da retomada da democratização.

Com informações da assessoria de Isaltino Nascimento.

Trinta anos da Diretas Já e 20 anos do Plano Real podem inflamar protestos e influenciar campanha deste ano

foto: colunistas.ig.com.br

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Além da Copa do Mundo e dos protestos que podem voltar em junho/julho, dois aniversários devem ocupar a pauta política do Brasil neste ano de eleição.

Os 30 anos das Diretas Já e dos 20 anos da criação do Plano Real têm “potencial” para trazer o passado para o debate e influenciar na campanha presidencial.

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Desde o início deste mês as Diretas estão sendo relembradas e festejadas.

Já o Real deve começar a motivar discussões sobre as transformações vividas pelo país a partir da estabilização da moeda.

De 30/06/1994. Foto: Ayron Santos/DP/D.A Press

De 30/06/1994. Foto: Ayron Santos/DP/D.A Press

Neste último caso, é bem provável que o pré-candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, faça do Plano um “cabo eleitoral”.

Afinal, a idealização do projeto, a elaboração das medidas do governo (Itamar Franco) e a execução das reformas econômica e monetária foram tocadas pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que acabou se tornando, no ano seguinte, o primeiro Presidente da República tucano.

De 01/01/1995. foto: Eraldo Peres/CB

De 01/01/1995. foto: Eraldo Peres/CB

Já as Diretas devem ser exploradas pelos presidenciáveis indistintamente. Isso porque de alguma maneira os que aparecem como possíveis concorrentes têm alguma conexão com a campanha que, em plena ditadura militar, mobilizou as massas pela recuperação do direito de votar para presidente.

Fernando Lyra e sua atuação no front das “Diretas Já”

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Na tarde de 24 de abril de 1984, Fernando Lyra deixou Brasília, rumo a Belo Horizonte (MG).

Então deputado federal por Pernambuco e primeiro secretário da Câmara, seria entrevistado na manhã do dia 25 pelo jornalista Carlos Monforte, no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo.

O estúdio da emissora em Brasília ficou vazio naquele dia. Resultado de um dos penúltimos suspiros da ditadura militar que tomara o poder 20 anos antes.

O governo, comandado pelo general João Baptista de Figueirêdo, proibira qualquer cobertura jornalística do fato político que ocorreria naquela noite na Câmara: a votação da emenda Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento de eleição direta em todos os níveis.

Com o impedimento, o telejornal matutino da Globo, ancorado na época a partir de Brasília, foi transferido para Minas.

Encarregado de fazer a chamada dos deputados para a votação, Lyra foi o principal entrevistado daquela edição, que tinha a emenda como o assunto do dia.

“Viajei um dia antes da votação, dormi em Belo Horizonte, fiz o programa e voltei logo depois”, relembrou em entrevista que fiz com ele em 2009 para o Diario sobre os derradeiros atos da ditadura.

Resgatei esta história para sublinhar a importância do homem que Pernambuco e o Brasil perdeu ontem.

Ele foi ator de papel relevante num dos momentos mais expressivos da história recente do país.

A emenda acabou derrotada por não ter atingido o quórum necessário para ser remetida para apreciação do Senado.

Mas o país, que se mobilizara exigindo “Diretas Já”, estava mudando, se redemocratizando.

E Lyra sairia desse episódio cacifado para tornar-se ministro da Justiça.

Relembre matérias sobre livro e trajetória de Fernando Lyra

Matérias publicadas pelo Diario em 15 de março de 2009 tratavam do livro Daquilo que eu sei, que o ex-ministro Fernando Lyra lançaria dias mais tarde com a presença do governador Eduardo Campos, Aécio Neves e José Serra.

Os textos, de André Duarte, trazem informações preciosas sobre a obra e a trajetória de Lyra. Vale muito a leitura:

Daquilo que os políticos sabem, mas não falam

O ex-ministro da Justiça Fernando Lyra é um dos poucos políticos de Pernambuco que se mantém influente mesmo sem cumprir mandato há dez anos.

Articulador nato, foi peça-chave na eleição do colégio eleitoral que consagrou Tancredo Neves como presidente, em 1985.

Representante do MDB “autêntico”, figura importante nos bastidores da campanha pela Diretas Já e fiel escudeiro de Tancredo na transição democrática que culminou na vitória do PMDB sobre a candidatura de Paulo Maluf pelo PDS, o político nascido em Caruaru acabou encontrando um jeito de tornar públicas várias passagens valiosas até então restritas a rodas políticas.

Aos 70 anos, ele lança nesta segunda-feira, no Shopping Paço Alfândega, o livro Daquilo Que Eu Sei, um bem acabado registro de memórias, fotografias, depoimentos e entrevistas que permearam a passagem do ex-ministro por um dos momentos mais cruciais do país.

São mais de 300 páginas que retratam desde o envolvimento com TancredoNeves e a sua morte antes da posse, passando pelo conturbado período em que encabeçou o Ministério da Justiça na era Sarney, até a penosa decisão de afastar-se de cargos públicos.

Está (quase) tudo lá: reuniões de bastidores, traições, a sombra onipresente do regime militar, as diferenças com Ulysses Guimarães, as frustrações pessoais e outras passagens que só as paredes de Brasília testemunharam.

Histórias do autor com personalidades de proa na política nacional, incluindo o presidente Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acabaram retratadas na obra e ajudam a compreender os rumos da nação e os desdobramentos políticos de cada passo feito da década de 1980.

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