Sem Eduardo, PSB-PE enfrenta corrida pelo controle do partido. Desafio é evitar que disputa contamine campanha de Câmara

reproducão tv

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A frase vista no fundo do palco/palanque durante evento que o PSB pernambucano promoveu na última segunda-feira para mobilizar a militância vai exigir um esforço fenomenal para ser convertida em realidade.

Sim, a afirmação “mais unidos do que nunca” não condiz com as divisões que se instalaram na legenda após a morte de Eduardo Campos.

Rapha Oliveira/ESP DP/D.A Press.

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Ainda que a emoção da perda e a obrigação de levar adiante as bandeiras defendidas pelo ex-governador inspirem a retomada da campanha de Paulo Câmara ao governo, o desaparecimento do seu líder-mor fez surgir uma disputa pelo controle do partido.

Nesse momento a “unidade” do PSB está personificada em Renata Campos e sua disposição para “trabalhar por dois”. Internamente, todavia, as diferenças se acentuam.

A escolha do vice de Marina Silva na chapa presidencial tornou-se o objeto mais evidente da discórdia.

O prefeito do Recife, Geraldo Julio, teria resistido com veemência ao nome do deputado federal Beto Albuquerque (RS), contrariando grande parte dos socialistas, que indicaram o gaúcho.

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A ex primeira-dama, que recusou a proposta, seria a preferida de Geraldo. Se emplacasse a indicação, ele demonstraria prestígio, inclusive no plano nacional, e ganharia pontos na escalada para cristalizar seu projeto de líder.

A atitude do prefeito teria desagradado a muitos setores, que, do mesmo modo, tentam segurar as rédeas da sigla.

Agora, além de administrar a crise de acefalia, o PSB se vê diante da missão de impedir que essa corrida paralela interfira na já complicada campanha de Câmara.

Mais um desafio que se soma aos muitos decorrentes da fatalidade que ora obriga PSB a se reinventar sem Eduardo.

(comentário da coluna Diario Político, assinada pelo blogueiro nesta quarta-feira, 20.08).

Julio Lossio explica concurso de redação com tema de frase de Eduardo: “nossas diferenças políticas cessam com sua morte”

facebook/reprodução

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“Era adversário e não inimigo de Eduardo. Na Bíblia, temos uma frase que diz: na morte tudo cessa. Acredito que nossas diferenças administrativas e políticas cessam com sua morte”.

A declaração é do prefeito de Petrolina, Julio Lossio, ao comentar, por email, o concurso de redação lançado nesta terça-feira por ele com o tema “não vamos desistir do Brasil”.

A frase foi proferida pelo ex-governador e presidenciável Eduardo Campos em entrevista concedida por ele ao Jornal Nacional há uma semana, um dia antes do acidente aéreo que vitimou o ex-governador.

“Como prefeito de uma cidade importante achei por bem fazer uma homenagem que seja também uma reflexão acerca da frase que chamou muita atenção de todos. Não vamos desistir do Brasil”, escreveu.

“Além dos aspectos políticos envolvidos, acredito que está frase tem aspecto filosófico que pode despertar o interesse das crianças e jovens acerca dos valores da cidadania do povo brasileiro”, completou.

Humberto diz que Eduardo seria o adversário mais duro num 2º turno e admite que comunicação do governo Dilma é falha

Everson Verdiao/Esp.DP/D.A.Press

Everson Verdiao/Esp.DP/D.A.Press

O senador Humberto Costa afirmou nesta segunda-feira que Eduardo Campos seria o adversário mais difícil de ser batido num eventual segundo turno com a presidente Dilma Rousseff (PT).

“Se Eduardo chegasse ele seria mais forte que Aécio. Ele poderia ter votos tanto do PSDB quanto do campo da esquerda representado por nós, afirmou em entrevista ao programa ama Em Foco com Aldo Vilela, na Rádio Globo Recife 720 AM.

O senador avaliou que o desaparecimento de Eduardo não deve provocar mudanças na disputa estadual.

Em Pernambuco, o senador Armando Monteiro (PTB), candidato ao governo de Pernambuco com apoio do PT, lidera as pesquisas de intenção de voto.

Segundo pesquisa Datafolha publicada na última sexta-feira (15), Armando tem 47% e o candidato do governo, Paulo Câmara (PSB) tem 13%.

“Do ponto de vista local, acredito que o quadro não deve mudar significativamente, talvez (seria diferente) se a campanha já tivesse tomado um corpo maior, com a televisão e houvesse a identificação entre o ex-governador e seu candidato Paulo Câmara e Fernando Bezerra Coelho”.

Para ele, como essa vinculação ainda não tinha sido contruída não houve uma mudança tão significativa no pensamento do eleitorado.

Everson Verdiao/Esp.DP/D.A.Press

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E completou afirmando que talvez falte na Frente Popular alguém com a mesma capacidade política (de Eduardo), que tenha capacidade de unificar.

“Há um sentimento muito forte principalmente no interior, torno da candidatura de Armando de João Paulo (do PT, para o Senado).

Já do âmbito nacional, o senador acredita que mudança é um pouco mais significativa.

“Marina pode ser depositária de uma parte expressiva dos votos dos eleitores”.

Nesta segunda-feira foi divulgada pesquisa Datafolha da corrida presidencial e bela Dilma Rousseff (PT) manteve os 36% das intenções de votos para o primeiro turno da eleição.

Marina Silva, que deve substituir Eduardo, aparece com 21% e Aécio Neves (PSDB) manteve a segunda posição com os mesmos 20%.

Nas respostas espontâneas, onde os pesquisados apresentam seu candidato sem que nenhum nome seja proposto, Dilma cresceu dois pontos percentuais, mantendo-se na margem de erro da pesquisa com 24% das intenções.

Nesse cenário, Marina fica com 5% e Aécio mantém-se em segundo com 11%.

Já na simulação do segundo turno, a noviade é a ascensão de Marina Silva: a ex-senadora está na frente com 47% das intenções de voto num possível confronto com Dilma, que tem 43% das intenções.

Para Humberto, a pesquisa foi muito boa para Dilma, porque ela se manteve no mesmo patamar que tinha antes da morte de Eduardo e chegada de Marina no páreo.

“É uma pesquisa ainda muito contaminada por esse momento de comoção nacional. A presidente Dilma praticamente não perde pontos, e se perde, são pontos recuperáveis. Ela teve um crescimento expressivo na avaliação do governo”.

Editora que preparava publicação com “lado B” dos presidenciáveis, lança perfil de Eduardo em separado

reprodução/LeYa

reprodução/LeYa

Além de seguir como cabo eleitoral do PSB, o ex-governador Eduardo Campos inspira o mercado editorial.

A editora LeYa, preparava-se para lançar “O Lado B dos Candidatos”, mas depois do acidente vitimou o presidenciável do PSB, decidiu desmembrar o volume dedicado ao socialista e lançá-lo separadamente.

A justificativa da editora:

“O dia 13 de agosto ficará marcado como um dos mais trágicos da política brasileira. Morreu Eduardo Campos, uma das raras lideranças surgidas nesse cenário tão combalido da nossa política.

A LeYa tinha no prelo “O Lado B dos Candidatos”, dos jornalistas Chico de Gois e Simone Iglesias.

No livro os autores traçam o perfil de cada um dos candidatos, destacando o lado menos conhecido de cada um, sem os costumeiros recursos pirotécnicos dos “marqueteiros” de plantão, sem maquiagens, sem discursos prontos. 

No contexto dessa tragédia, a LeYa amplia e publica, em separado, o perfil de Eduardo Campos.

Fazer qualquer prognóstico sobre o que acontecerá com o processo eleitoral a partir de agora tornou-se uma tarefa muito difícil.  Os fatos nos atropelaram… Mas a história permanece!

As informações chegaram por indicação de leitor do Blog impressionado com a agilidade da editora. Tal rapidez, todavia, coincide com a utilização eleitoral do acontecido por parte do PSB.

Dúvidas do dia seguinte: Marina vai endossar alianças com PSDB e ex-pefelistas? Por que Renata excluiu ex-senadora do discurso?

Alcione Ferreira/DP/ D. A Press.

Alcione Ferreira/DP/ D. A Press.

A reunião que o PSB promoveu na manhã desta segunda-feira (18) para estimular a militância a seguir adiante após a morte de Eduardo Campos, acabou por lançar dúvidas sobre a entrada de Renata Campos na disputa eleitoral.

A condição de líder informal já foi absorvida por ela. Agora, a expectativa é se a ex primeira-dama assumirá a vice ou até mesmo a cabeça da chapa presidencial paira nos bastidores.

No discurso que fez para a militância – lido no celular – ela abriu espaço para que se especule sobre o arranjo que o PSB fará arrematar a majoritária ao Planalto.

Blenda Souto Maior/DP/D.A Press.

Blenda Souto Maior/DP/D.A Press.

Principalmente depois que nomes de peso do PSB, a exemplo da deputada Luiza Erundina (SP), alertaram para o fato de Marina Silva não ser e nunca querer ter sido socialista.

Quer dizer, a ideia de lançar Marina, que ocupava a vice de Eduardo, como substituta imediata de Eduardo, pode estar sendo repensada.

E Renata, que tinha sido lembrada para a vice, pode, quem sabe, ser alçada ao lugar de presidenciável do PSB – reforçando a tradição de sigla “familiar”.

Blenda Souto Maior/DP/D.A Pres

Blenda Souto Maior/DP/D.A Pres

Na fala, a ex primeira-dama não citou o nome de Marina e deixou claro que está disposta a se envolver nas atividades eleirtorais. Afirmou ter a sensação de que terá de trebalhar por dois na campanha.

E salientou a frase dita pelo marido, já transformada em slogan: “Fica tranquilo, Dudu, teremos a sua coragem para mudar o Brasil. Não desistiremos do Brasil. É aqui que cuidaremos dos nossos filhos”, disse, ao lado dos cinco herdeiros.

“Pode parecer que nosso maior guerreiro não está na luta. Mas seu sonho está entre nós”, salientou.

Ela também destacou a importância de o PSB eleger a chapa majoritária em Pernambuco – Paulo Câmara (governador), Raul Henry (vice) e Fernando Bezerra Coelho (senador) – como era o desejo do marido.

Voltando ao silêncio sobre Marina:

Pode-se afirmar que a reunião era destinada à militância de Pernambuco. Mas o evento. assim como o velório e enterro, estava sendo coberto pela imprensa de todo o país.

Além disso, Pernambuco é, digamos assim, o berço do PSB.

Portanto, um encontro tão simbólico como foi o desta segunda-feira, não poderia deixar, jamais, de fazer referência à provável candidata ao Planalto.

O silêncio em relação a Marina, claro, acabou por ganhar relevância nesse momento pré-definição da chapa.

Ainda mais quando se sabe que há resistência em relação à ex-senadora.

Tanto que o PSB está preparando, num documento, um inventario com todos os acordos firmados por Eduardo nos estados.

A ideia é que Marina assine-o, garantindo que honrará alianças que sempre abominou com PSDB, PT e ex-pefelistas.

E aí? Se Marina assinar, irá aos estados e posará com fotos ao lado de Geraldo Alckmin, em São Paulo, e Paulo Bornhausen, em Santa Catarina?

E, se não assinar, o PSB tem nome para por na cabeça chapa?  E, com a recusa, ela permanece na vice?

E, ainda: o PSB está disposto a perder uma candidata competitiva pelo fato de ela não ter sintonia com as alianças do partido?

Por essa e outras é que a exclusão de Marina do discurso deixou totalmente em aberto a definição da chapa do PSB e colocou Renata como potencial ocupante da cadeira de presidenciável.

Parabéns – O evento, que reuniu dirigentes nacionais estaduais do PSB, acabou ainda se transformando numa comemoração pública do aniversário da ex primeira-dama, que completa, nesta segunda, 47 anos.

Ao lado dela estavam, além da chapa majoritária da aliança governista, a Frente Popular, candidatos proporcionais, marqueiteiros e lideranças dos partidos da coligação.

Sem sucessor natural de Eduardo, PSB eleva Renata, a viúva, à condição líder informal do partido

Nando Chiappetta/DP/ D. A Press.

Nando Chiappetta/DP/ D. A Press.

O PSB fez o que estava sendo desenhado nos dias que separaram a notícia da morte e o enterrro do ex-governador Eduardo Campos: elevou Renata, a viúva do socialista, à condição de líder-mor do partido.

Ainda que informalmente – Sileno Guedes é o presidente do PSB-PE e Roberto Amaral assume interinamente o leme nacional -, ela, como ninguém, personifica a liderança do marido.

Eduardo, além de principal comandante era o presidente nacional da sigla, e mantinha o partido sob o seu controle. Isso significava que o papel de líder era exercido por ele. Só por ele.

Consequentemente, o funcionamento do partido era totalmente dependente das decisões do ex-governador.

Nando Chiappetta/DP/ D. A Press.

Nando Chiappetta/DP/ D. A Press.

O nome que, de fato, era mais próximo e de confiança plena de Eduardo era mesmo o de Renata.

Ela, como se sabe, era sempre ouvida pelo marido. Embora discreta, era a “conselheira” de Eduardo. Emitia opiniões sobre o partido, alianças e gestões.

Como primeira-dama, este à frente de duas iniciativas reconhecidas: o programa Mãe Coruja, que atende gestantes e crianças em Pernambuco, e a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte).

Portanto, nada mais lógico que o bastão fosse entregue a Renata. Segundo comentário de um socialista pernambucano, ela conseguirá colocar o partido no eixo, principalmente no estado.

Já nos dias que antecederam o velório e durante toda a cerimônia, ela demonstrou força e serenidade.

Chegou a agendar, ainda no sábado, horas antes de o corpo chegar ao Recife, uma reunião com a militância para esta segunda (18) (assunto do próximio post).

Emoção vira principal cabo eleitoral do PSB: dose do uso da comoção popular pode ser remédio ou veneno

Julio Jacobina/DP/D.A Press

Julio Jacobina/DP/D.A Press

Passados os cinco dias que jamais terminarão em Pernambuco, é hora de retomar as observações sobre o processo eleitoral.

E é óbvio que o desaparecimento do ex-governador Eduardo Campos, um ator que tinha presença na disputa nacional e influência no embate estadual, provocará modificações no cenários.

Nesse tempo entre a notícia da morte até o sepultamento o PSB não deixou de se articular em relação à rearrumação da chapa presidencial.

Também agiu para que o clima de campanha fosse mantido em meio à dor da despedida do seu líder maior.

Julio Jacobina/DP/D.A Press

Julio Jacobina/DP/D.A Press

O novo slogan retirado de uma frase dita por Eduardo em entrevista ao Jornal Nacional um dia antes do acidente que tirou sua vida  – “não vamos desistir do Brasil – foi massificado.

Estava em camisetas pretas e amarelas – cor-símbolo do PSB -, faixas, nas declarações,

E já foi anunciada pelo presidente-adjunto da legenda, Roberto Amaral, como o lema para o pós-Eduardo.

ando Chiappetta/DP/D.A Press

ando Chiappetta/DP/D.A Press

À imprensa foi informado que a ex-senadora Marina Silva, que era candidata a vice de Eduardo, deve ser confirmada como cabeça da chapa nas próximas horas. O novo escolhido para a vice também.

O candidato a governador pelo PSB, Paulo Câmara, teve o nome lembrado em carros de som no momento velório.

Ele está em segundo lugar na pesquisa Datafolha, com 13% das intenções de voto, contra 47% do candidato da oposição, senador Armando Monteiro (PTB).

No cortejo entre o Palácio do Campo das Princesas e cemitério, Marina e Câmara apareceram em cima do carro do Corpo de Bombeiro acenando para a multidão.

Ricardo Fernandes/DP/D.A Press.

Ricardo Fernandes/DP/D.A Press.

Quer dizer, ao mesmo tempo em que chorou o falecimento de Eduardo, o partido ajustou discurso e estratégia à tragédia de modo a não arrefecer o clima de campanha.

Agora, com o presidenciável morto, a emoção será o cabo eleitoral do PSB. Tanto no plano federal.

A dose da utilização eleitoral da comoção popular é que será o fiel da balança nessa reviravolta toda.

Ansiedade (como o visto no velório) e excessos costumam ser veneno e não remédio.

Além das especulações sobre a candidatura de Marina, PSB enfrenta polêmica do vice

Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

A morte do ex-governador Eduardo Campos fez a aliança entre o PSB e a Rede Sustentabilidade estremecer de vez.

Além da divisão que paira sobre a entrada de Marina Silva na cabeça da chapa presidencial do PSB, agora surgem especulações acerca de quem deve ficar com a vice.

Já afirmam que Marina quer a viúva de Eduardo, a ex primeira-dama Renata Campos, como companheira de chapa.

Ivan Melo/ Esp. DP/ D.A.Press

Ivan Melo/ Esp. DP/ D.A.Press

Seria uma maneira de homenagear o líder socialista e manter viva a imagem da família Campos na própria chapa presidencial.

O irmão único de Eduardo, Antônio Campos, também aparece como possibilidade. Ele defendeu, nessa quarta-feira, o nome de Marina como substituta do irmão.

Já se falou até mesmo que o deputado federal Roberto Freire, presidente nacional do PPS, pode ficar com a vaga. Embora represente São Paulo, ele é pernambucano.

O PSB, que sempre viveu sob o pulso forte de um único líder e acostumado a decisões decisões monocráticas, enfrenta um momento de acefalia.

Marina divide o PSB. Sob o impacto da morte de Eduardo, partido debate se ex-senadora encabeçará ou não a chapa presidencial

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Sem Eduardo Campos, um cenário renovado na corrida presidencial começa a aparecer. Marisa Gibson trata do assunto na sua coluna Diario Político, nesta sexta-feira, 15. Veja:

A nova corrida

Sem Marina Silva concorrendo à Presidência da República dificilmente haverá segundo turno na eleição; sem Eduardo Campos, Pernambuco sai da cena nacional e se recolhe ao plano regional, e os socialistas pernambucanos podem perder o controle do PSB.

Esses são três motivos suficientemente fortes para que o irmão do ex-governador Antônio Campos tenha, em pleno luto, divulgado carta defendendo o nome da ex-ministra para encabeçar a chapa do partido na sucessão presidencial.

Essa é a dinâmica da política. O impacto da morte de Eduardo ainda não passou,  mas o prazo de dez dias, a partir de sua morte, para que o PSB registre uma nova chapa no Tribunal Superior Eleitoral, começa a expor a disputa interna dentro do partido.

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A possível candidatura de Marina a presidente da República é o meio mais seguro de se manter brilhando a aura de Eduardo ao longo da campanha e, dessa forma, assegurar à legenda  uma votação significativa levando a disputa para o segundo turno.

Não é à toa, também, que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), primeiro politico de peso nacional a dar apoio à candidatura de Eduardo, tenha saído da toca e, seguindo a tese do senador gaúcho Pedro Simon, defendido a candidatura da ex-ministra a presidente.

Essa é a única forma de travar uma possível vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno,  e pode ser boa ou péssima para Aécio Neves.

Até agora, quem menos falou foi Marina Silva, cujo projeto tático foi se abrigar no PSB,
enquanto, estrategicamente, esperava pela oficialização da Rede como partido.

Nesse processo, ela foi aceita de braços abertos por Eduardo, escolhida candidata a
vice-presidente, mas nem por isso conviveu em harmonia com muitas lideranças da sigla. Esses socialistas evidentemente estão de  orelhas em pé diante da possibilidade da ex-ministra encabeçar a chapa presidencial do PSB.

E muitas interrogações já se impõem. Se Marina for candidata, quem será o vice? Um pernambucano? Os acordos feitos por Eduardo, tanto no plano nacional como estadual serão cumpridos?

Como vão se comportar os aliados no estado, que se aproximaram da chapa majoritária da Frente Popular diante da perspectiva de  Eduardo ser eleito  presidente ? Como ficarão as alianças com o PSDB, partido para o qual Marina torce o nariz?

Outro problema a se considerar é que no PSB não há uma gradação qualitativa em termos de liderança. O partido cresceu numericamente mas seus líderes, em sua maioria, ainda são anões políticos se comparados ao talento de Eduardo, o que prejudica qualquer solução a curtíssimo prazo.

Para Pernambuco, as perdas vão além do âmbito do PSB. A chama local da legenda pode ser mantida pelos familiares do ex-governador, a exemplo do filho João Campos, que já teve uma candidatura a deputado federal ensaiada.

O estado, porém, pode  sucumbir em termos nacionais. O prefeito Geraldo Julio é um iniciante e sobre o futuro governador pairam muitas incertezas.

Armando Monteiro Neto (PTB) tem muito mais estrada que o seu oponente Paulo Câmara, mas ninguém sabe como o eleitorado pernambucano se comportará diante da morte de Eduardo.

Os dois podem até surpreender na cena nacional, mas uma  candidatura de um pernambucano brilhante a presidente da República, isso, sim, vai demorar.

Lula diz que Brasil não merecia perder Eduardo e que planeja vir para o enterro do amigo

Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Nesta quinta-feira, o ex-presidente Lula falou sobre a morte de Eduardo Campos e fez questão de reafirmar o apreço que tinha pelo socialista.

Ressaltou sua amizade com Campos e falou sobre o que previa como futuro político de seu ex-aliado.

“Acho que o Brasil não merecia isso. Acho que o Eduardo Campos era uma figura extremamente promissora. Ele sabia de alguns pensamentos meus. Eu dizia para ele: ‘Eduardo, não há divergência política capaz de arranhar a relação de amizade que nós construímos. Por mais que a gente possa em qualquer momento ter divergência a nossa relação está consolidada porque nem todo irmão é um grande companheiro, mas todo companheiro é um grande irmão”, afirmou.

07/05/2010. foto: Alcione Ferreira/DP

07/05/2010. foto: Alcione Ferreira/DP

O ex-presidente disse ter sido avisado pela presidente Dilma Rousseff do acidente. “Quando a presidente Dilma me ligou me contando da possibilidade – não tinha certeza ainda porque foi o brigadeiro [Juniti] Saito (comandante da Aeronáutica) que comunicou a ela do acidente – eu fiquei o dia inteiro torcendo para que não fosse verdade”, afirmou.

Lula disse ainda que não se deve tentar antecipar os fatos em relação à sucesão presidencial sem Eduardo. Informou que falou com a mãe e com a mulher de Campos _ Ana Arraes e Renata Campos, respectivamente -, e que havia suspendido sua agenda. Declarou ainda que planeja acompanhar o enterro do amigo em Pernambuco.

Lula disse que sua relação com Campos era tão intensa que chegava a despertar ciúmes no PT.

Foto: Diario de Pernambuco

Foto: Diario de Pernambuco

“Eu lembro até de uma certa ciumeira que existia no PT por conta da minha relação com Eduardo quando ele era governador de Pernambuco. Alguns amigos diziam que eu fazia mais coisas para Pernambuco do que para outros estados. Não era verdade. Era que o Eduardo tinha competência, apresentava projeto”, afirmou.

Destacou que Eduardo era uma pessoa alegre, um contador de casos extraordinário. “Era gratificante passar algumas horas na casa dele, jantando com  a família dele, com o [escritor Ariano] Suassuna. Acho que nós perdemos em poucos dias o Suassuna. Agora perdemos o Eduardo e já tínhamos perdido em dezembro um companheiro da qualidade do Marcelo Deda que morreu também muito jovem”, disse Lula. Do G1