Sem Eduardo Campos, Fernando Bezerra Coelho vai demonstrando ser o nome mais “nacionalizado” do PSB pernambucano

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O senador Fernando Bezerra Coelho reuniu-se nesta sexta-feira (27) em São Paulo, com o vice-governador do estado, Marcio França, para traçar estratégias que atraiam Marta Suplicy para o PSB.

Socialistas querem a senadora na cabeça da chapa para disputa da prefeitura da capital paulista em 2016, concorrendo com o atual prefeito, Fernando Haddad.

E Fernando Bezerra vai demonstrando ser o nome mais “federalizado” do PSB pernambucano.

Já esteve com o ex-presidente Lula, assumiu o comando da comissão mista permanente sobre Mudanças Climáticas no Senado e agora faz articulações em São Paulo.

Palácio reage à movimentação de Fernando Bezerra Coelho. Visita de Lossio a Paulo Câmara é um exemplo

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

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Além de significar busca de apoio administrativo para um ano que promete ser de arrocho econômico e seca, a audiência do prefeito de Petrolina, Julio Lóssio (PMDB), com Paulo Câmara, na semana passada, foi entendida como recado para Fernando Bezerra Coelho (PSB).

O senador, cujas bases estão no Sertão do São Francisco, age com autonomia que incomoda do Palácio do Campo das Princesas.

O senador socialista, especula-se, pode deixar o PSB e age para relançar o deputado Fernando Filho à Prefeitura de Petrolina em 2016, em oposição ao grupo de Lóssio.

Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

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O Palácio, então, trata de se aproximar do prefeito. O fato de ele ser do PMDB, do vice-governador Raul Henry, só facilita o diálogo.

Entre socialistas, a movimentação de Fernando Bezerra Coelho é vista, pelo menos por enquanto, com bom humor. Há quem diga que o homem vive como um WhatsApp, em ação ininterrupta.

Fernando Bezerra Coelho age para ganhar força política, eleger prefeitos em 2016 e construir sua candidatura ao governo em 2018

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Análise da coluna Diario Político deste domingo (22) apresenta um painel dos bastidores do jogo de poder em curso na base governista em Pernambuco.

Assinado por Marisa Gibson, o texto indica que as próximas disputas eleitorais podem ter o senador Fernando Bezerra Coelho no centro de rompimentos e reviravoltas. Confira:

O xadrez de 2015

Com a mesma desenvoltura com que tomou café da manhã, na semana passada, com o governador Paulo Câmara (PSB), o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) já manteve longas conversas com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), entre outras lideranças nacionais, e foi dele a ingerência junto ao ex-ministro Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, para colocar o deputado federal Wolney Queiroz (PDT) no comando estadual do PDT, passando à frente do ministro Armando Monteiro Neto (PTB), que tinha um nome para este posto.

Wolney Queiroz tem uma relação fraternal com Fernando Bezerra Filho, líder do PSB na Câmara dos Deputados, e essa amizade foi fundamental para o senador interceder a favor do pedetista. Esses  movimentos mostram que Bezerra Coelho é um animal político rosnando alto e com muita sede em busca de um partido para chamar de seu e que é dele o xadrez de 2015.

Allan Torres Esp DP/D.A press.

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Essa é a leitura que vem sendo feita por aliados e adversários dos gestos de Bezerra Coelho, que poderá ingressar sem pressa – tem até setembro de 2017 para isso – no PDT, partido que busca uma nova roupagem, tendo atraído inclusive a atenção de Cid Gomes, ministro da Educação, e de ACM Neto, prefeito de Salvador.

O senador nega que vá disputar 2018, mas são muitos os que o apontam como eventual candidato a governador. E, para que isso aconteça, não pode ser pelo PSB, o seu partido, que tem Paulo Câmara para disputar a reeleição ou até mesmo o prefeito Geraldo Julio. O voo de Bezerra Coelho só será possível, portanto, em outra legenda.

Bem, para concorrer ao governo do estado, qualquer candidato tem que eleger prefeitos e as eleições municipais do próximo ano serão um termômetro do apetite do senador. Aliados e correligionários de Bezerra Coelho, que tem cerca de 15 prefeitos, podem desaguar no PDT de Wolney Queiroz e, para quem vai disputar 2016, o prazo de filiação é setembro deste ano.

Assim como o calendário não para, quem busca voto também não: Daniel Coelho e Fernando Bezerra são exemplos

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Políticos bem que se esforçam para convencer que, passada uma eleição, descem dos palanques para se dedicar aos mandatos.

Desconversam, negam, silenciam, mas as movimentações prosseguem e, inevitavelmente, ganham contornos eleitoreiros.

Entre os que têm projetos majoritários, então, o corpo a corpo só evidencia o interesse pelas urnas do próximo pleito.

Daniel Coelho, que acaba de ser eleito deputado federal pelo PSDB, mas, como sabido, é pré candidato a prefeito do Recife, tem marcado presença em eventos dos mais variados segmentos.

No pós-eleição, fez palestra em faculdade privada, discursou em festa religiosa no Jordão, foi rezar no Morro da Conceição, esteve nas confraternizações do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Saúde Bucal e dos moradores de Coqueiral e da Imbiribeira, prestigiou a festa do Arco-Íris, no Totó, e os festejos em homenagem a Santo Amaro, em Jaboatão (onde muitos moradores votam no Recife).

alternativa fm/divulgação

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O senador eleito Fernando Bezerra Coelho, cujo nome sempre aparece entre os cotados para concorrer ao Palácio do Campo das Princesas, é outro que tem circulado diuturnamente.

Diferentemente de Daniel, a área de abrangência do socialista é o estado. Já foi a mais de 30 municípios e conversou com pelo menos 90 prefeitos.

Somente na posse da nova diretoria da Comissão de Desenvolvimento do Agreste Meridional (Codeam), na semana passada em Garanhuns, encontrou-se com 30 deles.

Quer dizer, assim como o calendário não para, quem busca (e depende de) voto também não. Dois mil e dezesseis e 2018 estão logo ali.

Além da divergência sobre a relação PSB X governo federal, possível concorrência em eleições futuras alimenta embate FBC X Câmara

Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

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Se, numa trincheira o governador Paulo Câmara busca reatar laços administrativos com a presidente Dilma Rousseff, em outra o senador eleito Fernando Bezerra Coelho argumenta que é preciso ir além e já debater alianças.

O primeiro rejeita qualquer relação que seja entendida como um reaproximação partidária. O segundo lembra que mais cedo ou mais tarde o PSB terá de discutir qual será política de alianças e que não se deve esquecer da identidade centro-esquerda do PSB.

As diferenças expostas por Câmara e Bezerra Coelho no que diz respeito ao relacionamento com o governo federal têm por trás um cabo de guerra que começa a ser esticado no PSB pernambucano.

Desde que o senador eleito foi preterido por Paulo Câmara no processo de montagem do secretariado, desconfianças da cupula do partido com FBC, surgidas após a morte de Eduardo Campos, vieram à tona.

Muitos acreditam que o senador eleito se movimentou para tirar Câmara da cabeça da chapa e desde então o caminho do governador e o que parece ser o seu grupo (o prefeito do Recife, Geraldo Julio, o presidente do PSB-PE, Sileno Guedes e grande parte do secretariado) não coincide com o caminho de Bezerra Coelho.

Aliás, já se comenta nos bastidores que as futuras disputas do Executivo estadual estariam motivando a contenda.

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

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O senador estaria sendo encarado, veja só, como possível concorrente de Paulo Câmara em 2018 e até mesmo de Geraldo Julio, em 2022.

Ao se posicionar em favor da aproximação com o governo federal e se movimentar pelo estado agradecendo os votos que recebeu, ele pode alimentar a tese de que tem planos de concorrer ao governo do estado.

Nesta quarta-feira, ao visitar São Vicente Férrer, municipio da Mata Sul onde teve a maior votação proporcional para o Senado (mais de 91%), FBC voltou a tocar no assunto do qual mais tem se ocupado, deixando claro que já demarca seu terreno ao reforçar a necessidade de o PSB se aproximar do governo federal e começar a discutir alianças para as próximas eleições.

Em entrevista a uma rádio comunitária local, o senador eleito disse que sua posição está aberta à crítica e ao debate “para que se possa ir acumulando essa discussão e ajudar o PSB a se posicionar politicamente”.

Segundo ele, a morte de Eduardo Campos, o maior líder do PSB deixou uma lacuna que na sua avaliação, não deve ser ocupada nos próximos quatro anos.

“Dificilmente o PSB terá uma figura de nível nacional com poder de liderar um projeto próprio nas eleições de 2018″, disse.

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“Portanto, mais cedo ou mais tarde o PSB vai ter que discutir qual será a política de alianças. Porque vai ter que fazer a opção de ponto de vista das disputas que vão se apresentar em 2016 e 2018″.

Segundo ele, é preciso estar atento à trajetória de lutas do PSB. “O PSB é de centro-esquerda, que, no plano nacional, sempre teve uma aliança estratatégica com o PT. E, portanto, acho importante fazer uma avaliação da conveniência de aproximação com o governo federal”.

O senador eleito afirmou que respeita opiniões contrárias à sua mas entende que ao longo dos próximos seis meses esse debate vai ter ser aprofundado.

“A gente precisa firmar uma posição para que a gente possa merecer o apoio, se não a  unanimidade, mas pelo menos da maioria dos que militam no PSB”.

Ao ser questionado sobre o que achava da reação de Paulo Câmara, que rechaça a aproximação do PSB com o PT,  Bezerra Coelho disse que não defende entendimento com o Partido dos Trabalhadores, mas com o governo federal.

“O governo federal é formado pelo PT e muitos outros partidos políticos. Acho que ainda tem uma certa carga de emoção ao se tratar disso. Mas à medida que o tempo avançar o debate vai decantar e vamos estar atentos para ver qual será a posição do PSB”.

Ele lembra que do ponto de vista formal, o PSB ja tomou posição de equidistância. Nem  oposição nem situação, de independência.

“Mas essa posição não vai perdurar”, diz. “Vai ter que avançar. Se minha premissa estiver certa, o PSB vai ter que fazer opção sobre o raio de suas alianças para a disputa das eleições”.

 

Dilma não consegue virar a pauta. Mesmo com pacote, denúncias da Petrobras conduzem debate no país. Reformas não são citadas

governo federal

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Diante da agenda negativa em que as denúncias de corrupção na Petrobras dividem manchetes com críticas ao ministério fisiológico (incluindo os nomes anunciados nesta segunda-feira, 29, LEIA AQUI) a presidente Dilma Rousseff (PT) caminha para a posse no segundo mandato sem encontrar um modo de virar a pauta e instalar um debate mais produtivo para o governo.

E o que já foi divulgado até agora sobre o tom que ela usará no discurso de posse na próxima quinta-feira não ajuda.

“Manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”, são termos de conteúdo óbvio e que se diluem diante da premência de medidas que inibam a troca de favores e a chantagem dos partidos na sempre condenável relação entre eleitos e base de apoio.

Foto: governo federal

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O pacote divulgado ontem foi mais um a tratar de correção de falhas da gestão e, propondo arrocho aos trabalhadores, não será capaz de inverter o quadro desfavorável (LEIA AQUI).

Por que não começar a anunciar um esboço de projeto de reforma política? Por que não apresentar o que pode ser feito pela adoção do financiamento público de campanha e imposição de limites para a criação de partidos?

O senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PSB) acha que a presidente erra ao não anunciar o que pretende fazer para que as reformas exigidas pela população sejam implementadas e permitir que o desgaste do escândalo da Petrobras continue a dar as cartas no governo.

...

Para ele, o novo ambiente criado no país exige novas posturas e Dilma, com o know-how político adquirido na primeira gestão, deveria ter virado a pauta, principalmente porque não terá lua de mel com o Congresso.

Coelho, embora na oposição, parece mais incomodado – e mais lúcido – que muito governista diante da conhecida difuldade que a presidente tem de gerenciar crises. Por essas e por outras é que, já se prevê, FBC deve reforçar o bloco “socio-dilmista” já existente no Senado.

Diferentemente de outros anos, em 2015 o PSB terá de administrar rusgas internas e encarar a oposição, que renasce na Assembleia

reproducão tv

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As duas notas a seguir estão publicadas na Coluna do Blog desta segunda-feira (22) na versão impressa do Diario e tratam de aspectos diferentes de um mesmo tema: desafios do PSB para 2015.

Mesmo dispondo das máquinas estadual e no Recife, o partido começa 2015 dentro de um contexto bem distinto dos anos anteriores.

Sem a liderança – forte e inquestionável – de Eduardo Campos, terá de desdobrar para segurar aliança e aparar arestas que aqui e ali revelam insatisfações de aliados.

A primeira nota, “Inclusão”, informa que Armando Monteiro quer conversar com o PT para reforçar a oposição na Câmara do Recife, já de olho na disputa da Prefeitura, em 2016.

E acrescenta que se quiser, o novo ministro de Desenvolvimento tem campo fértil para incluir socialistas nas articulações.

Afinal, a vereadora Marília Arraes e senador eleito Fernando Bezerra Coelho nutrem diferenças com o comando do PSB.

Helder Tavares/DP/D.A Press

Helder Tavares/DP/D.A Press

A outra nota, intitulada Embaçado, diz que em nome de projetos políticos, Eduardo levou o PSB a superar mágoas com Jarbas Vasconcelos.

O ressentimento com FBC, porém, parece ter fôlego para vários mandatos.

Fernando teria, após a morte do ex-governador, tentado mudar a chapa majoritária que concorreu ao governo do estado.

Como o episódio nunca foi esclarecido plenamente, a fumaça da desconfiança não dissipa.

Bom, soma-se ao bloco dos descontentes o governador João Lyra, que em entrevista ao Diario nesse domingo (21), revelou incomôdos e ressentimentos relacionados ao processo de escolha do candidato ao governo e apontou que a liderança do governador eleito Paulo Câmara não é automática.

 

 

reprodução/facebook

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“Cargo dá certas credenciais, mas não define liderança. Há nomes no estado, mas tem um caminho a se percorrer até a liderança, que não existe por indicação. Tem que ser construída”, disse Lyra.

Quer dizer, Paulo Câmara e o grupo que ele escolheu para dar as cartas no governo terão caneta na e muito poder nas mãos.

Mas, diferentemente de anos anteriores, terão de administrar descontentamentos – dentro do PSB principalmente – e a força da oposição que começa a renascer na Câmara do Recife e na Assembleia Legislativa.

Mudança de status na relação do comando do PSB com Fernando Bezerra explica insatisfação do senador eleito com setores do partido

Allan Torres Esp DP/D.A press.

Allan Torres Esp DP/D.A press.

O fato de ter estado ao lado dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos, de ter se mantido fiel ao PSB em momentos vacas magras, pode explicar a indignação do senador eleito Fernando Bezerra Coelho com o distanciamento e a pouca atenção com que vem sendo tratado pelo atual comando socialista em Pernambuco.

A nota que FBC divulgou no momento em que o governador eleito Paulo Câmara anunciava o secretariado, há uma semana, expôs a rusga e gerou uma crise que se pensava superada, mas pelo que se observa nos bastidores, segue firme rumo à posse.

Na nota, o senador não sublinhou sua relação com e Arraes e Campos. Mas não precisava.

Ter sido ouvido apenas na reta final da construção do secretariado e ficar sabendo, por mensagem eletrônica, que a indicação que o governador lhe pedira para a secretaria de Desenvolvimento fora descartada, foi algo indigesto.

Principalmente para quem tem uma história longa com a Frente Popular. Desde a candidatura de Arraes ao governo em 1986 até a eleição deste ano, quando Eduardo concorreria à Presidência da República.

Em 1990, o pai de FBC, Paulo Coelho, foi o vice na disputa do governo. Na época Arraes ainda era aliado de Jarbas Vasconcelos, que ocupava a cabeça da chapa.

Em 1994, quando Arraes foi eleito para o terceiro mandato de governador, Eduardo foi o segundo deputado federal mais votado, com apoio de Fernando (rompido com o tio Osvaldo Coelho, que ficou em sexto) em Petrolina.

Em 1998, no pleito em que Arraes foi derrotado por Jarbas ao tentar ser reeleito, FBC estava lá. Foi o candidato a vice.

Já no período 2007-2014, nos governos de Eduardo Campos, teve destaque no PSB, sendo secretário de Estado e ministro do governo Dilma. Agora, tem um mandato de oito anos pela frente.

Quer dizer, na era Eduardo o senador pode não ter tido o protagonismo que sonhava (foi preterido em disputas majoritárias), mas jamais foi considerado mero figurante.

É esta diferença no status de tratamento que fundamenta o incômodo de FBC.

Essa situação, aliás, evidencia que falta ao PSB “pós Eduardo” habilidade para administrar diferenças e desconfianças.

Insatisfação de Fernando Bezerra com tratamento de Paulo Câmara é ponta de iceberg da desconfiança de grupos do PSB com senador

Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Annaclarice Almeida/DP/D.A Press

Quando se pensava que a crise da montagem do secretariado seria a insatisfação do PSDB com o latifúndio que lhe restou, o ex-ministro e senador eleito pelo PSB Fernando Bezerra Coelho se insurge.

Descontente com o tratamento que lhe deu Paulo Câmara, FBC adotou um tom de rompimento com o governo que se inicia em janeiro.

Em nota, revelou ter sido procurado tardiamente para debater o primeiro-escalão e, ainda assim, a indicação que lhe foi pedida, acabou descartada pelo novo governador.

O mais grave, segundo ele relata na nota, é que o comunicado sobre a rejeição se deu por “mensagem”.

Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Desde o início dos trabalhos da equipe de transição que irá governar Pernambuco mantive a expectativa de ser chamado, no momento oportuno, para opinar sobre a formação da nova gestão.

Acreditando que, com a experiência acumulada de quem já foi prefeito, secretário estadual em três gestões, deputado estadual, federal e ministro, teria colaborações a oferecer neste momento tão importante.

Uma conversa chegou a ser marcada para a última quinta-feira, depois remarcada para o sábado.

Nesta reunião, em que não me foi solicitada opinião sobre a nova estrutura de governo e a formação da sua equipe, o governador eleito Paulo Câmara me pediu que indicasse um nome de perfil técnico para liderar a secretaria de Desenvolvimento Econômico, no que foi prontamente atendido.

Na madrugada da segunda feira, porém, recebi mensagem do governador comunicando a sua escolha por um novo nome. Manifestei, também por mensagem, o meu desconforto.

Tomei a iniciativa de registrar as minhas opiniões ao prefeito Geraldo Júlio sobre este processo que hoje se encerra.

Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Como senador eleito de Pernambuco estou determinado a trabalhar pelos interesses do nosso Estado e me coloco à disposição, dentro da minha área de atuação parlamentar, para colaborar com o governo que se inicia, desejando todo o sucesso para a nova equipe.  .

Comentário meu:

A assessoria do senador eleito garante que a conduta de FBC não resulta de um somatório de mágoas acumuladas.

Seria mesmo consequência da desatenção – ou desinteresse – de Câmara com o aliado nesse momento de preparação para o novo governo.

No entanto, não faltam episódios a apontar desconfianças e estremecimentos entre parte do PSB e o senador eleito.

Ainda no final do ano passado, quando se especulava sobre a montagem da majoritária governista para 2014, setores socialistas faziam questão de afirmar que o partido não tinha razão para considerar a presença de FBC na chapa.

Na época, Fernando Bezerra acabara de deixar o ministério da Integração Nacional e era visto como alguém muito próximo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

Nando Chiappetta/DP/D.A Press

A petista, então pré-candidata à reeleição, era a principal concorrente do ex-governador Eduardo Campos, que já havia rompido com governo federal para concorrer ao Planalto.

Já na campanha, logo a após a morte de Eduardo, surgiu a especulação de que FBC teria se movimentado junto à cúpula do PSB para que a chapa estadual, com Paulo Câmara na cabeça, fosse desfeita.

A articulação foi negada, mas, nos bastidores, somou para que o grau de desconforto na relação do senador e alguns socialistas fosse elevado. Aliás, em reserva, alguns não conseguem conviver com FBC.

O ex-ministro tem uma carreira sólida e uma desenvoltura que só os anos de estrada garante.

Além disso, assume posturas independentes que, às vezes, não coincidem com o que pensa – ou defende – o PSB pernambucano.

Por exemplo, na semana passada, ele afirmou que Pernambuco viverá seu melhor ano em 2015 e fez previsões positivas para a economia brasileira.

As “teses” não coincidem com o que vem sendo dito pelo PSB estadual, que prevê tempos obscuros.

Quer dizer, os pensamentos são bem divergentes e a relação que já era estremecida foi elevada à categoria de desentedimento.