Mesmo definida como soft ou light, a oposição começa a ganhar algum corpo no pós-eleição.
O encontro que aconteceu nesta terça entre vereadores (eleitos e reeleitos) e deputados estaduais, aponta para a reorganização de um bloco que pode fazer contraponto ao governo e/ou ao governismo.
Claro que, em tese, os integrantes do PSDB, por exemplo, não devem se posicionar de maneira radical contra a gestão do prefeito eleito Geraldo Julio (PSB).
Do mesmo modo, os tucanos também não deverão ser enfáticos nas críticas e cobranças ao governo de Eduardo Campos no plano estadual. Afinal, como se sabe, PSDB e PSB são afinadíssimos em Pernambuco.
Na eleiçãodeste ano estiveram juntos em inúmeros municípios. Em Jaboatão e Ipojuca, por exemplo, chapas encabeçadas por tucanos foram vitoriosas tendo socialistas como vices.
Acontece que, a despeito de tudo isso, o PSB segue muito próximo do PT, embora alguns integrantes deste partido tenham se sentido traídos pelo governador na disputa do Recife.
E essa proximidade, traduzida na permanência de petistas no governo socialista e na reafirmação da aliança do PSB com o governo Dilma, clareia a posição: o PSDB é oposição no Recife e em Pernambuco.
Mesmo que se pondere ser impossível aos tucanos fazerem um contraponto a Geraldo como fizeram ao PT na gestão de João da Costa, é relevante lembrar: as urnas colocaram a sigla tucana na oposição no Recife.
Daniel Coelho, candidato a prefeito pelo partido, recebeu quase 28% dos votos, concorrendo justamente contra postulantes do PT e do PSB – partidos que governaram a cidade nos últimos 12 anos.
Somando os votos de Daniel com os destinados aos candidatos de oposição, conclui-se que mais de 30% dos recifenses reprovaram as gestões “social-petistas”.
E é com essa convicção que Daniel – retomando o mandato de deputado estadual – assume informalmente o bloco que inclui representantes do PPS, DEM e até do PSOL.
Dentro do PSDB, há quem avalie ser impossível exercer uma oposição efetiva por conta das boas relações e dos laços com o PSB.
Isso, inclusive, foi afirmado em matéria publicada pelo Diario (e disponibilizada pelo Blog) no último domingo:
No entanto, o que se comenta é que Daniel entende que é a legenda tucana está na oposição sim e que precisa agir como tal.
Ele já teria, inclusive, recebido o aval do presidente nacional, deputado federal Sérgio Guerra, e do presidente estadual, Evandro Avelar.
Oficialmente, na reunião desta terça, os oposicionistas decidiram montar uma agenda capaz de refletir o interesse da sociedade.
Independentemente da questão eleitoral, o grupo pretende dar voz aos 30% instisfeitos com a gestão PT-PSB.
Estiveram no encontro com Daniel, as veredoras reeleitas Priscila Krause (DEM) e Aline Mariano (PSDB), os vereadores eleitos André Régis (PSDB) e Raul Jungmann (PPS).
Também marcaram presença a ex-deputada Terezinha Nunes (que reassumirá mandato em janeiro na Assembleia Legislativa) e ainda o presidente do PSOL, Edilson Silva, que, mesmo com mais de 13 mil votos, não se elegeu vereador.
Leve ou pesada, prá valer ou apenas para constar, a oposição começa a se rearticular. E isso por si só é um fato positivo, principalmente porque 2014 se aproxima e a roda promete girar. Veremos o PSB aliado com o PSDB? PSB versus PSDB?