Direção nacional do PT tira autonomia e fragiliza ainda mais partido em Pernambuco

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Seja qual for a razão de o PT optar por não entregar cargos ao PSB – sigla que, embora sem romper, devolveu cargos ao governo federal -, uma coisa é certa.

O PT pernambucano enfraquece e perde autonomia a cada novo episódio da crise com o PSB, do governador-presidenciável Eduardo Campos.

E o senador Humberto Costa e o deputado federal João Paulo, obrigados a seguir as regras da direção nacional, têm a liderança fragilizada.

Na coluna Diario Político desta quarta (25), Marisa Gibson avalia a questão na nota “Perto do nada”. Veja:

Transformado em algo meramente burocrático, o PT de Pernambuco está perto do nada. Depois da eleição de 2012 no Recife, quando os petistas foram abandonados por Lula, por Dilma e pela executiva nacional do partido que preferiram priorizar o projeto do PSB já numa movimentação para 2014, os petistas ficaram sem chão.

O senador Humberto Costa e o deputado João Paulo, que defendiam a entrega dos cargos que o PT ocupa no governo Eduardo, foram obrigados por Lula a engolir seco. Sábia, talvez seja a ala do partido que defende um alinhamento cego a Eduardo.

Abrigar-se na sombra de uma aliança poderosa tem seu preço: não há “lugar ao sol” para muitos

Comentário e nota publicados nesta quinta-feira na coluna Diario Político retratam a desidratação da alguns galhos da imensa árvore em que se transformou a aliança governista em Pernambuco.

Na falta de sol para todos, o viço começa a sumir e a comprometer a sobrevivência de ramos outrora vistosos. Ficar à sombra – ou se acomodar nela – tem seu preço.

Abaixo, estão os dois, comentário e nota. Boa leitura:

Difícil travessia

Foto: Diario de PE

Foto: Diario de PE

Não está fácil a travessia do vice-governador João Lyra Neto do PDT para o PSB. Embora ele tenha afirmado que anunciaria sua decisão neste mês, este assunto no PSB ainda não saiu da fase dos considerando e há informações que o vice-governador estaria reavaliando a sua intenção de trocar de partido.

Pessoas próximas a Lyra Neto argumentam que para ser candidato ao governo do estado ele, necessariamente, não precisa sair do PDT, onde poderia até ter mais autonomia do que filiando-se ao PSB.

Além disso, caso o vice-governador concretize a sua ida para o PSB e o ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB) permaneça no partido, automaticamente um dos dois terá que abrir mão da candidatura ao governo, havendo também risco de se instalar uma disputa interna na Frente Popular, como aconteceu em 2006, quando Sérgio Guerra (PSDB), à época senador e Mendonça Filho (DEM), então vice-governador, disputaram a preferência para ser o candidato ao governo do estado.

E mais: a possível ida de Lyra Neto para o PSB tem mala direta com o município de Caruaru, sua terra natal, onde o PSB é comandado por Jorge Gomes, vice-prefeito de Caruaru, e sua mulher Laura, deputada estadual licenciada e secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, do governo Eduardo.

Visto assim, o vice-governador teria mais motivos para permanecer no PDT, apesar do seu rompimento com José Queiroz, prefeito de Caruaru e presidente estadual do partido. E permanecendo na legenda o vice-governador pode até ser uma alternativa para o Senado na chapa da Frente Popular, dependendo das alianças nacionais do projeto presidencial de Eduardo Campos (PSB).

Nisso tudo, há ainda uma ponta de desencanto no grupo lyrista: além de ter sofrido restrições por setores socialistas, a possível ida de Lyra Neto para o PSB nunca foi publicamente festejada pelo governador.

Preocupação

DP

DP

O deputado estadual Gustavo Negromonte e os vereadores recifenses André Ferreira e Jayme Asfora, todos do PMDB, tiveram uma conversa sobre os rumos do partido no estado em 2014.

Falar sobre alternativas do PMDB em Pernambuco implica saber como ficará a situação do senador Jarbas Vasconcelos, que poderá ser candidato ao Senado, a deputado federal ou retirar-se da vida pública.

A preocupação dos peemedebistas diz respeito à eleição proporcional. Para o partido, é melhor fomar uma chapinha do que integrar o chapão governista em 2014.

Armando vai a reunião articulada por Jarbas e reforça aproximação com peemedebista para eleição de 2014

senado.gov.br

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A presença do senador Armando Monteiro no grupo suprapartidário que se reuniu nesta terça-feira para discutir questões internas da Casa e avaliar a chamada “agenda positiva” é reveladora.

O encontro foi articulado e aconteceu no gabinete do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), com quem o petebista tem trocado ideias.

Para além da pertinente pauta do Senado, a proximidade entre eles tem como pano de fundo a disputa eleitoral de 2014 em Pernambuco.

No último domingo, a coluna Diario Político, de Marisa Gibson tratou do Plano B de Jarbas e destacou que “o senador petebista, assim como (o governador) Eduardo (Campos), voltou a dialogar com o colega Jarbas”.

“E mais, os dois passaram a se encontrar muito em Brasília, a trocar confidências e ideias sobre a política pernambucana, no plenário e no apartamento funcional do senador do PMDB, do qual Armando de tornou um frequentador dos jantares-reuniões”.

E prossegue: “Uma união com o PMDB daria robustez e consistência ao projeto político de Armando. Pois é, pelo rumo dos acontecimentos, parece que Jarbas cansou de esperar Eduardo decidir se quer o PMDB no palanque ou não. (veja o  texto completo abaixo).

Na coluna desta terça, Marisa reforça a informação sobre Jarbas na nota Clima:

“São remotas as possibilidades de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ser escolhido candidato ao Senado na chapa majoritária da Frente Popular comandada por Eduardo Campos (PSB), e dificilmente o vice João Lyra Neto (PDT) será candidato ao governo do estado pelo PSB, podendo concorrer ao Senado, caso permaneça no PDT.

Por enquanto, o espaço reservado ao PMDB na Frente Popular resume-se à participação do partido no chapão para a eleição proporcional”.

Pois bem. Ao ir à reunião do bloco dos independentes, Armando só ratifica a sintonia com Jarbas e o distanciamento de ambos de Eduardo.

O petebista, como se sabe, deverá ser candidato ao governo do estado em qualquer cenário.

E, Jarbas, pelo que vem sendo desenhado já está tão confortável assim na base eduardista.

Voltando ao encontro dos senadores, é importante destacar que a chamada “agenda positiva” proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) jamais saiu do discurso.

A seguir, o texto é da assessoria do senador Jarbas Vasconcelos. Mais abaixo, publico o comentário de Marisa:

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Eduardo Campos estica a corda, adia crise e arrisca sofrer desgaste por tanto tempo de exposição

DP

DP

A coluna Diario Político,  de Marisa Gibson, analisa, nesta terça-feira, os percalços na construção da candidatura do governador Eduardo Campos à Presidência da República.

Aponta razões para que a corda seja esticada e elenca riscos de desgastes comuns a quem fica tanto tempo exposto na vitrine presidenciável. Boa leitura!

Adiando a crise

Não é à toa que Eduardo Campos (PSB) vem postergando a decisão sobre a sua candidatura a presidente da República, fato que vem sendo acompanhado com ansiedade por todos seus aliados e possíveis adversários.

E alguns apostam que o governador vai estender ao máximo essa indefinição para adiar uma crise ou um desgaste, que fatalmente virá seja qual for a sua decisão.

No momento em que Eduardo anunciar que vai à disputa presidencial – o que o levará também a escolher o candidato à sua sucessão – todos os projetos políticos em gestação no estado que não forem contemplados nesse arranjo se voltarão contra ele, a começar pelo PT que apoiará outro candidato.

E isso, argumenta-se, poderá ser o embrião de uma oposição mais forte a Eduardo, na medida em que os descontentes poderão se juntar à mini oposição  existente hoje no estado, ainda que ele seja um presidenciável.

Além disso, se a sua candidatura for de encontro aos interesses do PT – até a consolidação ou não do projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff muita coisa pode acontecer – o governo federal certamente fechará as torneiras do cofre para Pernambuco, o que será um pesadelo para Eduardo.

Caso decida não concorrer à presidência da República, o govenador não terá dificuldades no estado.

Poderá manter com tranquilidade a unidade da Frente Popular assim como a sua quase unanimidade política no estado, e não terá problemas com o governo federal em termos de liberação de recursos para as grandes obras, que ainda estão em andamento.

Mas, em contrapartida, perderá o espaço nacional conquistado, além de descontentamentos em outros estados por parte de quem aderiu ao projeto nacional do PSB com a confiança de que ele seria candidato a presidente.

Não é, portanto, uma decisão fácil para o governador e, para alguns observadores, Eduardo pode levar essa indefinção além do limite razoável.

Sucessão estadual em banho-maria e corda esticada entre Armando e Eduardo

A coluna Diario Político, de Marisa Gibson, trata, nesta quinta-feira, da relação entre os acontecimentos nacionais e o congelamento da corrida pelo governo do estado.

A análise certeira aponta para o possível “estiramento” de corda entre o governador Eduardo Campos e o senador Armando Monteiro. Boa leitura:

Efeitos colaterais

DP

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Com o PT sem condição de dar um ultimato a Eduardo Campos (PSB) – a estonteante queda de Dilma Rousseff nas pesquisas não mais permite isso – e podendo ter o governador como um possível candidato amigável a presidente da República, renovam-se no país duas longas esperas.

Agora, os petistas estão forçados a esperar um bom tempo por uma definição de Eduardo, enquanto o governador terá muito mais folga para anunciar sua decisão só em 2014, como vem afirmando.

Mas, independentemente dessa espera, o calendário eleitoral continua o mesmo. E se desapareceram as pressões do PT e do Palácio do Planalto, o mesmo não acontece no estado, onde as candidaturas a governador estão sendo colocadas em banho-maria por Eduardo e assim deverão ficar sem ninguém se rebelar.

A inquietação local é por conta do prazo das filiações que vai até 5 de outubro, mas as decisões têm que ser tomadas antes. Aliás, costuma-se dizer que esse prazo funciona como uma prévia da eleição do ano seguinte, pois é quando são negociados acordos políticos e começam a se formar as coligações.

Evidentemente, o governador não é indiferente a isso. Tanto é assim que em relação às eleições porporcionais, sobretudo para a Câmara Federal, ele tem conversado com muita gente fora do PSB.

Entre os possíveis candidatos da base ao governo do estado, o ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB) mergulhou fundo devido às turbulências nacionais e o vice-governador João Lyra Neto, ainda no PDT, continua com o seu projeto, porém bem mais discreto.

Só o senador Armando Monteiro Neto (PTB) mantém a disposição de disputar e a inquietação, já explicitada, a respeito dos prazos eleitorais e do possível critério que o governador adotará para escolher o candidato. Faz tempo que Eduardo e Armando não conversam, e se tem a sensação que a corda está sendo esticada.

Mesmo com as “blitze” do governo federal e do próprio PSB, Eduardo diz manter o pé no acelerador

Imagem: viveremtransito.blogspot.com -

Imagem: viveremtransito.blogspot.com -

Pronto. Eduardo Campos se encarregou de tirar a dúvida sobre a continuidade do seu projeto presidencial para 2014.

Aqui no blog questionamos se o governador vive dias de simples recuo ou está saindo de cena.

Pois ele próprio afirmou nesta terça feira que mantém com o pé no acelerador.

Está, segundo pode-se concluir, com a mesma disposição mostrada antes de reduzir a agenda nacional.

Agora, está evidente que se a aceleração está mantida, ele o faz em rotas alternativas, longe dos holofotes sob os quais permaneceu de janeiro a abril.

Estaria ele fugindo das barreiras e blitzes armadas pelo governo federal e pelo próprio PSB nos caminhos da sucessão presidencial?

Nesta quarta-feira, a coluna Diario Político, de Marisa Gibson, trata do tema. Confira:

O jogo continua

Para não deixar dúvidas de que não pretende fugir da parada, o governador Eduardo Campos (PSB) afirmou ontem que está onde sempre esteve, que não tem essa história de acelerar ou desacelerar.

E foi categórico: “Continuo com o pé no canto”. Mas com as ressalvas de sempre.

Qualquer decisão sobre 2014 só acontecerá em 2014 e caberá ao seu partido, o PSB, a palavra final.

Bem, já era tempo de o governador desfazer a sensação de que o seu projeto presidencial estava começando a piscar, versão que passou a  dominar a cena política nacional  a partir do seu visível recolhimento nos últimos dias.

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O pai das obras governamentais é o eleitor-contribuinte. De todas

www.izp.al.gov.br

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Comentário da coluna Diario Político desta quarta-feira trata da questão da paternidade de obras públicas.

O tema é recorrente em campanhas e volta à pauta nesse momento em que PT e PSB ensaiam um rompimento a partir de Pernambuco.

A coluna, assinada por Marisa Gibson, a alerta que o verdadeiro pai é o eleitor contribuinte. Confira:

Os verdadeiros pais e mães

Voltando à questão da paternidade de obras e ações públicas que, na quarta-feira, indicou um confronto entre o governo Dilma e a gestão Eduardo, ontem o governador apressou-se em colocar um ponto final na questão.

Prevendo uma evolução perigosa dessa discussão, um assunto recorrente que ganha expressão quando se caminha para uma disputa eleitoral como ocorre com o governador e a presidente,  Eduardo declarou: “não é importante, neste momento, ficar discutindo quem fez o que, até porque os recursos são públicos”.

De fato, o momento é delicado. E  Eduardo agora é vítima daquilo que no passado o beneficiou. Quando ainda era governador, Jarbas Vasconcelos afirmava que os investimentos do governo federal em Pernambuco – com Lula no Palácio do Planalto – eram decorrentes das condições criadas por sua gestão.

Argumento semelhante a que o PSB utiliza agora. Porém, se lá adiante, essa disputa entrar na pauta eleitoral, como se presume, não vale nem à pena recorrer a um teste de paternidade, porque a realidade já diz tudo: o pai real de todas as obras e ações governamentais é o eleitor-contribuinte, que paga impostos e vai às urnas eleger presidente, governadores e prefeitos.

Nenhum governante está fazendo favor ao construir uma barragem, rodovia ou estrada de ferro – é com esse objetivo que a maioria do eleitorado o escolhe. Mas no Brasil do século 21 ainda prevalece essa visão patrimonialista, como se o Tesouro Nacional fosse uma mera conta-corrente do governante do momento. Não é.

De fato, o Brasil só é uma Federação no nome, pois estados e municípios – especialmente os mais pobres – dependem da boa vontade da União. E, dentro das unidades federativas, esse problema também se repete com os governadores aparecendo como benfeitores, acima dos prefeitos, uma cultura que precisa mudar e que só será possível com um novo Pacto Federativo.

Dilma segura PTB e complica missão de Armando em favor de Eduardo

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A coluna Diario Político desta sexta-feira trata de mais uma manobra de Dilma Rousseff contra as investidas de Eduardo Campos sobre partidos da base governista. Desta vez, o PTB é o alvo.

Com as articulações a partir de Brasília, fica difícil a missão do senador Armando Monteiro (presidente do PTB-PE) de levar o partido para o palanque socialista e, assim, garantir respaldo de Eduardo ao seu projeto de concorrer ao governo do estado em 2014.

A análise é de Marisa Gibson. Confira:

Freio de mão

Com a presidente Dilma acenando para o PTB fazer parte do governo, vai ficando mais difícil para Armando Monteiro Neto (PTB) avançar nas articulações para levar o partido a apoiar o projeto presidencial de Eduardo Campos (PSB).

Esta seria uma ação de duplo alcance: não só fortaleceria a pré-candidatura do governador como também pavimentaria a estrada na qual caminha o senador petebista para consolidar a sua candidatura ao governo do estado.

O que se afirma nos bastidores da Frente Popular é que se Armando Neto conseguir levar o PTB nacional para o palanque de Eduardo, não tem outra, será o candidato da Frente Popular à sucessão estadual.

Nesta semana, no entanto, Armando, que havia articulado para terça-feira passada almoço do senador Gim Argelo (PTB), líder do bloco no Senado, que inclui também o PR e o PPL, com Eduardo, teve que remarcar o encontro para proxima semana.

A justificativa foi a agenda do governador. Mas o fato é que, mais rápida, a presidente Dilma acionou o freio de mão, convidando Benito Gama, dirigente nacional do PTB, para uma conversa junto com Argelo e o líder do partido na Câmara dos Deputados Jovair Arantes sobre reforma ministerial.

Assim, o PTB que se reunirá com Eduardo, se houver o encontro, já estará com outras motivações.

Na eleição de 2010, ainda sob o comando de Roberto Jefferson, o PTB apoiou José Serra (PSDB), mas, na chapa de Eduardo como candidato ao Senado, Armando ficou com Dilma.

Após a eleição, e com o afastamento de Jefferson da direção do partido, os petebistas se integraram à base governista.

O vôlei sentado e o perigo de se passar dos limites

Foto: Eduardo Braga/SEI

Foto: Eduardo Braga/SEI

Comentário da coluna Diario Político desta terça-feira trata dos riscos de se agir além dos limites da sensatez.

Marisa Gibson trata do excesso cometido por Eduardo Campos no domingo – quando jogou vôlei sentado com para-atletas – e do descontrole gerado pela grande aceitação da sua pré-candidatura. Confira:

Passando dos limites

Faltou alguém para conter o governador Eduardo Campos (PSB), pré-candidato a presidente da República, quando ele decidiu, no domingo, de calça jeans, se sentar na areia da praia de Boa Viagem, para jogar vôlei com deficientes físicos.

Certamente, movido por um impulso, Eduardo deve ter querido demonstrar solidariedade aos cadeirantes, mas o que ficou foi uma cena desnecessária de exibicionismo e, ali, o governador passou do limite.

O risco é que isso se torne um hábito e se transforme num estilo, como observa o estrategista político Paulo Moura. “Uma ultrapassagem de limites pode estragar uma festa e o governador, com a densidade política que tem, não precisava daquilo”, completa.

E, se faltou limites na solenidade dos deficientes físicos, o governador está surpreso com o espaço político aberto no país para  ele pregar as suas ideias, ficando evidente que ele não conseguirá manter o ritmo que havia planejado na construção desse processo.

De início, Eduardo trabalhou para impedir que o jogo sucessório se definisse sem que o seu nome estivesse colocado na mesa, mas foi tragado pela precipitação da campanha e agora a sua figura se tornou necessária ao debate político do momento – a receptividade ao seu projeto presidencial foi maior do que ele esperava.

E aproveitando esse momento de euforia em torno do governador, integrantes do PSB começam a esboçar a ideia de que a candidatura de Eduardo a presidente poderá acontecer por um clamor dos diversos segmentos da sociedade a que ele não mais poderá dizer não, passando sobretudo pelo setor econômico, ao qual ele direciona o seu discurso. Isso, sem desprezar as minorias como ficou registrado no deslize do domingo passado na praia de Boa Viagem.

Rompimento congelado: nem Dilma é ingênua nem Eduardo é aventureiro

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Análise da coluna Diario Político desta sexta-feira indica que Eduardo e Dilma esticam a corda dentro dos seus limites e interesses.

Marisa Gibson avalia que já se espera o rompimento, mas conclui:

A presidente Dilma está longe de ser uma estrategista política, mas não é ingênua; e o governador Eduardo Campos é ousado, mas não é um aventureiro. Cada um deles sabe com quem está lidando.  Confira:

À espera do rompimento

Mesmo para os leigos em política já não há mais dúvida de que Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) não estão mais no mesmo barco e aguarda-se apenas o rompimento entre os dois.

Agora, nem a presidente nem o governador vão tomar essa inciativa agora, porque é conveniente para ambos manter as aparências, embora o jogo comece a endurecer.

Ontem, enquanto Dilma contabilizava um revés político com o distanciamento do PSD de Gilberto Kassab, que finalmente decidiu não participar do governo até 2014 – no que deve ter sido influenciado por Eduardo –, o governador, com discurso de campanha, afirmava na Confederação Nacional do Comércio, no Rio, que “é preciso unir os brasileiros para discutir como agir para a economia voltar a crescer em todos os setores”.

Só faltou completar que a presidente Dilma não está dando conta do recado, mas como ainda não é candidato, conteve-se. Eduardo se mantém na base governista por dois motivos: primeiro, porque é muito cedo para ficar só no palanque e, segundo,  para não perder o que ainda espera ganhar.

Se para Dilma, deflagrar uma guerra agora com Eduardo prejudica o seu governo com um racha de sua base no Congresso e, consequentemente, complica as articulações para sua candidatura à reeleição, para o governador um rompimento significa retaliações e, como se sabe, todos os estados dependem do governo federal, com exceção talvez de São Paulo.

A presidente Dilma está longe de ser uma estrategista política, mas não é ingênua; e o governador Eduardo Campos é ousado, mas não é um aventureiro. Cada um deles sabe com quem está lidando.