“As classes baixas estão engolindo as elites”.
Um comentário feito por alguém numa matéria de TV me chamou atenção. Imediatamente, associei a declaração à grande aprovação que tem o governo de Dilma Rousseff.
Não sei exatamente o percentual que corresponde à satisfação das tais classes baixas. Nem tenho certeza se este contingente faz a diferença em favor da petista.
No entanto, é notório que grande segmento da população mudou de vida de oito, dez anos para cá.
Passou a ter mais capacidade de comprar, de comer, de morar, de viver.
Ainda que o poder público siga negligente em relação a políticas sociais – educação, saúde, transportes – o nível de emprego e a distribuição de renda elevaram a capacidade de consumo de faixas populacionais massacradas secularmente pela falta de oportunidades.
E, na minha visão empírica, essa realidade talvez ajude a explicar tamanha popularidade de Dilma.
Basta circular por shoppings, shows, bares e faculdades para se observar quanta gente está a consumir, a se divertir, a fazer parte do mercado comprador.
Mas tem mais: o poderio dessa parte da sociedade se torna ainda maior por conta da possibilidade de expressão proporcionada pelas redes sociais.
Para o bem e para o mal as redes tornaram-se canais de mobilização com potência fenomenal.
E as ditas classes baixas estão lá, opinando, contestando, dizendo o que pensam, “engolindo as elites”.
Presidenciável que não souber ganhar essa grande fatia do eleitorado será também deglutido por ela.
Nesse aspecto, Dilma, herdeira das transformações aprofundadas por Lula, está bem à frente dos concorrentes.
Engasgadas – Por falar em classes baixas, a lei que garantiu aos trabalhadores domésticos direitos assegurados às demais profissões veio tarde, mas veio.
E deve também ajudar a engolir as elites que, por sinal, estão engasgadas com a isonomia advinda com a nova legislação.
FGTS, horas extras, adicional noturno e férias devem ser pagos como manda a lei.
Explorar mão de obra ajuda a reafirmar as diferenças de classe.
E essa prática, como vimos, começa a ser barrada pelo poderio das classes baixas, onde se incluem os domésticos.








