Após a cerimônia de batismo do navio em Suape, ontem pela manhã, a ex-ministra Dilma Rousseff usou a estrutura armada para o que seria uma coletiva de Lula - não realizada – para falar com a imprensa.
Ainda assim, achou tudo muito normal. Revelou não considerar campanha antecipada sua presença no evento e os discursos feitos a respeito da sua postulação.
“Por eu ser (pré) candidata, é justamente o contrário. Vejam vocês, a legislação permite que eu compareça, obviamente sem falar, até virar candidata”, justificou.
“A partir do momento que eu for formalmente escolhida pela convenção, nenhum de nós (presidenciáveis) pode mais participar. Mas enquanto eu participar calada, não tem problema”, disse.
Bom, usando máquina ou não, em campanha ou não, Dilma não tem perdido chance de aparecer ao lado de Lula.
Ontem, bem à vontade e segura - é íntima do tema ‘recuperação da indústria naval’ -, a ex-ministra circulou bem e foi festejada em Suape.
Disse que os erros que atribuem à sua movimentação podem ser cometidos por qualquer um, mas revelou que está aprendendo.
De quebra, confessou que Lula lhe deu um precioso conselho para a campanha: “Aprenda com o povo, Dilminha”.
O povo, o mesmo povo com quem ela deve aprender a conquistar votos, não tem reagido negativamente à presença tão marcante da pré-candidata em eventos oficiais como o realizado ontem.
Já a Justiça Eleitoral tem punido os excessos denunciados pela oposição. Mas isso não deve estar pesando negativamente na campanha, já que Dilma segue no rastro de Lula Brasil afora.
Ontem, ela defendeu-se das tantas críticas e cobranças – comuns a quem almeja ao cargo mais alto da República brasileira - em relação à sua pré-campanha.
”Pode ser que a versão que apresentam de mim seja mais dura e a versão que se apresenta de outros
seja mais suave”, avaliou.
Em seguida, desabafou afirmando que não pretende ser uma pessoa que nunca erra, que fala perfeitamente o tempo inteiro.
Ela ainda observou, alfinetando o adversário José Serrra (presidenciável do PSDB) que para além dos possíveis equívocos entende ser mais relevante a discussão sobre quem tem projeto e quem não tem.
“Muito detalhe pode encobrir uma ausência absoluta de projeto”, disse.