Agora é tarde é o título do comentário de Marisa Gibson na coluna Diario Político desta quarta-feira.
Trata-se de uma análise sobre o extemporâneo depoimento de Marcos Valério: assunto vencido, estragos mínimos. Confira:
São pesadas as acusações de Marcos Valério contra Lula no depoimento feito voluntariamente à Procuradoria-Geral da República, em setembro passado.
Basta citar a de que o ex-presidente teria usado dinheiro do mensalão para bancar despesas pessoais. Mas o fato é que este assunto já se exauriu com o tempo e com o julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Mesmo com as denúncias chamuscando a sua imagem desde 2005, Lula se reelegeu em 2006, elegeu Dilma em 2010, e neste ano colocou Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.
Além disso, o empresário – condenado pelo STF como operador do mensalão – só decidiu falar depois que se viu sozinho no mato sem cachorro, circunstância que envolve perigosos sentimentos de desespero e de vingança.
Se Marcos Valério tivesse falado tudo na CPI do mensalão, suas revelações teriam tido outro efeito e o Brasil poderia ter hoje uma outra feição política.
Mas agora é tarde. Lula, que passa por mais uma exposição negativa com a Operação Porto Seguro que fulminou a sua amiga Rosemary Noronha, não foi o único a ser colocado no ventilador de Marcos Valério.
Outros petistas foram citados no depoimento, entre os quais o senador Humberto Costa, apontado como beneficiário dos recursos do mensalão, dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais.
Humberto nega, e afirma que as contas de suas campanhas foram devidamente aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco.
O senador lembra que não foi citado nem pelo relatório final da CPI que investigou o mensalão nem durante o julgamento do caso pelo STF.
Não há motivos para se duvidar da palavra e da seriedade de Humberto.
Mas sempre que se fala em dinheiro de campanha, e foi a partir do mensalão que se passou a defender com mais veemência o financiamento público de campanhas, vem à mente o famoso caixa 2, cujos recursos não passam pelo crivo da Justiça.
E o que surpreende é que esse é um esquema que continua funcionando entre todos os partidos.