Parcimônia até para pedir votos. É Maciel nas ruas

Maciel e jarbasO ritmo dele é outro. A  abordagem ao eleitor é feita quase como se pedisse licença. Mas o senador Marco Maciel, em busca de renovar o mandato, tenta adaptar seu modo comedido às caminhadas de rua comandadas pelo candidato oposicionista ao governo do estado, senador Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Ontem, em San Martin, Maciel estava lá. Enquanto Jarbas, de calça jeans, camisa de algodão listrada e tênis acelerava o passo, o senador democrata, de figurino social, com direito a casaco e sapato de couro, ficava para trás. Optava por entrar nas casas, abraçar as pessoas.

Num dos imóveis, na Rua Equador, foi recebido com festa por um casal que lhe queria fazer um agradecimento.

Marido e mulher aproveitaram a ocasião para verbalizar a gratidão pelo fato de o senador, quando vice-presidente da República, ter conseguido a transferência de um filho, servidor público, do Rio para o Recife.

Maciel admitiu nem se lembrar do acontecido, mas saiu da casa satisfeito e com a certeza de que ali os votos serão seus.

Antes de retomar a caminhada, entregou ao casal um cartão de contato – não um santinho, como seria natural – e despediu-se. 

Jarbas já ia lá na frente e eu perguntei: “Tá difícil acompanhar, né?”. Ele olhou para mim, apontou para a caderneta em que eu fazia anotações e disse: “Pra você também”. E só.

Deu a entender que dificuldades sempre exisitirão. Seja para quem levanta informações seja para quem pede votos.

Em seguida, foi aconselhado por assessores a apressar o passo para alcançar o candidato ao governo. Quando começava a caminhar mais rápido alguém o chamou de dentro de mercadinho. Ele, claro, foi até lá e cumprimentou proprietários e fregueses.

Depois, calmamente, apareceu ao lado de Jarbas quando este já concedia entrevista. É assim há décadas e, a tirar pelo que se viu ontem, vai ser assim nessa campanha.

Embora na oposição, sem as facilidades da máquina pública e com palanque estreito, Maciel parece não se abalar. Mantém a parcimônia que virou marca registrada da sua atuação política. Se a tradicional moderação obterá êxito, as urnas dirão.

Um osso cada vez mais duro de roer

JarbasO senador e candidato da oposição ao governo de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) costuma dizer que é político que não foge da raia e que já participou de campanhas no filé e no osso, etc, etc…

Mas nesta campanha especificamente, até ele admite, o osso está cada vez mais difícil de roer. Ontem,  ao fim de uma caminhada por San Martin, reconheceu que as adversidades estão se agravando.

Mas, como todo candidato que está com a campanha na rua não deve dar de esmorecimento, garantiu que não esperava uma realidade diferente.

“O conjunto de problemas é grande, mas oposição é isso. Os meus (problemas) estão se acentuado. Mas é isso mesmo. Seria um despreparo meu achar que a oposição não ia enfrentar osbtáculos, uma corrida de obstáculos”, disse.

Logo depois de o senador fazer tais declarações, mais um episódio reforçou o quão é duro o osso destinado a Jarbas.

O governador Eduardo Campos, sem se contentar em atrair prefeitos de oposição, fez um afago ao deputado oposicionista Edgar Moury Fernandes, filiado ao mesmo partido de Jarbas, mas que  há tempos cultiva diferenças insanáveis com o senador.

Eduardo esteve no comitê de Edgar, dando a entender que a caça aos jarbistas históricos virou uma especialidade da sua atuação política.

O deputado, por sua vez, mostrou-se à vontade com a visita do governador e deu sinais de que não está convicto de quem apoiará na corrida majoritária. Ou seja, a adesão ao palanque governista é uma possibilidade.