Ambos sucederam governantes bem aprovados, ambos enfrentam problemas que decorrem do fato de terem substituídos gestores carismáticos.
A presidente Dilma Rousseff e o prefeito do Recife, João da Costa, penam, cada um no seu contexto, com a sombra dos homens que vieram antes deles.
Ela se vira para arrumar uma casa cujos tapetes encobriam muito lixo. E faz tudo para não atingir o antigo dono.
Ele se desdobra para dar uma cara “pessoal” à moradia que ainda tem muito do habitante anterior. Para isso se empenha em apagar vestígios do ex-ocupante.
Os dois chegaram aos cargos às custas do peso eleitoral dos antecessores que bancaram suas respectivas candidaturas.
E, por serem “criaturas”, enfrentam, para o bem e para o mal, comparações com os “criadores”.
Com pouco mais de sete meses de governo, ela se mantém próxima do padrinho político, a quem inclusive pede conselhos.
Ultrapassando a metade do terceiro ano de mandato, ele quer distância do patrocinador da sua candidatura, o atual deputado João Paulo, com quem está rompido.
Dilma tem o tempo como aliado para consolidar uma marca própria e prescindir do ombro amigo que o ex-presidente Lula lhe empresta sempre que necessário.
Fora isso, vem obtendo índices satisfatórios de aprovação como os 70,2% revelados ontem pela pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT/Sensus).
Não há números recentes sobre a popularidade de João da Costa. Mas é certo que o passar dos dias não favorece a sua pré-candidatura à reeleição.
A gestão segue motivando críticas e o ano eleitoral se aproxima repleto de dúvidas sobre a viabilidade do seu projeto.
Ainda mais agora quando o seu ex-padrinho, interessado em voltar à antiga casa, foi reposicionado no jogo sucessório por Lula. (da coluna Diario Político, do Diario)

