Quando se achava que a máquina federal já tinha ido longe demais, vem a surpresa.
Inviabilizar a criação de novos partidos por meio de um projeto votado em regime de urgência foi apenas o ensaio para o pleito indecoroso que vinha a seguir.
Negando os seus princípios, o partido do governo, o PT, está em plena campanha para fazer com que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam submetidas ao Congresso.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, não é nem mais casuísmo, como foi classificado o primeiro caso. Agora, a situação beira o cinismo.
Afinal, a PEC, de autoria de um deputado do PT do Piauí, além de ser uma afronta ao Judiciário, surge com o claro objetivo de absolver os condenados no caso do mensalão.
Se for adiante, o Congresso, majoritariamente governista, deverá reformar as sentenças e anulará o decidido nos vereditos.
Tanto que dois dos condenados, os deputados José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP), estiveram presentes na votação da CCJ, endossando (e festejando) a arbitrariedade.
O que em outras terras seria razão para constrangimento, pedido de desculpas, expulsão do partido e renúncia de mandato, aqui motiva um esperneio indignado de quem se acha acima das leis.
Algo inconcebível. Principalmente vindo de um partido que em outros tempos lutou por Justiça e fez o país avançar nos seus direitos.
Se o PT quer dilacerar sua história, o problema é dele. É lamentável, mas é questão interna. Agora, usar o poder político que conquistou democraticamente para rasgar a Constituição, é desesperador.









