O padre Vito Miracapillo, em Pernambuco desde terça-feira, concedeu entrevista nesta quarta. Leia matéria de Claudia Eloi, publicada no Diario.
Exílio “foi o mesmo que sentir a morte”
Com a voz calma, demonstrando serenidade e paz de espírito, o padre italiano Vito Miracapillo, expulso do Brasil pelo regime militar, revelou ontem, no Recife, que seu desejo sempre foi de retornar ao país para continuar o trabalho interrompido há 31 anos em favor dos menos favorecidos.
Ele conta que no instante em que o avião decolava rumo à Itália, o primeiro pensamento que lhe veio à mente foi o de quando poderia voltar ao Brasil.
“Foi mesmo como sentir a morte. Aquilo para mim foi um grande sofrimento. Não apenas para mim, mas para o povo. Eles colocaram em suas casas e na igreja sinal de luto”, lembrou.
O religioso foi expulso durante os anos de chumbo, após decreto do então presidente João Baptista Figueiredo.
Pesava contra ele a acusação de ter se recusado a celebrar uma missa em homenagem ao Dia da Independência, na cidade de Ribeirão, na Mata Sul do estado, por não considerar o Brasil um país livre.