Das palavras à guerra no octógono

Luta entre Jon Jones e Rampage no UFC 135 vale o título da categoria e o direito de ainda provocar o adversário

 

Falta menos de uma semana para o UFC acolher, no octógono, uma fúria já semeada à exaustão nas redes sociais e nos meios de comunicação. O duelo entre o campeão do peso meio pesado, Jon Bones Jones, e o ex-campeão da categoria, Rampage Jackson, pelo UFC 135 ganha ares de guerra sangrenta depois da excessiva troca de farpas e provocações entre os dois lutadores nos últimos dias.

O atual detentor do cinturão postou ontem, no Twitter, uma declaração pela qual subestima abertamente o adversário. Puro excesso de confiança: “Seis dias até que eu derrote uma lenda”.

No sábado, durante transmissão do UFC Fight Night 25, os dois se ofenderam diante das câmeras. ““Estou vendo todas as lutas dele. Passo várias horas assistindo. Enquanto ele está jogando videogame”, disse Jones. “Não me importo com o que ele assiste”, rebateu Rampage. O desafiante acusou o oponente de espionar seus treinamentos. O campeão se defendeu: “Você tem sempre desculpa para as derrotas. Faz parte do seu caráter”.

Jones é apontado como a sensação do UFC. O futuro no mundo das lutas. A projeção fulminante colocou-o no caminho para a disputa do cinturão contra o brasileiro Maurício Shogun Rua, lenda do Pride japonês, vitorioso em uma batalha contra o também tupiniquim Lyoto Machida. Jones humilhou Shogun e o venceu por nocaute após desferir todos os tipos de golpe.

O dono do título da categoria tem 13 vitórias no currículo e apenas uma derrota. No UFC, foram oito lutas, com sete sucessos e apenas um fracasso. Jones é conhecido pela desenvoltura dentro do octógono. A base dele é fruto do Muay Thai, Wrestling e Jiu-jitsu.

Rampage Jackson está com o ego ferido. Quer de volta o cinturão e o posto de campeão do UFC em uma das categorias mais disputadas. “Quero ganhar essa luta de maneira arrasadora. Quero que as pessoas digam: ‘Uau, eu nunca vi ele fazer isso’”, afirmou Jackson, em entrevista à revista MMA Weekly. “Eu quero meu cinturão de volta”, completou.

O lutador desafiante viveu momentos de glória no UFC. Tornou-se campeão ao desbancar a lenda do MMA Chuck Liddel com um nocaute incrível. Depois, defendeu o cinturão contra Dan Henderson e só perdeu diante de Forrest Griffin, na luta seguinte. Desde então, batalha pela chance de retomar o posto de melhor na categoria.

Rampage possui um estilo extravagante. Do lado de fora do octógono, veste bem o papel de artista exigido pelo UFC. Uiva, grita, faz cara de mal. Vivencia o personagem de modo convincente. No ringue, tem um cartel invejável: São 32 vitórias e oito derrotas.

O confronto do próximo sábado, em Denver, nos Estados Unidos, entre os dois lutadores pelo UFC 135, promete entrar para a história. O duelo marca a disputa pelo cinturão e pela supremacia na categoria. Mas, sobretudo, define quem ficou com a razão durante os meses antecedentes à luta. Em outras palavras: para um, vale o direito de multiplicar as provocações e as farpas contra o oponente. Ao outro, resta o discurso dos derrotados: o velho e prudente silêncio.

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