Qualquer leigo diante da televisão ou dentro de um estádio onde ocorrem as lutas de MMA deve se perguntar: tantos socos, pontapés, golpes, quedas e ninguém quebra um osso? Vale dizer: quebra. E muito. Tanto no ringue quanto nos treinamentos. As lesões vez por outra impossibilitam os competidores de seguirem no combate e, com frequência, forçam a alteração no card de eventos agendados. A mais nova vítima do próprio corpo é o lutador Diego Sanchez.
O norte-americano enfrentaria Matt Hughes pelo UFC 135, marcado para o próximo dia 24, na segunda luta mais importante da noite. Mas caiu fora antes. Machucou a mão no treinamento e, por isso, acabou cortado. O presidente do UFC, Dana White, agiu rápido: removeu o nome de Sanchez do card, fez uma varredura entre os atletas e, horas depois, Josh Koscheck surgiu como substituto. Pela segunda vez, ele é escalado porque Sanchez se lesiona – troca semelhante havia ocorrido no UFC 90.
O corte, embora doloroso, física e emocionalmente, é necessário. Os torneios profissionais de MMA costumam ser rígidos para manter a integridade dos atletas e preservar a credibilidade dos eventos. No UFC, os testes médicos feitos antes das lutas podem eliminar o competidor sem condições de lutar. Na história recente dos torneios, as lesões redefiniram trajetórias e deram chance a quem entrou na festa de penetra e na última hora. Mas o retrospecto nem sempre anima. A porta aberta para o show pode, às vezes, se tornar a senha da derrota.
Relembre alguns casos:
O corte de Minotouro e o fracasso de quem chegou
No UFC 133, o brasileiro Rogério Minotouro deveria enfrentar o ex-campeão Rich Franklin. Mas machucou o ombro durante os treinos. A luta acabou cancelada. No mesmo card, Phill Davis teve complicações físicas e desfalcou o evento. Tito Ortiz entrou no lugar dele para duelar contra Rashad Evans – e levou uma surra. Vladimir Matyushenko também foi cortado por lesão. Matt Hamill pegou a vaga e perdeu o combate contra Alexander Gustafsson.
Escalado para vencer
No UFC 125, quem saiu foi o brasileiro José Aldo. Ele havia acabado de receber o cinturão na categoria peso-pena. Por conta de uma lesão, ele deixou a luta contra Josh Grispi nas mãos de Dustin Poirier. O substituto entrou e fez bonito: venceu o adversário por decisão dos juízes.
Cro Cop entra para apanhar
A lenda Mirko Cro Cop teve a chance de voltar ao octógono quando o mito do MMA Rodrigo Minotauro se machucou antes do UFC 119. O atleta brasileiro teria a vingança contra Frank Mir. Mas quem anseia por uma revanche, agora, é Cro Cop. O croata também perdeu para Mir.
O confronto fantasma
No UFC 118, Jorge Rivera deveria lutar contra Alessio Sakara. Mas machucou o braço, e a luta acabou remarcada para a edição de número 122. Novos problemas de saúde (uma dor de barriga), dessa vez da parte de Sakara, adiaram o combate pela segunda vez. No card 133, um machucado no joelho de Rivera impossibilitou a batalha.
Passaporte para a vitória
O brasileiro Wanderlei Silva evitou participar do UFC 115 por conta de uma costela fraturada. A lesão fez a alegria do norte-americano Chris Leben. Escalado para lutar no lugar do ídolo tupiniquim, ele subiu no octógono e venceu o japonês Yoshiro Akiyama.
