Fim da linha para Tito Ortiz

De “coração partido”, ele quer se aposentar no Dia da Independência dos EUA contra Forrest Griffin ou Chuck Lidell

O choro incontido no chão do octógono canadense no UFC 140 era o sinal mais contundente do limite imposto pelo destino. O corpo refém da dor parecia implorar pelo encerramento de uma carreira de 15 anos nas artes marciais mistas. Açoitado pelos golpes do brasileiro Rogério Minotouro, o sempre polêmico Tito Ortiz experimentava no nocaute o dissabor mais difícil de ser aceito por um atleta: o gosto amargo da aposentadoria. A série de seis derrotas nas últimas oito lutas o empurrou para o fim anunciado em entrevista MiddleEasy.com.

“Eu fui atingido no corpo, sem costelas quebradas, estava feliz. Meu coração está mais ferido do que meu corpo. Mas isso acontece com um lutador. Às vezes, você vence, às vezes, perde. Em julho, espero que no dia 4 (dia da independência dos EUA), eu lutarei pela última vez. É isso: sem direito a retorno”, desabafou o atleta.

Tito anseia fazer o combate derradeiro contra uma de duas lendas do UFC: Chuck Liddell ou Forrest Griffin. Ele já enfrentou cada um por duas vezes. Lutou contra Liddell no UFC 47, em 2004, quando perdeu por nocaute e, depois, no UFC 66, em 2006, novamente batido por TKO. Contra Forrest, tem uma vitória e uma derrota. Os dois combates decididos pelos árbitros. O primeiro, vencido por Tito no UFC 59, em 2005, o segundo, com melhor resultado para Griffin no UFC 106, em 2009.

“Vamos ver o que Lorenzo (Fertita, um dos donos do UFC) e Dana (presidente da franquia) têm para me oferecer. Vou conversar com os dois na próxima semana. Vamos fazer da luta, a última da minha carreira, memorável”, avaliou o lutador. Dos dois atletas almejados por Tito, apenas Griffin continua na ativa. Liddell parou e, hoje, é membro do hall da fama do esporte.

A aposentadoria de Ortiz retira do octógono uma figura polêmica, capaz de surpreender os adversários com socos e provocá-los ao fim da luta com uma encenação no mínimo original: depois de derrotá-los, Tito coreografava dentro do ringue o enterro simbólico dos lutadores diante de uma platéia ensandecida.

De origem mexicana e norte-americana, ele se caracterizou pelo temperamento quente e por entrar nas batalhas com uma bandeira mista dos dois países. Tito participa do UFC desde o início da carreira. Estreou na edição de número 13, com vitória diante de Wes Albitron, ainda em 1997. Nas 25 lutas no Ultimate, venceu 16 e perdeu nove vezes. Chegou a ser campeão dos pesos-médios em um duelo contra o brasileiro Wanderlei Silva, em 2000, e defendeu o cinturão de forma bem-sucedida por cinto batalhas – até perdê-lo para Randy Couture, em 2003.

As maiores frustrações sobre o octógono vieram justamente no fim da carreira. Até 2006, Tito só havia perdido quatro vezes. A derrota para Chuck Liddell, em dezembro desse ano, abriu caminho para os cinco resultados pífios em lutas seguintes. Pressionado pela torcida, ansiosa para ver o desempenho de anos atrás, e acossado pelos dirigentes do UFC, por perder o ritmo de disputa característico do lutador, Tito chegou a uma encruzilhada na carreira.

O choro diante de Minotouro em dezembro do ano passado serviu como intérprete da inevitável aposentadoria. Resta a Tito uma última batalha. E a esperança de enterrar mais um adversário.

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