Dana White e o doping no UFC: dois discursos?

Presidente do UFC condena uso de substâncias ilícitas, mas teme postura mais rigorosa em relação a atletas com potencial de gerar lucro para a franquia

Dana White esbraveja: contra as substâncias ilícitas, os atletas usuários, o resultado positivo dos exames antidoping. Dana White sofre: com o risco de o MMA perder credibilidade, a possibilidade de os recursos minguarem, a retração do esporte. E Dana White age: condena publicamente os lutadores irregulares, respalda a comissão atlética responsável pelos testes, enquadra o plantel do UFC nas decisões. Mas, quando a situação ameaça a edição de um torneio extremamente esperado, Dana White: muda. Ou melhor, alivia. E é um perigo.

O doping é uma prática perniciosa para qualquer esporte. Aumenta a performance dos atletas e desequilibra a disputa saudável. O rigor dos exames, revigorado anualmente por comitês olímpicos e outras comissões esportivas, atesta a preocupação. Nada há de novidade. Mas a preocupação é redobrada no MMA.

As artes marciais mistas sempre caminharam em paralelo às associações com episódios violentos, capitaneados por vândalos embrutecidos a anabolizantes em academias e instituições de caráter duvidoso. O quebra-pau comum às edições de vale-tudo em décadas passadas ilustra as cenas de barbárie. A desvinculação da imagem de brutalidade se tornou uma tarefa executada com primor por Dana White e companhia à frente do UFC. E o trabalho passou pela construção da imagem de atletas saudáveis: da filosofia à condição física. Daí, o prejuízo multiplicado pelo infinito quando um lutador é enquadrado no exame.

O presidente do Ultimate conhece o problema. Condena o uso. Mas, em momentos recentes, escorregou no discurso, estremeceu a postura e pôs em xeque a linha a ser tida como exemplo por outros atletas. Quando Nick Diaz acabou apanhado no teste por utilização de maconha – e ficou muito longe de realizar uma luta lucrativa aos olhos do UFC contra George St-Pierre -, Dana White trabalhou nos bastidores para colocar panos quentes e suavizar a punição. A batalha contra o desafeto Pierre renderia bilheteria e pay-per-view. Medida recente adotada pela Comissão Atlética da Califórnia – competente para regular os casos – entendeu ser toleráveis a utilização de maconha e a reposição hormonal para casos específicos. Ainda não é decisivo.

Outro escorregão de Dana veio com a postura dúbia em relação a Alistair Overeem,desafiante ao cinturão do brasileiro Junior Cigano dos Santos. Flagrado em teste surpresa com 14 vezes a mais de epitestosterona na urina, ele deveria ser punido e afastado. O holandês seria um dos protagonistas da edição 146 do UFC, especial por congregar no card principal apenas pesos-pesados. Dana White veio a público e desferiu duras palavras contra o lutador. Mas, diante da possibilidade de a suspensão nem ser concedida, preferiu o silêncio.

O caso voltou a ser comentado hoje. Dana White repetiu o discurso. E balançou entre a filosofia do esporte e o lucro. Bradou contra os lutadores atraídos pelas substâncias ilícitas: “- Se você é maior de idade, um adulto, um atleta profissional, quantas vezes você precisar escutar que não deve fazer essa m…? Ou que isso pode acabar com a p… da sua carreira?”. Mas, quando o assunto foi Overeem: “Todo mundo recebe o devido julgamento. Vamos esperar o processo correr seu caminho natural na NSAC (Comissão Atlética de Nevada) e ver o que fazer a partir daí. Mas outra pessoa vai falar sobre o assunto, não eu. Se eu falar sobre esse assunto, vocês vão adorar e eu vou odiar. Esse tema me irrita muito. Não consigo nem encontrar palavras sobre como me sinto sobre isso”.

A dubiedade preocupa.

 

2 thoughts on “Dana White e o doping no UFC: dois discursos?

  1. Ufc eu aconpanho ja um bom tempo nao tenho la minhas duvidas ao ver alguns combates desproporcionais aos condicionamento fisico dos atletas vejo que alguns sao pegos em uso de doping logo em seguida e punicao ha! e ridicula eo que faz perder a credibilidade no evento, ainda mas agora que esta nesta (moda)

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