Dirigentes do UFC encontram dificuldade para furar o bloqueio local ao esporte
Nova York é a cobiça dos sonhos do Ultimate Fighting Championship (UFC). O estado, um dos poucos com as portas fechadas para as artes marciais mistas nos Estados Unidos, se tornou praça de guerra travada entre dirigentes da franquia e legisladores avessos ao esporte. A batalha disputada nas casas legislativas se desdobra em capítulos recheados de propagandas contra e a favor da prática. De um lado, atletas comandados pelo presidente da franquia, Dana White, dispostos a defender a esportividade do MMA e as regras adotadas para situá-lo no rol de atividades toleráveis. Do outro, críticos da modalidade, influentes no meio político, com um discurso montado para associar as lutas à barbárie.
O cenário produz contradições a olhos nu. Enquanto a celeuma vagueia na indefinição, o marketing arrisca golpes para divulgar o esporte. Em plena Times Square, a avenida mais famosa da capital da Big Apple, um enome cartaz exibe para os novaiorquinos uma luta inacessível a eles (pelo menos fisicamente). O clique (no alto, à direita) foi feito pelo colega Fred Figueiroa, editor do Diario de Pernambuco: uma imagem do lutador Junior Cigano dos Santos no UFC 146 – evento no qual enfrenta Frank Mir.
O caminho para validar o esporte em NY se alongou nesta semana. Reportagem publicada no jornal New York Daily News salienta a dificuldade para a aprovação do MMA na assembleia local. A matéria entrevista Sheldon Silver, porta-voz da entidade, e crava: o processo deve esperar até o próximo ano para ser apreciado. A proposta já naufragou três vezes na Casa, vale frisar.
Apenas no Senado houve desdobramento satisfatório. Um tímido progresso, é bom ponderar. Os congressistas aprovaram texto cujo teor flertava com a legalização da prática esportiva na cidade. Mas nada de concreto. De positivo, a sensação de mudança no ar. Silver declarou à reportagem sentir avanço na conscientização sobre as artes marciais mistas. A tônica é de um entendimento construído de forma lenta, gradual, sobre a esportividade do MMA.
A votação entre os parlamentares na assembleia marcou 60 votos contra a prática e apenas 25 a favor. A portas-fechadas, a reunião registrou, de acordo com Silver, uma preocupação generalizada dos membros sobre a possibilidade de abrir paasagem para o UFC. Mesmo diante do potencial de lucro a reboque do torneio. O Ultimate estima em R$ 16 milhões os benefícios da movimentação econômica local caso a permissão para realizar eventos de luta seja aprovada. No ano passado, Dana White e companhia fizeram uma ação estratégica em NY com o objetivo de listar as vantagens do esporte e dar a garantias quanto à adoção de métodos para proteger a integridade física dos atletas. A tática ainda patina na resistência. Mas o lobby continua.
