Lutador anuncia encerramento da carreira após luta contra brasileiro
Antes de Anderson Silva virar o maior lutador de MMA do mundo, houve um mito. Antes da adoção de regras para preservar a integridade física dos lutadores, houve um imbatível. Antes de as lutas nos ringues desfrutarem da fama de esporte internacional, houve um incontestável. Fedor Emelianenko, 35, triunfou anos a fio no universo das artes marciais mistas enquanto a atividade sobrevivia sob o peso da condenação pública. Reinou iluminado pelos holofotes da indiferença. Sobrepujou adversários, desafiantes, estilos de luta. Na era do Pride – maior torneio de MMA do mundo até ser extinto pelo UFC -, erigiu uma marca inalcançada: dez anos de invencibilidade. O Último Imperador, símbolo de supremacia nos combates, fez o anúncio mais temido pelos fãs: ele deve encerrar a carreira depois da próxima luta, contra o brasileiro Pedro Rizzo.
Os passos mais recentes da jornada até a despedida partilham fracassos e desavenças. Fedor errou o caminho. Na encruzilhada entre a ascensão do UFC e os ganhos pessoais, pisou em falso. Evitou se submeter ao comando de Dana White, presidente do torneio. E sumiu. No Strikeforce, venceu a primeira luta. Mas amargou três derrotas em sequência (Fabrício Werdum, Antônio Silva e Dan Henderson). Foi finalizado pela primeira vez. Término da invencibilidade. Desgaste no prestígio. O mandachuva do UFC usou as derrotas como argumento para aliviar a pressão de contratá-lo. Era o início do fim.
Incapaz de dobrar a empáfia do dirigente, virou-se para a terra natal. Venceu dois oponentes sem expressão (Jeff Monson e Satoshi Ishii). Mas sentiu a indiferença. O mundo arregala os olhos para o Ultimate. Os lutadores da franquia são tratados como ídolos, celebridades. Estrelam programas de TV, recebem cachês com regularidade, gozam de assistência médica. Benefícios impensáveis no auge do lutador, quando os ringues japoneses eram tomados por uma plateia ensandecida.
O atleta de origem russa se avizinha do encerramento da carreira com um cartel impecável. Lutou 38 vezes. Perdeu apenas quatro. Três das derrotas ocorreram em sequência, no Strikeforce. A primeira mora no ano 2000. Fedor empunhou o cinturão dos pesados do Pride. Ganhou também o do WAMMA. Desbancou Tim Sylvia, Rodrigo Minotauro, Mark Hunt, Mirko Cro Cop, Mark Coleman, entre outros nomes do mundo da luta.
O lutador justificou o fim da trajetória: “Vai ser especialmente importante para mim vencer em casa, na Rússia. A minha penúltima luta, em novembro, foi em Moscou. E a última será em São Petersburgo. Essa será a última luta da minha carreira. Eu acho que é hora de parar. Quero prestar mais atenção à família e acho que é hora de parar. Depois de cada luta, sento com minha mulher e digo que é a última, mas sempre estou tentando convencê-la por outra. Mas eu vou terminar”, explicou, em declaração publicada no site da SporTV.
A aposentadoria de Fedor encerra uma época do MMA. É a despedida de um tempo marcado pelo confronto bruto entre os atletas. Sem leis, regras, limites como os de hoje. Época dos resistentes aos ferimentos, dos golpes improváveis, dos desafios de gigantes contra pequenos, com espaço para mistura de pesos, categorias. Encerra os desafios mais impensados, a base da criação das próprias artes marciais mistas – quando a supremacia se dava diante de qualquer adversário. Fedor anuncia o adeus sem nunca ter pisado o octógono do UFC. Seria interessante vislumbrar a técnica do lutador frente aos atletas de ponta da atualidade. Mas o destino decidiu separá-lo da nova era de glórias do esporte. O passado, no entanto, nunca será cruel a ponto de esquecê-lo. Ainda bem.

e dana white já não existe outro evento além do que foi o pride é agora que o UFC afunda de vez por que agora o fedor vai abrir uma organização que crescerá constantemente e ele tá tá chegando.
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Fedor mesmo não lutando em nenhuma oportunidade no UFC é sem dúvida o melhor peso pesado da História do Esporte. Diferenciado, o mestre em sambo não utiliza jiu jitsu que talvez seja a mais poderosa arma dentro dos rings junto ao wrestling… mesmo finalizado por Werdum (unica da carreira), demoliu minota na guarda de um dos maiores mestres da arte suave, infelizmente seus empresários e sua gestão impediram o padeiro de Nocautear ou finalizar nomes da atualidade como Mir, Cain, Cigano. E se Rizzo dar risada no fim da luta, é aposentadoria para o The last empor, mas se Rizzo chorar… creio que Fedor junta mais uns pila com Barnett, Owereem ou Cornier
Discordo das opiniões “Antes da adoção de regras para preservar a integridade física dos lutadores” e “um tempo marcado pelo confronto bruto entre os atletas. Sem leis, regras, limites como os de hoje.” Vejam a primeira derrota do Fedor, e analisem a questão de integridade física, a razão pela qual a luta foi paralisada e os motivos da contestação disso. Depois me digam a diferença daquela luta para as regras do MMA no UFC.
Oi, Vladimir, tudo bem? O texto se refere à adoção das regras mais severas – como as de hoje – criadas para proteger os lutadores (e que muitos consideram que amarram as lutas). O famoso “tiro de meta”, por exemplo, desautorizado pelo UFC. Não quer dizer que inexistiam mecanismos para impedir uma sangria desatada – como no caso da primeira derrota de Fedor, com a interrupção do árbitro. O texto também se refere à assistência médica fora dos ringues, com acompanhemento de todos os contratados pelo Ultimate. É inegável que, na época de Fedor, os limites eram mais largos – o que tornava os atletas diferenciados até mesmo na estratégia das lutas. Bom, valeu pelo toque. Um grande abraço!
É com grande tristeza que recebo a presente notícia, haja vista que tomei conhecimento da existência de Fedor Emelianenko há pouco tempo. Na verdade, a primeira vez que o ví foi na luta contra Andrei Arlovsky no Afliction. De lá para cá tornei-me um incansável admirador em busca de lutas anteriores, vídeos de treinamento, entrevistas e qualquer registro que mostre ou que eternize a importância desse atleta para o esporte mundial. Fedor é mais do que um atleta, é um exemplo de esportista e homem, haja vista o respeito que ele demonstra pela profissão e pelos adversários. Sinto muitíssimo não ter desfrutado dos momentos de glória no Pride, quando Crocop e Coleman eram gigantes do mesmo calibre. Que essa notícia seja, apenas, mais um boato…