Lyoto Machida diz que Jon Jones tem, sim, um ponto fraco
Lyoto Machida é páreo para Jon Jones. Os dois sabem disso. É adversário para derrotar fisica e moralmente o atual campeão dos meio-pesados. Os dois sabem disso. Quando ficaram frente a frente pela primeira vez, o brasileiro prevaleceu. Na luta, calculou a distância. Avançou e recuou na medida certa. E chegou a acertar o jovem norte-americano com golpes certeiros. O corpo deu o recado. A mente entendeu. A mente de Jones. Acuado, ele redefiniu a estratégia. E inverteu a dinâmica da luta com uma cotovelada. Tonto, Machida virou presa fácil para o oponente.
O desfecho seria outro se um dos socos do brasileiro tivesse mais força, se os chutes entrassem com mais eficácia, se a tática funcionasse. Mas, ainda bem, o MMA dispensa o “se”. Os dois sabem disso. E, para espantar o quase, o Dragão paraense tem outra lógica. Desde já, aponta. Melhor, fere: Jones é fraco. Sim, no chão. Onde nunca repousou as costas até agora na trajetória no UFC. Esteve sempre por cima. No combate, nos pontos, no resultado. Ali, embaixo, entre o oponente e a sensação de derrota, entre os socos e a impotência, entre a empáfia e o desespero, nunca ficou. É o caminho. Um caminho. Possível, mas tortuoso e longe. Fica a um cinturão de distância.
Jones nunca caiu porque reina em pé. Das doze lutas abrigadas sob o UFC, fez de tudo. Barba, cabelo, bigode. Nocaute, submissão, pontos. Ganhou o cinturão aos 24 anos e já o colocou em jogo três vezes. E nem parece, diz a estatística da facilidade: finalizou Rampage Jackson, Lyoto Machida e cozinhou Rashad Evans até a decisão dos jurados. Antes, fez Shogun parecer um sparring na conquista do cinturão. Ficar com as costas no chão pode ser um ponto fraco. Mas forte é a chance de ele evitar isso.
O caminho de Machida é espinhoso. Mas factível. O encontro entre os dois sobre o octógono pela última vez definhou a impossibilidade. O olimpo tocou o chão: Jones é de carne e osso. Humano. Atingível. E pode ser vencido. Mas a prudência pede passagem: antes do reencontro, existe Dan Henderson. Bom em pé, excelente no chão. Adversário imprevisível na dança dos cinturões. Capaz de subverter prognósticos. Casca grossa suficiente para qualquer um. Todos precisam considerar a máquina formada no Pride. Glorificada nas artes marciais mistas. Mesmo aos 41 anos, ele é perigo. Para Jones, para Machida. Eu sei, vocês sabem. E eles também sabem disso.
Relembre a derrota de Machida para Jon Jones
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que nada. lyoto tomou um cacete e se tiver revanche vai tomar outro. só nao dormiu no 1ºround pq jones ainda tava estudando, mas foi só o corner passar o bizú que a coisa mudou. se for pro chao vai apanhar mais ainda.
Bem resumida a situação de revanche entre esses dois artistas marciais. De fato, Jon Jones é quase invencível (“quase” porque invencível ninguém é). Em favor do americano contam a aparente infinita energia e o leque de movimentos que surpreendem os melhores lutadores. Além disso, a envergadura cria quase um campo de força, cujo único lutador a penetrar foi Machida. JJ criou essa áurea de invencível, virou um gigante, contudo, quanto maior a árvore, maior a queda. Em seu desfavor pesam a imaturidade – que pode ser sua maior inimiga se ele for ferido e vir o próprio sangue verter. Restará ferido não só o corpo, mas o ego (lembram de Tyson?). Foi fácil ver o quão desapontado e quase desesperado Jones ficou, no primeiro round da contenda contra o nissei brasileiro. O chão de JJ é uma incógnita, mas também não é a praia de Machida. Embora faixa preta de Jiu jitsu, foram em poucas oportunidades que o brasileiro venceu no chão, sem contar que vacilou no estrangulamento aplicado por Jones. Em seu favor está a maestria em desviar golpes e a maturidade (que embora fisicamente possa ser um peso), mas trás consigo a sabedoria.