A pesada que calou um falastrão

Pezão ensinou a Overeem que falar não ganha luta

Existe um lugar na luta onde as palavras quedam. Morrem de inanição. São apenas um sopro de vento na lembrança de um significado perdido no passado. Dentro do octógono selado pelos olhos dos fãs, vigiado por treinadores, fiscalizado por juízes e dirigentes, falar vale nada. O já dito soa como bravata. Mero desperdício de energia de quem pouco tem a oferecer. De frente para uma fera indomável, açoitada por provocações e humilhação, as declarações de menosprezo só guiam ao suicídio. E a derrota acachapante deixa mudo quem se valeu da língua solta para contar vantagem.

O provocador Alistair Overeem, ícone do MMA, topou com o silêncio no UFC 156. Engoliu o desapreço à base de uma saraivada de socos. Contorceu-se diante da impossibilidade de dar voz à desqualificação apregoada, dias antes, em relação às habilidades do brasileiro Antônio Bigfoot Silva, o Pezão. Durante a preparação, o estrangeiro abusou da soberba. Criticou o oponente. Imbuído de prepotência, mirou o cinturão e construiu a ponte para o título com palavras. Esqueceu-se dos gestos. Da ação. Do ponto onde a ambição toca a realidade. E o nocaute sofrido no terceiro round mergulhou no pesadelo silencioso o sonho construído no vazio do grito.

O holandês fez valer as bravatas durante os dois primeiros rounds do combate. Conseguiu segurar o ímpeto do brasileiro e dar sentido às humilhações. Ao fim do segundo assalto, partiu para o corner com ar de superioridade. Provocativo. Destemido. Um tolo. No retorno, o gigante Pezão distribuiu uma série de socos. Overeem dançou em pé entre as mãos do brasileiro. As pernas bambearam, o corpo foi ao chão. Com ele, a empáfia. O sonho. O grito. Embriagado pela vitória, o lutador de Campina Grande, da Paraíba, do Brasil, pisoteou o orgulho do adversário. Esbravejou para lutar mais. Depois, na coletiva de imprensa, esmagou o resto de moral do oponente: “Overeem é forte quando bate. Mas quando apanha é um gatinho.”. Silenciou o holandês.

A vitória rendeu-lhe o prêmio de nocaute da noite. Melhor: credenciou o brasileiro de vez para disputar o cinturão, hoje nas mãos de Cain Velásquez. Uma oportunidade construída com a técnica demonstrada dentro do octógono. Moldada no suor, nos golpes, na preparação e no treinamento ao qual ele se dedicou até mesmo nos feriados do fim do ano. Uma chance conquistada no exato lugar onde as palavras só valem quando são precedidas de humildade e sucedidas de gestos. Onde Pezão fala, grita, esbraveja. E Overeem cala, emudece, silencia.

Lutador brasileiro punido pela polêmica testosterona

Toquinho testou positivo para níveis intoleráveis do hormônio no UFC

A praga do excesso de testosterona no organismo fez mais uma vítima no UFC. O brasileiro Rousimar Palhares, o Toquinho, testou positivo no exame antidoping para a substância depois da derrota diante do atleta Hector Lombard, na edição Sotiropoulos x Pearson, realizado na Austrália, no mês passado. O lutador apresentou níveis muito acima do permitido pelas normas internacionais e deverá ficar de longe do octógono por, no mínimo, nove meses. Ele já deveria ficar de molho por seis meses por recomendação médica em função de ter quebrado o pé durante o combate.

O baque sofrido por Toquinho fora do ringue se soma ao fiasco das mais recentes apresentações na categoria dos médios do torneio. Exímio finalizador, o atleta tem tropeçado nos confrontos escalados pelo UFC: perdeu a luta contra Lombard e a anterior frente a Alan Belcher, depois de emplacar uma sequência de três vitórias seguidas. O limbo forçado deve atirar o brasileiro no ostracismo pelos próximos meses e atrasar qualquer tentativa dele de chegar a disputar o cinturão hoje de posse do imbatível Anderson Silva.

A punição aplicada a Toquinho entra na lista de penalizações sancionadas por conta da controversa presença de testosterona no organismo de um lutador. A reposição do hormônio por meio de tratamento é uma prática confusa na interpretação das autoridades médicas responsáveis por controlar a legalidade das lutas no torneio.

O atleta Chael Sonnen, por exemplo, chegou a ser punido por ostentar níveis acima dos fixados e, depois, recebeu sinal verde para repor testosterona antes de enfrentar o Aranha.  Alistair Overeem, recém-autorizado a voltar aos ringues, havia sido castigado pelo mesmo problema. Nate Marquardt chegou a culpar o hormônio pelo afastamento da franquia enquanto Tito Ortiz, já aposentado, condenou os tratamentos para reforçá-la adotado, entre outros, pelo ex-campeão Forrest Griffin.

A indecisão na hora de decidir quem deve ser punido por apresentar níveis inadequados da testosterona no organismo vitimou, agora, o brasileiro Toquinho, atleta de 32 anos, 14 vitórias e 5 derrotas nas artes marciais mistas. É uma questão mal resolvida pelas autoridades ligadas ao MMA internacional, ponto frágil na condução do esporte. Quem será a próxima vítima?

P.S.: o atleta Joey Beltran também foi pego no exame antidoping. Ele acabou punido pela presença de um esteróide no sangue. Assim como o brasileiro, ficará afastado dos ringues por nove meses.

MMA para ler e fazer festa literária

Edição de festa literária em PE vai falar do tema enquanto livrarias são tomadas pelos títulos

A edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) de 2012, uma das mais significativas do estado, surpreendeu ao incluir no tema do evento do ano seguinte um fenômeno já percebido pelos admiradores de MMA: o encontro vai falar da relação entre livros e jogos e, claro, abrir espaço para tratar de artes marciais. O curador da feira, Antônio Campos, frisou a importância do segmento dentro do bojo de esportes aos quais se dedicará a Fliporto. “Vamos explorar a questão das artes marciais”, ele disse, ao comentar a interação entre a literatura e assuntos ligados a jogos.

Era questão de tempo. Desde a explosão do MMA no Brasil – em virtude da popularização do UFC nos anos recentes -, o esporte despejou no mercado dezenas de livros sobre os bastidores dos torneios, a vida dos lutadores, o treinamento e as técnicas fundamentais para enriquecer os combates. Atletas de mais prestígio se apressaram para aproveitar a audiência e publicar obras sobre a trajetória profissional, a família e como ingressaram no mundo dos duelos. Pesquisadores também se dedicaram ao tema para entender como as batalhas travadas nos ringues conquistaram a atenção do público e transformaram a marca do UFC – maior franquia da atualidade – em uma marca avaliada em R$ 1 bilhão, com venda de pay-per-view para mais de 140 países.

A lista de publicações, dentro e fora do país, é extensa. Uma breve pesquisa nas maiores livrarias do Brasil aponta para mais de 80 títulos sobre MMA, muay thai, os Gracie, jiu-jitsu, entre outros temas. O Ringue Diario selecionou alguns livros interessantes para quem já acompanha as artes marciais mistas ou quer entender mais do universo das lutas.

>> Filho teu não foge à luta: escrito pelo jornalista Felipe Awi, o livro mergulha na história do MMA no Brasil e relaciona a importância dos atletas brasileiros para o boom das artes marciais mistas e do UFC. Felipe entrevistou lutadores, checou documentos e publicações para reconstituir a trajetória do esporte desde a família Gracie, criadora do jiu-jitsu à brasileira. Editora Intrínseca, 320 páginas, R$ 24,90.

>> Almanaque Combate: Editado pela Tatame, traz um retrospecto do que foi observado pelo site especializado em lutas desde o início das atividades, há 18 anos, e pelo canal Combate, único com direito de transmitir todas as edições do UFC no Brasil. Edição para colecionador possui 240 páginas em papel couchê e um farto material fotográfico, além de história dos lutadores e da franquia de MMA. Editora Tatame, 240 páginas, R$ 89,90.

>> Anderson Silva: a bíblia do MMA: Lutador mais bem avaliado no UFC atual, o campeão brasileiro do peso médio explicita 15 técnicas utilizadas por ele dentro do octógono. Livro reúne mais de 1,5 mil fotografias para auxiliar na demonstração das técnicas de chutes, socos, imobilizações e combinações entre golpes. Editora Universo dos Livros, 358 páginas, R$ 69,90.

>> Anderson Spider Silva: o próprio lutador conta como começou nos combates, as dificuldades, o treinamento e os desafios. Fala sobre os segredos – como o dia em que quase matou uma pessoa -, da família e procura transmitir a filosofia adotada antes, durante e depois dos duelos. Editora Primeira Pessoa, com prefácio do jogador Ronaldo, 192 páginas, R$ 29,90.

>> Vitor Belfort, lições de garra, fé e sucesso: um dos lutadores mais famosos no Brasil e no mundo, Vitor Belfort fala sobre a carreira e a vida pessoal. Campeão mais jovem do UFC, ele viveu momentos de angústia fora do octógono, quando teve a irmã sequestrada. Recuperado, voltou a lutar e, hoje, é um dos maiores nomes de prestígio no esporte. Editora Thomas Nelson Brasil, com prefácio do técnico de vôlei Bernardinho, R$ 29,90. Também disponível em e-book (R$ 20,93).

>> Heróis do MMA: André Martinez desmistifica a tese de que o MMA é uma rinha de galos e mostra por que as lutas são um esporte em franca ascensão no mundo todo. Compara os duelos a batalhas e classifica os lutadores de guerreiros. Fala sobre os principais nomes do esporte, como Anderson Silva, Lyoto Machida, Minotauro, George St-Pierre, entre outros. Editora Tatame, R$ 34,90.

Filme sobre sumô em exibição no Recife

Arte marcial do oriente, o sumô é o tema central de um filme exibido nesta semana no Cine-Teatro Apolo, no Recife. A produção Sumô, suor e peleja (1992), mostra um grupo de universitários atrapalhados forçados a praticar a atividade para conseguir se formar. A comédia apresenta os jovens desinteressados e alheios aos ensinamentos da arte milenar, no primeiro contato com a arte. Mas, aos poucos, eles desenvolvem um apreço pelo esporte japonês.

O filme será exibido na terça-feira (às 17h) e na quarta-feira (às 19h). O estabelecimento fica na Rua do Apolo, 121, Recife. Fone: 3224.1114.

A pressão sobre George St-Pierre às vésperas do UFC 154


No twitter: @tiagobarbosa_

Enquanto padeceu longe do octógono para se recuperar de uma cirurgia no joelho, o canadense George St-Pierre assistiu a uma paulatina mudança de paradigma no Ultimate Fighting Championship: os dirigentes do torneio derreteram a indiferença em relação aos fãs do esporte e deram sinais cada vez mais significativos de querer armar superlutas entre ícones de categorias diferentes da franquia – em especial, contra Anderson Silva, campeão dos médios e maior lutador de MMA da atualidade.

A possibilidade remota meses atrás de subir ao ringue para enfrentar o brasileiro tornou-se alvo de clamor imediato. Ao lado de Jon Jones, campeão do meio-pesado, St-Pierre virou um dos atletas mais cogitados para dissipar a aura mítica de invencibilidade criada em torno do Aranha. A expectativa contraída involuntariamente pressiona o próximo desafio do canadense, contra o campeão do meio-médio, Carlos Condit. George adentra o octógono do UFC 154, no próximo dia 17, com a múltipla missão de recuperar o título, espantar sequelas da cirurgia e se apresentar como o mesmo atleta mordaz sobre o qual o mundo deposita esperanças de fazer frente a adversários como Anderson.

A cautela é, até agora, o escudo empunhado pelo canadense para se defender da pressão. GSP, detentor de números invejáveis de venda no pay-per-view, atribui as especulações ao potencial financeiro da luta. E prefere concentrar esforços no combate contra Condit. Sem sobressaltos, um passo de cada vez: “Falam comigo sobre a luta seguinte, mas ainda não estou lá. Condit é um cara perigoso”, ele disfarça, com a tática freqüentemente utilizada por treinadores de futebol para quem ninguém merece descrédito.

O canadense admite a hipótese de enfrentar o brasileiro. Mas pede um tempo para analisar os desdobramentos do duelo. O campeão Anderson Silva já demonstrou interesse em lutar contra a lenda viva do MMA canadense. Preferiu enfrentá-lo a ter de topar, agora, com o norte-americano Jon Jones, uma estrela em ascensão nas artes marciais mistas em plena forma física e atlética. A decisão da superluta entre os veteranos é um passo calculado nos bastidores pelo UFC. Na linha de frente, George St-Pierre dá passadas largas na precaução: a estrada da vez é o duelo contra Condit. O resto é um caminho a ser trilhado.

O campeão:

George St-Pierre, 31 anos

Lutas: 24

Vitórias: 22

Derrotas: 2

Invicto há nove lutas no UFC

Erick Silva vs. John Fitch: a pressa contra a calma

Brasileiro avassalador enfrenta, no UFC Rio 3, oponente que amarra as lutas

 

Jovem Erick Silva contra o veterano Fitch

O relógio é aliado de Erick Silva. O tempo nunca o ameaça. Quando os ponteiros ensaiam o primeiro movimento, o lutador ergue os braços e comemora a vitória. Ágil, fulminante, vigoroso, o capixaba de 28 anos é uma estrela em ascensão veloz nos quadros do Ultimate Fighting Championship. A performance exibida nas primeiras participações nem de longe deu para cansá-lo: as lutas acabaram com rapidez no primeiro round. O piscar de olhos apressou uma aposta: ele foi alçado futuro substituto de Anderson Silva, o campeão brasileiro do peso médio, considerado o melhor atleta de MMA da atualidade. Erick corre para transformar a previsão em realidade. E tem três rounds, na noite do sábado, no UFC Rio 3, para atirar a dúvida no passado.

A tarefa é a mais árdua desde o início dele no UFC. O adversário é o experiente John Fitch. Nas 16 últimas lutas no torneio, o norte-americano de 37 anos perdeu apenas duas: a primeira para o campeão da categoria do meio-médio, o canadense George St-Pierre, no UFC 87, de 2008. Foi o ponto final na invencibilidade de 16 combates. A segunda, para Johny Hendricks, no ano passado, pelo UFC 141. Representou a primeira apresentação vergonhosa de Fitch no Ultimate: derrota em rápidos 12 segundos depois de levar um soco. O veterano sobe ao octógono carioca para apagar a péssima impressão deixada em 2011 e recuperar a chance de disputar, de novo, o cinturão. A busca pela glória do passado é a pressa de John.

“E no dia 13, na hora que fechar o octógono, é só nos dois e mais ninguém”

O confronto opõe dois estilos de luta. De um lado, Erick e o ritmo avassalador imprimido para alcançar o nocaute. Rendeu-lhe vitórias incontestáveis contra Luis Ramos (em sequência de socos ao 40 segundos do UFC Rio 1) e Charlie Brenneman (finalização no primeiro round no UFC On Fox). No meio do percurso, apenas um revés: a desclassificação por socos na nuca contra Carlos Prater (UFC Rio 2) decidida pelo juiz Mario Yamasaki. A mancha no histórico perdeu intensidade com a opinião do mandachuva do torneio, Dana White, para quem o brasileiro venceu o combate com golpes regulares. Assodado pela fama, empurrado pelo prestígio, Erick quer outra vitória.

O perfil de Fitch é rima com calma. O lutador é conhecido por amarrar os combates e vencer os adversários pelo cansaço. Calcular os golpes e erguer a defesa para evitar ser atingido. Sem correr riscos. Das dez lutas mais recentes, somente uma acabou com nocaute: justamente a da derrota dele no ano passado. O restante, vencido por Fitch, terminou nas mãos dos juízes dos torneios. Até mesmo a derrota para GSP precisou do posicionamento dos árbitros. A estratégia nem sempre agrada fãs do MMA e o próprio UFC, mais acolhedor de lutadores capazes de dar espetáculo, mas é eficiente. E rende ao atleta o tempo necessário para vencer.

“As pessoas acham que os lutadores ganham bem. Sim, o dinheiro é bom, mas nós não somos pagos do mesmo jeito que os atletas da NBA, NFL”

A compilação de rankings feita pelo USA Today, o parâmetro mais aceito para classificar os lutadores, coloca Fitch em sétimo lugar e o brasileiro Erick Silva em vigésimo. O desfecho do combate na noite do sábado será significativo. Se vencer, o capixaba caminha na direção dos top da categoria e se aproxima da chance de lutar pelo cinturão. Fitch ficaria mais distante de repetir os feitos de outrora. O inverso reconduz o norte-americano à possibilidade – talvez a última – de concorrer ao título. E só deixa Erick um pouco afastado da supremacia hoje pertencente a Carlos Condit. No duelo da pressa contra a calma, só uma autoridade pode decidir o combate. Com a palavra, o tempo.

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Hora de rir: vídeos toscos de artes marciais

 

A coragem no universo das artes marciais nem sempre está apenas em quem se atreve a desafiar o oponente dentro de um ringue ou sobre um tatame. Há outra situação, digamos, igualmente perigosa e encarada tão somente pelos bravos de espírito. Ou desavergonhados, você poderá concluir: filmar lições toscas de autodefesa e publicá-las na internet. O Ringue Diario veicula cinco vídeos divulgados pela Fighter Only Magazine sobre “técnicas” de eficácia bem duvidosa para se livrar de uma abordagem ou mesmo topar encarar um adversário. Veja, (des)aprenda e dê boas gargalhadas.

1 – Uma seleção sobre trapalhadas dentro de casa ou na academia.

 

2 – A força do dedo. “Professor” ensina como dominar com uso de apenas um dedo. É mole?. No vídeo, ainda tem a interessante “escapada ao atirar os óculos”. E a boa e velha cusparada! Fantástico!

 

3 – A técnica da “antecipação” meio louca. Dá um tapa no braço do oponente (imóvel) e domina. Atenção para a tentativa tresloucada de catar as pernas do adversário.

 

4 – A exibição de gala do engomadinho. Com o cinturão (perdão, cinto) nas alturas, ele faz você dormir com um balé desengonçado.

 

5 – A cartada final: a técnica para dominar o adversário apenas com o poder da energia. Se funciona? Veja o depoimento no final… se não cair no sono antes.

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