Levantamento mostra estrago das contusões em um anos de trabalho no UFC e no Strikeforce
Quando recomendou aos lutadores diminuir o ritmo de treinamento para evitar lesões, o presidente do UFC tocou em um ponto sensível – e aparentemente irremediável – no mundo do MMA: a recorrência de problemas físicos e a conseqüente alteração dos cards das lutas. Dana White (abaixo) cobrou prudência em tom de apelo. Soou como súplica de quem sente no bolso o prejuízo deixado por uma mudança súbita na ordem dos combates. Levantamento inédito do MMA Fighting divulgado nesta semana deu números à preocupação do dirigente: somente em 2012, exatamente 104 duelos foram cancelados no Ultimate e no Strikeforce (prestes a ser extinto) motivados por lesões.
O montante, apesar de ser absorvido ao longo dos 31 eventos promovidos somente pelo UFC em 2012, incomoda e coloca na mesa dos dirigentes a necessidade de adotar medidas mais eficazes para evitar a recorrência dos episódios. A redefinição de uma luta gera prejuízos para os cofres dos torneios – com perda ou mudança de material de marketing, queda na venda de ingressos, renegociação de direitos televisivos – e frustra a ansiedade do público muitas vezes alimentada por meses de ver o confronto entre dois lutadores. O espiral de transtornos enredou o mal-estar no cancelamento do UFC 151, justamente depois de Dan Henderson se machucar às vésperas de enfrentar Jon Jones. Lyoto Machida e Shogun recusaram a luta. Coube a Belfort o duelo, na edição de número 152. Em 20 anos de UFC, pela primeira vez um torneio deixou de ser promovido.
A pesquisa do MMA Fighting frisou os combates por título cancelados pelas lesões: foram sete. O brasileiro José Aldo (no alto), campeão do peso pena do torneio, aparece duas vezes na relação. Teve as lutas contra Erik Koch e Frankie Edgar removidas – a última após sofrer acidente de moto. Sete disputas de combate principal deixaram de ser feitas por conta das contusões. Entre elas, a final da primeira edição do TUF Brasil entre Vitor Belfort (quebrou a mão) e Wanderlei Silva, revanche esperada desde 1998 e provavelmente marcada para nunca acontecer.
É difícil explicar a origem de tantas lesões. Esforço extremo durante os treinamentos, provocado pelo nível cada vez maior de competitividade, e desgaste físico em função da idade certamente pesam. Mas há quem enxergue nas contusões uma forma de os lutadores ludibriarem as comissões atléticas e correrem dos flagrantes nos testes de doping. Além, é claro, do descuido na preparação do dia a dia, a exemplo de José Aldo, lesionado depois de cair de uma moto.
O levantamento serve de alerta para o UFC e outros eventos de MMA. Instiga a adoção de medidas mais eficazes para diminuir a alteração dos cards em função de lesões geradas nos treinamentos. O dano financeiro pode até ser remediado pela convocação de outras lutas de peso para recompor os torneios. Mas a possibilidade de nunca ver dois lutadores em ação no auge da forma é uma perda irreparável para os fãs. Só os atletas podem poupar esforços nessa hora.










