Se ganharem combates de amanhã, brasileiros devem fazer tira-teima
Empacotem o sonho do cinturão. Guardem na geladeira. Ou deixem de molho. Não é para agora. Maurício Shogun Rua e Lyoto Machida possuem um compromisso antes de desfrutar a chance de recuperar a soberania nos meio-pesados do UFC. Se vencerem os combates de amanhã contra Brandon Vera e Ryan Bader, respectivamente, eles devem se enfrentar em um tira-teima para decidir quem tem direito de disputar o título. É o caminho natural posto diante do mandachuva do Ultimate, Dana White.
O dirigente até tropeçou na língua nos útimos dias. Deu preferência a Shogun e Vera. Pressionado pela razão, estendeu a Machida e Bader o privilégio. Mas se os dois brasileiros lograrem sucesso no octógono, como Dana decidiria entre eles?
Shogun e Machida chegam ao UFC On Fox 4 em situação semelhante. O primeiro perdeu a luta, o cinturão e a moral contra o atual campeão, Jon Jones – foi surrado até ficar tonto e ver o combate ser encerrado pela arbitragem. Merece elogio pela capacidade de resistência. Machida perdeu para Jones de forma melancólica. Dormiu em pé após estrangulamento. Pesa a favor do carateca, no entanto, o controle da luta e dos golpes no primeiro round.
O desempate seria pelo retrospecto no confronto direto. Mas o duelo entre ambos está igualado. Machida bateu Shogun na defesa do cinturão. Na revanche logo em seguida, sofreu o primeiro nocaute na trajetória no MMA. Uma vitória para cada lado. O tira-teima, é óbvio, sobressaiu na coletiva de ontem sobre o UFC On Fox 4. Todos querem saber quem teria preferência na disputa do cinturão. Como sair do embate?
Há uma carta na manga do UFC. E ela rende grana. Shogun e Machida podem se tornar os técnicos da próxima edição do The Ultimate Fighter Brazil. Cairiam como luva no programa. Os dois têm carisma, se expressam bem, são “bons moços” e conquistaram respeito no mundo das artes marciais mistas. Levariam ao ar a disputa e o treinamento dos meio-pesados – a primeira edição trabalhou peso-pena e médio. E, pelo próprio perfil, garantiriam o toque de elegância e humanidade necessário à segunda edição do reality.
A saída ganha corpo como a mais viável para evitar o constrangimento a Dana White de decidir – sem critérios palpáveis, diga-se – quem é o indicado a lutar contra o vencedor de Jon Jones e Dan Henderson. Mas, antes de avançar no tempo, é preciso respeitar o presente. Brandon Vera e Ryan Bader lutam por espaço ao sol e prometem endurecer a vida dos brasileiros. A revanche, recomenda a prudência, começa no octógono de amanhã. Só a vitória permite imaginar o título no horizonte. Antes disso, o sonho do cinturão repousa na gaveta do tempo.













