A passagem pelo Nordeste de um dos sócios do UFC, Lorenzo Fertita, reacendeu uma antiga rivalidade entre Pernambuco e Bahia. Os dois estados entraram na briga (diplomática, é bom frisar) para sediar uma edição do torneio de MMA mais famoso do mundo em 2012. A razão é óbvia: o Ultimate é o rosto de uma atividade atlética cujo crescimento bate recordes de público e de receita. O evento realizado em agosto, no Rio de Janeiro, movimentou quase R$ 70 milhões e passou em mais de 30 milhões de lares. É uma mina de dinheiro capaz de movimentar a indústria hoteleira, gerar empregos e inspirar causas sociais.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, bateu na tecla crucial: quer usar o esporte como mote social contra as drogas. Faz sentido. Muitos atletas do MMA foram jovens em dificuldade financeira. Exemplos de volta por cima hoje para quem sequer possui uma perspectiva de dias melhores. “Nossa ideia é mostrar que um campeão não usa drogas, sobretudo o crack”, ele declarou. Na mosca.
O governador da Bahia, Jaques Wagner, preferiu destacar a vocação do estado para realização de grandes eventos, segundo informações repassadas pela assessoria de imprensa. Citou como exemplo o mundial de judô. A proposta também atrai. O UFC busca explorar a quebra de recordes como marcos para dimensionar o crescimento do esporte. Durante a semana do UFC no Rio, Lorenzo Fertita cogitava realizar um evento em Manaus, no Amazonas, justamente no sambódromo da cidade cuja capacidade ultrapassa 100 mil pessoas.
Pernambuco terá dois eventos no fim deste ano para testar a popularidade do MMA. O Night World Championship – com lutas de artes marciais mistas e kickboxing e quatro cinturões em jogo -, já no mês de novembro, e o Recife Fighting Championship, a ser realizado em dezembro. O estado conta com lutadores entre os atletas do UFC: Rafaello Trator e os irmãos Assunção (Junior, Rapha e Freddy) são alguns dos nomes mais conhecidos.
A Bahia tem a seu favor o prestígio de lendas mundiais do esporte, como Rodrigo Minotauro, e o catarinense radicado na terra de Caetano e Gil, Junior Cigano dos Santos – cuja disputa pelo cinturão dos meios pesados ocorrerá em novembro, na primeira transmissão do UFC na televisão aberta dos Estados Unidos.
O dirigente do Ultimate sondou os dois estados e manteve um protocolo padrão por onde passou para evitar demonstrar preferência por qualquer uma das unidades da federação. Fertita veio ao Recife e, depois, partiu para Salvador, onde ficou o suficiente para divulgar o esporte. Antes, no entanto, encontrou-se com Junior Cigano. Tirou uma foto com o lutador, postou no twitter e seguiu caminho. No microblog, também teve espaço para um curto elogio à Veneza Brasileira: “Recife is nice (Recife é bom)”.
Lorenzo levou o interesse de dois estados nordestinos em sediar o torneio. E deixou uma briga sadia para saber quem traz, pela primeira vez, o maior torneio de MMA ao Nordeste. A luta só começou.