A Vitor Belfort, apenas o caminho do cinturão

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Ele pode desconversar. Fingir falta de interesse. Jogar a decisão para as mãos do chefe Dana White. Mas é impossível virar os olhos para a necessidade de colocar o Fenômeno novamente no topo da lista para disputar um cinturão do UFC. Vitor Belfort esmagou qualquer receio de vê-lo perto do fim da carreira com o chute rodado e a saraivada de socos desferidos contra Luke Rockhold. O desempenho irretocável contra o desafiante – com nocaute ainda no primeiro round – evidenciou a boa forma do atleta e pressionou o Ultimate a fazer justiça com o lutador.

A luta contra Anderson Silva ou Jon Jones (um peso acima) é inevitável. A categoria dos médios está repleta de atletas destroçados pelo Aranha ou pelo próprio Belfort. Depois do falastrão Sonnen fazer as malas para o meio-pesado, o rol dos médios ficou com o ranking liderado por Anderson Silva seguido por Chris Weidman, Belfort, Yushin Okami, Michael Bisping e Luke Rockhold nas seis primeiras posições.

Sejamos honestos: se o Aranha vencer Weidman – uma luta cujo equilíbrio técnico é contestável, pois Chris pouco fez para merecer o duelo -, quem frearia a necessidade de vê-lo enfrentar Belfort? Bisping já mostrou ser um desqualificado na busca pelo cinturão. Okami é fraco para se atrever a alcançá-lo (perdeu para Anderson) e Rockhold… bem, Rockhold não vai levantar nem tão cedo. Ou seja, O Fenômeno e o Aranha deveriam reeditar um dos combates do século (no UFC 126, em 2011, deu o campeão com nocaute avassalador).

Há, no entanto, duas ressalvas contra o combate. A primeira atende pelo nome de superluta. O dirigente Dana White articula colocar Anderson Silva contra George St-Pierre (campeão do meio-médio) e Jon Jones (do meio-pesado). Seria um tira-teima exigido pelos fãs para saber quem é o melhor lutador da atualidade – diante da possibilidade de o Aranha brasileiro se aposentar. Outro obstáculo contra uma nova luta do século seria a própria vontade de Belfort de enfrentar novamente Jones. No primeiro duelo, perdeu depois de quase quebrar o braço do campeão.

O UFC pode até adiar uma luta entre Belfort e Anderson. E talvez eles nem queiram ficar frente a frente no octógono outra vez. Mas, a partir de agora, será difícil definir combates para o Fenômeno sem considerar a hipótese de cinturão – embora a humildade do lutador até suavize o desempenho dele na edição realizada em Santa Catarina. O ex-campeão Vitor Belfort merece, de novo, um lugar entre os melhores.

Anderson Silva, um brasileiro para ser observado

O reconhecimento internacional de Anderson Silva, o campeão brasileiro do peso médio do UFC, é inegável. Mas a inclusão dele em uma lista elaborada pelo sisudo jornal Financial Times revela o quanto o atleta e o MMA atingiram um patamar de respeito dentro e fora do Brasil.

A publicação relacionou 25 personalidades brasileiras cuja atuação merece ser observada de perto. O lutador figura ao lado de personagens de destaque do cenário nacional, como o jogador Neymar, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, a modelo Giselle Bündchen, o cineasta Fernando Meirelles e os pernambucano Kléber Mendonça Filho (cineasta) e Romero Brito (artista plástico).

O jornal ressalta o apelido de Aranha colocado no brasileiro e destaca a habilidade no jiu-jitsu. Frisa o quanto o desempenho dele alçou “as artes marciais mistas a um patamar tão popular quanto o futebol” e ajudou a lotar os bares em dias de evento. A lista também inclui a medalhista olímpica de ouro no judô, Sarah Menezes, apontada como uma uma esperança para as Olimpíadas do Rio de Janeiro.

O deslumbre por Anderson (invicto há 17 lutas) é um sopro de entusiasmo em uma modalidade atlética considerada jovem na comparação com outras no país. A profissionalização do MMA, principalmente com o trabalho efetuado pelo UFC desde a década passada, fez o esporte cair no gosto do brasileiro e ampliou a expectativa de crescimento da prática por aqui – principalmente depois da inclusão do Brasil como rota obrigatória dos torneios.

A ousadia de tornar o MMA tão popular como o futebol nem mais parece sonho do presidente do UFC, Dana White. Aos poucos, a realidade acorda quem duvidava…

Uma foto que revela o futuro de Anderson Silva

Campeão dos médios do UFC indicou possíveis adversários pelo caminho

A sabedoria informal é útil para farejar indícios de realidade onde se amontoam apenas aparências. E a cartilha do senso comum é prática quando extrai de um ato involuntário a vontade de revelar pensamentos. Ensinamento popular define pura e simplesmente: toda brincadeira tem um fundo de verdade.

A postagem de uma foto do brasileiro Anderson Silva no Instagram deu margem indispensável a interpretações sobre a próxima luta do atleta. A imagem, mesmo publicada a serviço da interatividade, restringiu o universo de futuros adversários do campeão do peso médio do UFC. O Aranha atiçou os fãs ao perguntá-los com qual oponente deveria dividir o octógono. Na múltipla escolha, recortou: Vitor Belfort, George St-Pierre e Chris Weidman.

A provocação escancara: o Aranha foge de uma luta com Jon Jones, campeão do meio-pesado, aceita revanche contra Vitor Belfort, detonado por ele com apenas um chute, reforça a possibilidade de um duelo de peso acertado com George St-Pierre e, pela primeira vez, inclui o lutador Chris Weidman entre os desafiantes.

Anderson Silva nunca escondeu o desgosto de enfrentar Jones, revelação mais talentosa do Ultimate nos anos recentes. Pressionado por Dana White, o mandachuva da franquia, apelou até para a amizade recém-contraída com o lutador mais novo. Quando o UFC 151 naufragou por falta de adversários aptos a disputar o cinturão de Jon, o brasileiro impôs uma condição: lutaria com qualquer um para salvar o card. Menos, claro, o rei do meio-pesado. Virou o rosto para o confronto mais esperado pelos fãs. Golpe do medo.

A superluta com George St-Pierre, preterida anos antes, virou atalho para fugir de Jones. O desafio com o campeão de uma categoria mais leve motivou o Aranha. Mas a recusa, disfarçada sob o ódio ferino de GSP em relação a outro lutador da franquia, serviu de escudo ao campeão do meio-médio para se esquivar do combate. O canadense pediu para bater em Nick Diaz, ex-candidato ao título, punido por derrotas dentro do octógono e indisciplina fora dele. O medo virou de lado. E o encontro com Silva caiu nas mãos do tempo.

O círculo apertou Belfort e Weidman. O brasileiro já experimentou o gosto – amargo – de topar com Silva. Despencou em um chute memorável. Mais experiente, calejado e empolgado depois de ferir até mesmo Jon Jones, é cotado para a revanche. Vitor mira mais em cima. Quer outra chance, sim. Mas contra o campeão do meio-pesado. A escolha o beneficia: Belfort fatura junto ao público, ávido por desafios épicos, esquiva-se da responsabilidade de vencer – o adversário é favorito – e escapa de apanhar de novo de Anderson. Vira presa longe do alcance da teia do Aranha.

Os percalços do destino armam um cenário difícil de ser redesenhado: jovem de 28 nos e invicto após nove combates, Chris Weidman resta como única opção imediata para o Aranha sair do descanso. O norte-americano é barulhento e clama aos chefes para lutar pelo título. A escalada até as bordas do topo lhe permitiu derrubar Demiam Maia e Mark Munhoz. Mas Anderson ainda o vê com desdém. O bolso impõe um freio: Chris é atleta pífio para atrair anunciantes. E longe de ser ameaça ao cinturão do brasileiro.

O tempo, no entanto, encurta o período de decisão do campeão dos médios. Os 37 anos exigem pressa. Longe do octógono desde outubro, ele precisa acelerar o passo para dar conta das dez lutas acertadas com o UFC. Na luta da maturidade contra a liberdade de escolha, o eleito deve vir de uma disputa (inesperada, até agora) de Weidman e Belfort. Depois, a hipótese mais provável é Anderson encarar o canadense GSP, já sem adversários na categoria. Jon Jones vira sonho de consumo para fechar a carreira.

A foto postada no Instagram sentencia o destino do maior lutador da atualidade. O ditado do povo credencia a conjectura em torno do combate seguinte do Aranha. É inescapável: onde há fumaça, há fogo.

GSP se curva à facilidade e o MMA sofre…

Campeão prefere enfrentar o bad boy Nick Diaz a lutar contra o Aranha

E George St-Pierre se curvou. Preferiu o caminho mais fácil. Embora menos digno para a trajetória dele enquanto campeão do meio-médio do UFC. Aceitou lutar contra o bad boy da franquia, Nick Diaz – e a pecha de playboy do mal é o único atrativo dele na fase atual do showbiz do MMA – em detrimento de um possível combate contra Anderson Silva, melhor do momento nas artes marciais mistas. Entre arriscar levar uma surra do Aranha e sanar uma rixa antiga com um lutador cheio de empáfia e maus modos, a exemplo da suspensão por uso repetido de maconha, o canadense tascou a chance de sair por cima.

Os dois lutadores sobem no octógono em 18 de março de 2013. Antes, não dá. Há um detalhe nada desprezível pelo caminho: Nick Diaz aguarda o fim da suspensão de um ano por ter consumido maconha no período do duelo contra Carlos Condit, na disputa pelo cinturão interino da categoria. Combate do qual saiu derrotado depois de encher o peito se declarar o melhor antes de ser submetido ao infalível teste do esporte: simplesmente entrar, competir e ganhar.

LEIA: A vida não para, MMA…

O falatório também dominou o primeiro encontro dos dois lutadores no ringue – frustrado porque Nick faltou à coletiva de imprensa sobre o torneio. Enfurecido, Dana White, o flexível presidente da franquia, colocou o atleta para fazer a luta secundária da noite e chegou a ameaçá-lo. Mas, ciente do potencial de lucro dos lutadores com a língua solta, amansou. E Nick ganha nova oportunidade de disputar o título da categoria. De quebra, também resolve uma pendência extra-octógono com St-Pierre. Nos meses recentes, os dois trocaram farpas pela mídia – fenômeno raro para o campeão, sempre tido como um gentleman pela conduta social – e se juraram mutuamente.

A St-Pierre, um fôlego para dissipar a atenção em torno da superluta contra Anderson Silva. Confronto do qual ele foge e se esconde atrás de argumentos financeiros. Levar o próximo desafio até março implicaria, logicamente, adiar um possível combate contra o Aranha para, no mínimo, o meio de 2013 – respeitado o prazo de descanso e recuperação pós-duelo. E tempo, como todos sabem, é um inimigo mordaz do brasileiro, já com 37 anos e perto de pendurar as luvas – embora insista junto ao UFC em estender o contrato por mais confrontos.

Cada vez mais envolvido com a possibilidade de faturar, o UFC nem hesitou em definir o duelo principal da edição de número 158. O canadense George St-Pierre, campeão com mais defesas de títulos depois de Anderson Silva, colocará o cinturão em jogo contra o garotinho problema do torneio, o imprevisível Nick Diaz. A escolha vai valer a noite: os dois chegarão ao confronto com fumaça no nariz. Mas, lá no fundo, fica a sensação de mais uma oportunidade perdida. Bom mesmo seria ver GSP em pé de igualdade contra o Aranha brasileiro. O MMA se curvaria.

Anderson Silva e Ronaldo Fenômeno viram bonecos em comercial

O campeão brasileiro do peso médio do UFC, Anderson Silva, caiu definitivamente no gosto da publicidade. Depois de soltar a voz (fina) em comercial da Burger King e de desafiar o mestre Steven Seagal (por uma cerveja Budweiser), o atleta encara um narrador de lutas para fazer um desafio entre marcas de pilha (Duracell e outra desconhecida). A performance vem acompanhada da participação do amigo e dono da agência de publicidade administradora da imagem do Aranha, Ronaldo Fenômeno. Os dois são retratados em formato de bonecos e depois interagem em torno do combate fictício. É o maior nome do MMA da atualidade a passos largos para se tornar o lutador mais bem articulado no campo dos anúncios publicitários.

O nocaute que ensinou ao boxe e ao MMA: a vida não para

O tombo do boxeador Manny Pacquiao depois de ser golpeado a um segundo do fim do sexto round de um eletrizante duelo contra Juan Manuel Marquéz, no sábado, jogou na lona a alma de quem nutre paixão por esportes. Deu um baque na expectativa de vê-lo em ação contra a outra lenda viva do boxe Floyd Mayweather, duelo entravado por anos pela burocracia fora do ringue. A superluta ansiada pelos fãs soava como redenção da nobre arte na era da explosão de popularidade do MMA. Mas a queda do filipino em Las Vegas desmoronou a esperança: aos 33 anos, açoitado por duas derrotas após se manter invicto por sete anos e quinze duelos, o pugilista deve optar pelo resguardo. O corpo e a técnica definham. O ocaso de Pacquiao é a rasteira do tempo na incompetência dos dirigentes e a aula do destino para o boxe e o co-irmão MMA: a vida não espera as artimanhas para colocar os melhores frente a frente.

O encontro entre Pacquiao e Floyd se impunha como tira-teima pelo título de melhor da atualidade. Eleito o lutador da década, escolhido três vezes como boxeador do ano, e com apenas três derrotas até então no currículo, o filipino gozava de prestígio absoluto aos trinta e poucos anos de vida. O oponente, nunca derrotado como profissional, colecionava cinco títulos em categorias distintas. O mundo pedia o encontro. Mas divergências no valor de pagamento das bolsas atrasaram e, agora, praticamente impediram o combate. Pacquiao deve se entregar à carreira política nas Filipinas. E o boxe vai lamentar sempre a luta nunca vista.

O desencontro soa como alerta ao quiprocó do UFC para agendar lutas de Anderson Silva com Jon Jones e George St-Pierre. O brasileiro, melhor do MMA hoje, tem 37 anos e, apesar da tentativa de se manter ativo por mais dez combates, se aproxima do fim da carreira e da forma física excepcional. Vive o ápice da trajetória de sucesso. O confronto com as outras duas estrelas da franquia exige pressa sob o risco de entrar para o arquivo das frustrações esportivas. O tempo é inimigo mordaz do Ultimate a exemplo do desgaste provocado sobre outras modalidades, como futebol, vôlei, basquete. O atleta tem prazo de validade. Paciência também.

A inércia de agendar os combates – sempre adiados por empresários e os próprios lutadores – retarda a possibilidade de torná-los factíveis. A marcha da lentidão é carregada de obstáculos. O canadense St-Pierre pede valores astronômicos para encarar Silva. O Aranha se mostrou favorável, mas quer receber alto também. Jon Jones refuga o brasileiro e corre para o peso-pesado. Na dispersão diária das declarações, o esporte padece.

O presidente da franquia, Dana White, tem a missão de fazer os duelos acontecerem. Deve mirar o exemplo negativo do boxe para quem o confronto Floyd e Pacquiao será uma recordação natimorta. Os mais críticos podem até apedrejá-lo por querer deslocar Anderson de categoria e dar vazão ao showbusiness. Mas o momento é outro. O Aranha superou toda sorte de adversários. Chegou ao esplendor da carreira e nada mais precisa provar. Defendeu o cinturão com propriedade. Agora, é preciso vôo mais ousado. Dentro da regra do esporte, com peso combinado.

Se demorar para agir, Dana vai acumular o segundo revés de leniência diante dos fãs. O primeiro atende pelo nome de Fedor Emelianenko, um dos maiores de todos os tempos, esquecido pelo UFC por divergências empresariais. Até hoje ele é lembrado por quem aprecia as artes marciais mistas e queria tê-lo visto no Ultimate. A vida é insensível aos caprichos da burocracia. Ela não para. Foram-se Pacquiao e Floyd. Vão-se Anderson Silva, St-Pierre e Jon Jones?

E agora, Shogun, o sonho acabou?

Derrota diante de Gustafsson afasta o lutador do cinturão da categoria

A mão perdeu a força de outrora. Fere sem tanta gravidade, machuca menos, leva com mais dificuldade ao chão. A mobilidade minguou. O corpo arfa, as pernas demoram, o organismo cambaleia. Só a resistência dá provas de vida. Mas falta fôlego ao desempenho de dias gloriosos dentro do ringue. Aos 31 anos, o curitibano e ex-campeão do UFC e do Pride (extinto torneio de MMA do Japão) Maurício Shogun Rua sofre com o peso do tempo. A performance arrebatadora de anos atrás, quando desfigurava os adversários com golpes infalíveis, parece ter ruído. E o atleta virou uma sombra do lutador temido do passado.

O fracasso mais recente se deu na luta contra Alexander Gustafsson, revelação sueca do MMA, no UFC On Fox 5. O confronto decidiria o próximo adversário de Jon Jones, detentor do cinturão. Era uma aposta velada de Dana White, presidente da franquia, para dar a Shogun a chance de revanche contra quem lhe tirou o título dos meio-pesados. Mas o tropeço do brasileiro, com uma atuação sofrível e indigna dos melhores dias dele nas artes marciais mistas, deu a vitória ao oponente e obrigou o chefe do UFC a rebolar para inventar nova luta ao sueco antes de importunar o atual campeão.

Dana dizimou a expectativa de Gustafsson e convocou o nome de Lyoto Machida para definir o desafiante à hegemonia da categoria – mesmo a contragosto de Dan Henderson, contra quem o carateca está escalado para lutar. É o imbróglio fabricado na esteira da decisão precipitada do dirigente de colocar o duelo Shogun x Gustafsson como ponte para o combate e, sobretudo, da queda inesperada do brasileiro diante do sueco.

A derrota do sábado é a terceira de Maurício nas últimas cinco lutas. Perdeu para Jon Jones por nocaute, Dan Henderson em uma luta épica e Gustafsson. E venceu Brandon Vera e Forrest Griffin. Mas nem as melhores performances têm sido convincentes. Shogun evidenciou cansaço incômodo na luta contra Vera e poderia ter perdido. Diante de Griffin, conseguiu vitória mais expressiva, com nocaute no primeiro round.

Dentro do octógono, no entanto, ele apresenta lentidão, cambaleia, hesita em momentos cruciais. Exibição distinta da observada na trajetória do atleta. Shogun se notabilizou pelo apuro atlético no Pride – quando perdeu apenas uma vez – e até aparentou engrenar no UFC quando venceu Mark Coleman, Chuck Lidell e Machida, na disputa pelo cinturão. Desde então, oscila entre maus e bons momentos, sem conseguir vencer duas vezes consecutivas.

A gangorra no UFC o afasta do retorno ao posto de melhor lutador do mundo na categoria. A derrota para Gustafsson praticamente o elimina da chance de enfrentar Jon Jones, já um adversário difícil de ser batido por lutadores de expressão. A lista de desafiantes é extensa com Chael Sonnen (injustamente escalado), Lyoto Machida, Dan Henderson e o próprio sueco. Some-se à dificuldade a possibilidade de o jovem campeão subir de categoria, ao fim de 2013, como anunciou, ou fazer uma superluta contra Anderson Silva em peso combinado – todas as hipóteses adiam infinitamente o sonho de Shogun reaver o título e o prestígio agora combalido no Ultimate.

O lutador precisa recuperar a forma física para reencontrar o caminho das vitórias. Mas o maior adversário está além do ringue e tem uma força constante: é o tempo, impiedoso com atletas de qualquer modalidade esportiva. Quanto mais o brasileiro naufraga nas tentativas de voltar ao topo, mais pena com o avanço da idade e o conseqüente desgaste da forma física. E os fracassos lhe empurram para o fim de uma relação cada vez mais maior pelo surgimento de novos lutadores na escalada rumo ao cinturão. A única saída para o brasileiro é a sina perseguida por todos os lutadores: vencer. E logo. Qualidade, ele tem. A história registra. Mas o passado de glórias precisa encontrar o presente tortuoso. O tempo urge.

Anderson Silva, Neymar, Luana Piovani e cia. em comercial da Nike

A dobradinha MMA e futebol volta a dar as caras sob as bençãos da Nike, multinacional de material esportivo. As maiores estrelas das duas modalidades no Brasil, o lutador Anderson Silva e o jogador Neymar, estrelam um comercial da marca cuja proposta é falar de grandeza. O Aranha é o primeiro atleta do UFC contratado pela empresa – Junior Cigano também faz parte do quadro junto a Jon Jones, no plano internacional. O vídeo conta com a participação da atriz Luana Piovani, da saltadora Maureen Maggi, do surfista Pedro Scooby e do maratonista Marílson dos Santos.

LEIA: Junior Cigano fecha com a Nike

Jon Jones realiza sonho fora do octógono

Caetano Veloso cita mitos do MMA em nova música

A apresentação de Caetano Veloso das novas músicas do disco Abraçaço, comemorativo aos 70 anos do músico, surpreendeu pela inclusão de nomes de feras das artes marciais mistas (MMA) brasileiras em uma das letras. Cantada ontem, no programa do Jô, da TV Globo, a música A bossa nova é foda faz uma referência a lutadores top do país. Um dos versos diz:

Deu ao poeta, velho profeta, a chave da casa de munição. O velho transformou o mito das raças tristes em Minotauros, Junior Cigano, José Aldo, Lyoto Machida, Vitor Belfort, Anderson Silva e na coisa toda… A bossa nova é foda”.

Apanhados de surpresas durante a exibição do programa, a lenda viva do esporte Rodrigo Minotauro e o campeão dos pesos-pesados do UFC, Junior Ciganon, comemoraram com fãs no Twitter: “Tu viu rapaz? Me emocionei em ver essa música do ídolo máximo do nosso pais. Quanta honra!!! Valeu, Caetano Veloso…”, escreveu Minotauro ao amigo Junior Cigano. “Vocês viram isso? Tô assistindo ao Jô e simplesmente fiquei pasmo, meu nome em uma música desse ícone da música brasileira Caetano Veloso”, postou o campeão.

Para assistir à apresentação, clique aqui:

O UFC vai barrar os aventureiros?

Agora é Nick Diaz que quer fazer superluta contra Anderson Silva

O silêncio do UFC antes de definir o próximo adversário do imbatível Anderson Silva virou espécie de concessão para aventureiros se lançarem no caminho do Aranha. E eles começam a dar as caras. Nick Diaz, atleta punido duas vezes pela comissão atlética por uso de maconha, derrotado por Carlos Condit na luta criada para aquecer o combate com o campeão George St-Pierre, desfruta os 15 minutos de fama ao ver o nome atirado no noticiário pelo treinador Cesar Gracie.

O que o credencia a uma superluta contra o campeão dos médios, o maior da atualidade nas artes marciais mistas? Nada. Apenas uma retaguarda técnica de influência na comunidade do MMA e um barulho em torno da fama de “bad boy” da franquia – mais pela forma de agir verificada fora do octógono. Nick reza pela cartilha de comportamento escrita por Chael Sonnen: faz questão de alimentar a os gestos destemperados – já foi fotografado com o dedo médio em riste, faltou a coletiva de imprensa marcada pelo UFC, recebeu punição por indisciplina – e falar muito antes dos combates. Mas é só.

Quando finalmente passou perto de tentar o cinturão contra St-Pierre, correu da entrevista, enfureceu Dana White e acabou rebaixado no card. Em seguida, disparou farpas contra o campeão o canadense do meio-médio. Testado antes contra Carlos Condit, mostrou um desempenho pífio e perdeu o cinturão interino. Pior: flagrado no antidoping pela segunda vez por uso de maconha, foi para a geladeira, de onde só sai depois de fevereiro do próximo ano. Aos 29 anos, o atleta acumula 26 vitórias na carreira e apenas oito derrotas. Mas, no UFC, o resultado é sete triunfos e cinco tropeços. O sucesso obtido no Strikeforce é o único cartão de visita apresentável ao combate. Ainda assim, é pouco para fazer frente ao Aranha.

O colega de bravatas Chael Sonnen chegou mais longe com as provocações longe do ringue. Conseguiu lutar contra Anderson Silva por duas vezes – e perder ambas – e, agora, vai disputar o cinturão dos meio-pesados contra Jon Jones. Ele rende dinheiro e atrai patrocínio. É o único trunfo. Diaz nem isso conseguiu. Antes de vislumbrar uma superluta, ele precisa deixar de ser um meio atleta. Corrigir a postura extra ringue e subir a escada dos adversários para topar com os maiores. O UFC precisa bradar contra os aventureiros.

No Twitter, @tiagobarbosa_