O peso da lei sobre o campeão Jon Jones

Lutador encara série de restrições por ter sido flagrado com suspeita de embriaguez ao volante

Dana e Jones: beber, sim. Dirigir, nem pensar...

 

O imaginário popular brasileiro nem hesita quando celebridades topam diante de ilegalidades e são submetidas ao crivo da Justiça. A sentença pende logo para a impunidade: quanto mais famoso for o réu, maior a chance de escapar ileso.  É assim com estrelas do esporte, alto escalão da política, astros da televisão e outros ilustres da sociedade. Nos Estados Unidos, a situação – aparentemente – muda de figura. E quem prova na pele o peso do equívoco é o campeão dos meio-pesados do UFC, Jon Jones, maior talento surgido no MMA nos últimos anos. Depois de ser preso por dirigir com sinais de embriaguez – e solto por pagar fiança -, ele será obrigado a seguir uma cartilha de bons modos para fugir de novas complicações.

As medidas são rígidas. O dono do cinturão deverá ser avaliado periodicamente até o dia 19 de junho, quando se encontra novamente com a Justiça da cidade de Binghamton para checar a atual situação. Ele deve ficar em condicional e se esquivar de problemas do tipo por pelo menos um ano. Mas o judiciário locar exige mais. Jones precisa assistir a aulas sobre os perigos de dirigir embriagado e passar por sensibilizações para entender os riscos inerentes a misturar bebida e direção.

O carro do campeão deverá contar com um dispositivo de bloqueio na ignição. O equipamento só destrava quando o lutador – depois de liberado para dirigir – fizer o teste de bafômetro e comprovar estar livre de bebida alcoólica. A licença para sentar no banco do motorista está cassada por um ano. A Justiça também determinou pagamento de multa de 1,5 mil dólares. Mas, ao considerar os ganhos do atleta com os últimos combates e o patrocínio generoso do UFC, o dano maior é mesmo na imagem, arranhada em virtude do desgaste do ídolo.

O enquadramento da Justiça é um reforço para o campeão retomar o rumo da carreira e investir no status de bom garoto criado a partir da conduta sempre cavalheira no exercício da profissão. E uma lição para o Brasil, onde esportistas zombam dos limites da lei ao flertar com práticas nem sempre acolhidas pela sociedade. Basta citar o envolvimento de jogadores de futebol com narcotraficantes e, mais recentemente, a rejeição do técnico da Seleção Brasileira em se submeter ao teste do bafômetro. No jogo da punição contra desvios, os EUA parecem marcar pontos sobre o Brasil.

 

Campeão do UFC se desculpa por ser preso ao dirigir bêbado

Nem tudo são flores na vida do campeão dos meio-pesados do UFC, Jon Jones. A fama obtida pela atuação impecável dentro do octógono – capaz de lhe render o cinturão da categoria e um patrocínio do próprio Ultimate – manchou-se com a prisão em flagrante por dirigir embriagado. O lutador foi apanhado depois de se envolver em um acidente em Nova York, nos Estados Unidos, no fim de semana – o carro, um modelo Bentley, teve perda total. Levado à prisão, ele foi liberado com pagamento de fiança feito pela mãe. Dois dias depois do incidente, Jones desabafou:

“É bom sentir que as pessoas estão lá e cuidam. Eu senti que eu deveria pedir desculpas a vocês, primeiro (fãs no Facebook). Eu sinto muito que eu possa ter vergonha de alguma forma. Eu vou lhes provar, bem como a mim mesmo, que não importa o que está acontecendo na vida, podemos sempre trabalhar o nosso caminho de volta e tornar as coisas ainda melhores do que antes. Eu não vou permitir que essa situação supere os momentos positivos. Eu amo vocês de volta e prometo fazer as coisas direito. PS.: desculpe a gramática terrível”, afirmou o campeão.

O presidente do UFC, Dana White, comentou o acidente. E suavizou o equívoco do protegido de dirigir após consumir bebida alcoólica. “Não se pode exigir que ninguém, especialmente os lutadores, sejam pessoas perfeitas. Entendo que eles sejam exemplos para os mais jovens, mas eles também são seres humanos. Vão cometer erros”, declarou em entrevista ao MMA Junkie (entrevista reproduzida pelo SporTV).

O falastrão do UFC Chael Sonnen decidiu se envolver no problema. E, no Twitter, aconselhou o jovem talento do MMA. “Não existe crescimento sem dor. Um preço pequeno para a lição que aprendeu. Feliz que você está salvo”, ponderou.
A conduta de Jone surpreende. O lutador é tido como um dos atletas mais carismáticos do Ultimate. Sempre demonstrou respeito para com os adversários e fez questão de cultivar a sina de bom moço dentro e fora do octógono.

As atitudes elogiáveis lhe renderam patrocínino e a devoção da torcida ávida por novos talentos no mundo das artes marciais mistas. E Jones surgiu exatamente em um momento crucial para o esporte: os lutadores mais antigos flertam com a aposentadoria, e os dirigentes do Ultimate elaboram estratégias para tornar a prática palatável ao público mais hostil. O tropeço fora dos ringues arranha o prestígio conseguido até agora pelo lutador. Ele precisa recuperar a imagem positiva para evitar críticas e a associação com um possível status de “bad boy”.

Jon Jones sobe novamente no ringue no dia 1 de setembro, contra o veterano Dan Henderson. A luta vale o cinturão da categoria. Provavelmente, é a última luta do desafiante, uma lenda viva das artes marciais mistas. Os fãs anseiam ver o campeão em ação. E, tomara, longe das confusões extra-octógono.

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